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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 2951
Acessos: 411   |  Postado em: 28/06/2026

Capitulo 35

Por Hanna

As buscas por Jefferson estavam cada dia mais intensas, mas até o momento era como se vivêssemos um corrida desesperadora pela vida, já que ele ainda não tinha sido pego. 

Mais uma vez nós estávamos no apartamento de Bárbara, que não tirava os olhos da tela do notebook um só minuto. Jefferson não tinha voltado a fazer contato, e o rastreio do número que ele havia me ligado levou a polícia até um local aparentemente abandonado que ficava próximo à favela que tinha sido invadida dias antes, mas chegando lá ninguém foi encontrado e nem nada que levasse até seu paradeiro. 

Marcela estava ao meu lado quando meu celular começou a tocar quebrando o silêncio do ambiente.

– É número confidencial.  – Eu falei trocando olhares com todas.

– Espera! – Bárbara conectou um cabo no meu celular. – Pronto, pode atender. Hanna, tente manter a calma, e lembre-se faça ele falar bastante. O máximo que você conseguir. 

– Alô. – Tentei manter a calma para não irritar o homem na linha.

– Olá, querida. Quanto tempo, não é mesmo? – A voz grave do outro lado da linha me causava arrepios e pânico.

– Jefferson, o que você quer comigo afinal? Não basta o mal que já me fez no passado? O que espera de mim agora? 

Marcela fechava o punho na medida que ela conseguia ouvir a conversa por um fone que estava conectado ao notebook da Bárbara. Por sua vez, minha irmã e amigas estavam nervosas sem saber o que ele estava dizendo. 

– Ora, Hanna. Não se faça de idiota. Eu tenho certeza que você continua bem inteligente, e sabe exatamente o que eu quero. Ou você pensou mesmo que iria acabar com a minha vida me fazendo perder anos naquele inferno, e eu não te daria o troco? 

– Você foi condenado porque o que fez é um crime. Eu não tenho culpa dos seus atos malditos. – Comecei a me alterar e Bárbara fez um aceno me pedindo calma. 

– Eu acho muito bom você se acalmar, ou vai ser ainda pior. Eu quero que você preste bem atenção no que eu vou te falar. Eu sei que os tiras estão atrás de mim, e isso me causou prejuízo com meus parceiros, então eu estou bastante furioso com você, mas como sou muito legal, o primeiro aviso é: Deixe-os longe disso, ou eu não me responsabilizo pelos meus atos. Tem alguém perto de você agora?

Bárbara mandou que eu mentisse e assim eu fiz. 

– Não! Você pode falar, não estou com policiais nem ninguém por perto. Você não deveria saber disso, já que pelo o que parece tem me vigiado constantemente?

– Ótimo! Assim facilitamos as coisas. Eu realmente tenho te vigiado. Cheguei tão perto de você algumas vezes, pena que não pudemos matar as saudades porque sempre chegava algum para nos atrapalhar. – Ele deixou uma risada macabra escapar. – Agora me deixa eