Olá, boa tarde!
Dessa vez consegui vim mais cedo.
OBS: A imagem que utilizei fora apenas como forma de ilustração. — Não tem nada a ver com quaisquer história que tenha ocorrido na vida real. — Tudo aqui é mera ficção.
OBS2ª : A imagem utilizada foi uma maneira de testar novos recursos. Pois em outra ocasião tentei fazer uma passo a passo utilizando prints e acabei não conseguindo. No entanto, hoje consegui fazer isso e estou partilhando minha experiencia aqui com vocês, porque estou muito feliz. E sem a necessidade de utilizar uma plataforma externa para demonstrar isto.
Capitulo 8 Lembranças de um tempo que precisei esquecer
Consultório da Drª Sacha Russel
Alexa Leboc
Parece que o sol resolveu brilhar de maneira mais intensa do que o habitual, porque a nebraska o suplanta quase que o ano todo. E ver essa mudança súbita, logo hoje que vou me encontrar novamente com minha terapeuta, deve ser um bom sinal. — com certeza.
Dessa vez não tive muita dificuldade em localizar a clínica nem muito menos encontrar a sala dela, já que não precisou de todo o protocolo que foi da minha primeira consulta. — A recepcionista apenas autorizou minha entrada, pois meu cadastro já constava nos arquivos da clínica. Então, ela apenas solicitou que eu me aproximasse do sistema de câmeras para autorizar a entrada.
Ao me dirigir até a sala da doutora Sasha, já fui batendo e entrando logo em seguida, pois estava escrito em letras grandes e garrafais, “ BATA E ENTRE ” — E foi o que fiz. — Quando me vi cara a cara com ela novamente, não fiquei em estado de paralisia ou catatônico como havia sido da primeira vez em que me esbarrei nela, quando estive ali da última vez.
— Por isso, quando eu entrei, já fui logo dizendo:
— Doutora!
— Cumprimentei - a, de maneira bem pólida.
— A médica me saudou de volta, com um olá, bem contido.
— No entanto parecia satisfeita em me ver por alí novamente
— Por isso sem delongas, pois ela queria explorar bem o tempo daquela sessão.
— Ela me levou até o divã para que eu pudesse me sentar.
— Depois ela se acomoda na própria poltrona dela também.
— Cruza as pernas. — Olha para mim e pergunta:
— Como está se sentindo depois da última consulta que tivemos?
— Eu me perco em meio aos pensamentos ao notar a exposição das pernas da médica.
Isso me faz lembrar da atriz Sharon Stone, na sua famosa cruzada de pernas no filme Instinto Selvagem, que era capaz de desnortear qualquer um, pois ela sabia usar o poder de sedução para manipular as pessoas e convencer as testemunhas mais céticas. — Mas no caso dela não se aplicava, pois ela não cometera nenhum crime e eu também não era da lei.
— Fiquei a imaginar o que eu gostaria de fazer com essa doutora, agora mesmo.
— As pernas dela eram tão bonitas que a vontade era me perder entre elas.
— Ela não sabia o efeito que estava causando em mim, ao se expor de uma maneira tão sedutora quanto aquela — E para uma mente que cria mundos a partir do que visualiza. — Ela estava correndo um sério perigo, em se mostrar daquela forma.
— Não consigo controlar meus instintos, mais selvagens, diante dessa mulher — Já posso me imaginar entrando em modus imersivo, beijando aquela boca, pegando ela e jogando cima da mesa dela, quero ver ela perder essa pose toda, de mulher perfeita demais quando a fizer minha.
— Queria ver ela se desmantelar toda quando imprimisse minha intensidade contra ela.
— Posso sentir que vou precisar levar uma peça de vestuário extra, pois essa mulher vai arruinar minha reputação, porque já consigo ver os estragos que ela é capaz de causar, só de imaginar as coisas que insistem em surgir na minha cabeça.
— Já posso ver todo trabalho que irei ter para não agir como se fosse uma adolescente diante da primeira namorada. — Vou ter que me controlar ao máximo para não colocar tudo a perder.
— Nisso, sou chamada de volta à realidade, ao ouvir a voz da Sacha, ressoando bem no fundo da minha mente.
— Me perguntando se estava tudo bem?
— Eu tento me recompor e assumir o papel de ser apenas uma paciente.
— Por isso dou um breve espaço entre os pensamentos para assimilar o que vou dizer.
— Respiro e respondo lentamente. — Muito bem, doutora!
— Eu rio internamente das próprias imagens que se materializaram na minha mente.
— A doutora, então, começa a elucidar sobre os avanços que haviam sido feitos desde a última sessão
— Diz que a partir da análise do que eu havia dito no último encontro delas foi possível fazer alguns levantamentos e que algumas dúvidas surgiram a respeito da infância dela, como por exemplo, o fato dela dizer que tinha sido deixada “à própria sorte”.
— E lança uma pergunta para mim de maneira direta — Você foi abandonada de alguma forma pela sua família, Alexa?
— Agora, quero te dizer o seguinte: — Só fale se você se sentir realmente à vontade, se não, está tudo bem também.
— Porque o intuito por aqui é que não se sinta obrigada a nada, ok?
— Suscitar memórias enterradas dentro de mim não é nada animador, ainda mais aquelas guardadas nas profundezas do meu inconsciente. No entanto sou levada a revisitar lembranças que por tempo demais mantive num lugar a salvo dentro de mim.
— protegidas por códigos de seguranças que até mesmo eu desconhecia a senha para acessar, pois eram muito densas para deixá - las emergir novamente.
— Porque não sei se estou preparada para resgatar isso de novo, trazer à tona. — tirá - las do local de segurança, e manter intacta minha própria lucidez. — Porque com o familiar posso lidar, mas com as partes rejeitadas, não, pois significa um terreno hostil, inexplorado, que não sei se posso confiar. — Se posso abrir brecha.
No entanto, sem que eu tenha controle, as memórias invadem a minha mente numa velocidade tremenda, como uma enxurrada que incide de repente sobre a terra, sem aviso prévio, arrastando tudo que encontra no sentido da correnteza. — Tornando - se visível a força da natureza. E mostrando a fragilidade débil do homem frente às oscilações climáticas.
Assim também é a mente do ser humano cobrando o preço do resgate, por memórias soterradas em lugar de grande quantidade de águas —, um dia ela traz à superfície o que o barro tentou esconder. — Suprimir.
Nisso sou transportada a reavivar uma lembrança de um lugar escuro de minha alma, mas com grande potencial de redenção.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwy5v4pz1wwo
Orfanato em Moscou
Era final de tarde, podia ver ao chegar ao dique, as arquibancadas ao redor do lago, os brinquedos ao redor dele. Uma cadeirinha de balanço, outra giratória, um escorregador coberto, compunham um parquinho para as crianças se divertirem, enquanto os pais olhavam a paisagem ao redor.
No entanto, a nossa ida até aquele local não foi motivada pelo toque de diversão, mas pelo desespero, pois necessitavamos encontrar meu irmão que segundo a minha mãe havia desaparecido. Então, nos deslocamos até aquele local no intuito de achá - lo. — Minha mãe assim falara para mim.
Éramos uma família composta de oito filhos, bem paupérrimos, sobreviviam do que aparecesse, estávamos sempre famintos por alguma coisa, brigavamos entre si para manter o controle, enquanto nossos pais estavam em busca de criar condições de nos sustentar. Éramos um bando de crianças, tomando conta umas das outras.
– Era assim que funcionava com a ordem que Deus deste “irdes e povoai toda a terra.” E as famílias tinham números absurdos de filhos e deixavam a toa porque não tinham como sustentar. — ou porque eram displicentes mesmos, irresponsáveis. — Gostavam de dar seus filhos sem remorso algum.
Era como se estivéssemos num lado de opostos. De um lado, o grupo do Eixo, do outro lado, o grupo dos aliados, formado por homens fortes, ou meninos dispostos a proteger os mais novos de uma futura ameaça, vindo de dentro de casa mesmo. (Parece até engraçado, mas os irmãos brigam entre si, criam divisão entre eles). E numa guerra de lados, existiam dois líderes na casa, formados pelos irmãos mais velhos. — Que tem a função de cuidar dos irmãos menores, mas não deixar -los entrar em confronto. — Rsrsrsrs! — Em caso de conflitos, você tem a proteção do grupo ao qual faz parte, significa dizer que não está sozinha.
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A mãe disse que quando nasci fora num ano de muita fartura, teve recursos financeiros para comprar coisas que não fora possível adquirir no nascimento dos outros filhos. Entre os objetos estava um ferro de passar roupa que tinha como fonte de energia, a brasa, proveniente das pontas do tição (lasca da lenha acesa, brasa de carvão).
Moravamos muito afastados do centro da cidade, numa região rural de Moscou, mais periférica, em que ter acesso a energia ainda era impossível, frente a tantas mudanças políticas, e promessas vazias, que se aproveitavam da ignorância das pessoas para tirar proveito e manter o eixo girando, sem contudo cumprir com as promessas que faziam.
E as pessoas não tinham outra opção se não a continuar confiando neles, era sempre as mesmas conversas, cheias de promessas vazias, pois assim conseguiam permanecer no poder, sem resolver as demandas reais da população.
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E em meio a tantos, sempre me senti isolada de todos, porque era uma criança diferente de todos os outros, tanto na constituição física quanto na mentalidade. — Me via como um patinho feio em meio aos meus. — E uma imagem que perdurou meus pensamentos mais pueris fora de algo duro de se imaginar, trivial, mas que na mente criativa de uma criança, aberta a fantasias constantes, tomaram proporções enormes.
Sabe aquela imagem que vai se delineando através dos pensamentos? Quem assistiu ao desenho animado “O fantástico mundo de Bobby” deve compreender do que estou falando. — Era uma animação, em que o garotinho se perdia em meio aos pensamentos, sempre ele criava uma historinha na cabeça dele a respeito do que ouvia. — E porque ele não tinha a mentalidade de uma pessoa adulta, por isso criava cenários mirabolantes do que ouvia. — Que por muitas das vezes eram apavorantes até mesmo para ele — Pois tornava - se difícil contornar os cenários de horrores criados pela imaginação dele. — Eram muito assustadores.
E aquilo que ouvi meus pais falerem soou como um aviso, uma ameaça do que estava por vir - A ideia de ser trocada por fumo — fora a coisa mais grotesca de se ouvir, porém tomou proporções maiores, pois, nenhuma pessoa quer ser trocada por alguma coisa, sentir uma mercadoria para ser trocada - Ainda mais por fumo. — Internalizei esse medo insano dentro de mim que me acompanhou até a fase adulta.
Mas a situação que mais me marcou mesmo foi ser abandonada, deixada para trás, em situações degradantes de um orfanato, pois para os pais achavam que estavam fazendo um bem enorme para seus filhos, quando melhor estaria na presença deles, para o que der e vier.
O pior foi como tudo aconteceu. Ela criou uma história, a de que iríamos encontrar alguém, um dos meus irmãos que havia se perdido. — E que precisávamos percorrer em direções contrárias, que em determinado trecho iríamos nos encontrar. O que fez com que me perdesse dela para sempre, pois o caminho era um caminho sem retorno, e quando percebi isso já não tinha como voltar, porém, antes que seguisse por aquela estrada com apenas uma bolsinha nas costas, já duvidava no meu coração que aquela atitude dela fosse correta, ainda a encarei, tentando pôr um pouco de juízo naquela cabeça dela.
Queria abrir os olhos dela para aquela situação, como se dissesse com meu olhar, “você está certa disso?”, porque uma criança como eu já sentia mais ou menos o que estava delineado para acontecer.— em me deixar seguir aquele caminho sozinha, sendo que ela era a pessoa responsável por mim. ( Eu poderia seguir minha intuição e resistir, dizer que não queria ir sozinha, mas resolvi confiar nela ao invés de mim mesma). — É o que as crianças fazem, confiar nos adultos.
— Ela que tinha que me proteger. mas, ela presumiu que eu podia cuidar de mim sozinha, ela jogou nas minhas costas a responsabilidade de cuidar de mim mesma. — Não pensou nas consequências que o ato dela poderia gerar tanto pra mim quanto pra ela mesma. — Mas pra mim naquele instante, porque eu era a menor de idade naquela estória, não poderia me proteger em meio aos impropérios e perigo de estar sendo exposta de uma maneira tão vil e avassaladora ao mesmo tempo.
Ao final do caminho não consegui encontrar nem meu irmão nem tão pouco minha mãe. O desespero tomou conta de meu coração, tentei retornar pelo mesmo caminho pelo qual eu vim, porém fui abordada por um casal que aparentava ser muito amigável. E me pediram que os seguissem até um local que abrigava crianças enquanto os pais não podiam vir buscar ou por não terem mais família.
— Tentei gritar a plenos pulmões por minha mãe.
— Meus gritos ecoavam a distância, reverberando de volta a palavra :
— mãe… mamãe … mamãe!
No entanto aquele casal que me abordara no caminho já me levava pelas mãos em direção a uma casa. Foi quando me vi rodeada por outras crianças, nas mesmas condições que eu, sujeitas a uma vida de abandono e descaso, porque a realidade se pintava bem diferente do que posta no início.
Fomos obrigados a viver de uma forma degradante, sem poder fazer nada para escapar daquela vida infernal. — recebíamos castigos por tão pouca coisa, nos isolavam por dias nas celas, como se fossemos criminosos de alta periculosidade, com direito até a trincheiras, nos buracos na terra, num poço nos subterrâneos da propriedade.
E isso muitas das vezes fazia com que muitas crianças contraíssem alguma doença fatal e acabassem morrendo. E muitas eram acometidas por pneumonia, que era fatal, ao serem expostas a muitos dias ao frio e falta de alimentação. — E há quem ousasse contestar os administradores sobre isso. — Seriam castigados com maior vigor ainda.
Era comum as pessoas receberem do estado para acolher crianças em condições de vulnerabilidade, mas não darem o retorno necessário. — Desviando os recursos para outras finalidades que não os cuidados com as crianças.
Um lugar que era para significar uma reabilitação para aquelas crianças, se tornavam um martírio, um lugar de desesperança. Isso poderia ser visto no descaso com a alimentação. A elas eram dadas, comidas estragadas, carnes putrificadas, sem as mínimas condições salubres.
As pessoas que eram designadas para fiscalizar esses orfanatos, muitas das vezes eram subornadas para não relatarem o que viam. — os inspetores do estado.
No entanto, as coisas ficaram bem mais difíceis do que já eram. A perspectiva de sermos vendidos como escravos, guerreiros, militares para finalidades distintas, sobreveio sobre nós como facada pior do que sobreviver aos porões do orfanato. — Das condições miseráveis e decrepitantes que era morar entre aquelas paredes.
Muitos não sobreviviam diante de tanto descaso, abandono e insensibilidade dos administradores, que apenas visavam o lucro. O frio, maus tratos, alimentos escassos e estragados eram fatores que tornavam a vida ali impossível de vingar.
Porém tínhamos esperança que algum dia conseguiremos escapar de alguma forma daquele lugar. E a chance chegou não como esperávamos que fosse, pois pretendíamos fugir para algum lugar, longe dali.
Apesar de ser algo imprevisível, todavia havia a promessa de liberdade no final daquela empreitada. — Mesmo sem as garantias de que os que eles falaram serem verdade, era uma oportunidade.
O que nos inquietava era que ali já sabíamos como funcionava, porém em direção a outro país não sabíamos o que nos aguardava.
No entanto, era uma oportunidade, mesmo que escusa, pois não poderíamos prever os acontecimentos, podería até ser pior do que aquele local, talvez, mas seria uma chance de tentar, mesmo em condições adversas.
A sorte estava lançada, o que poderia ser pior do que aquele lugar?
Fim do capítulo
Olá novamente!
Espero que gostem deste capítulo.
Este foi escrito de forma intercalada entre outras histórias. Mas não quer dizer que não tenha uma dose de carinho, pois vou confessar - lhes, este veio de um lugar profundo — Foi de dentro do meu coração.
Então... aproveitem a leitura.
Até a próxima!
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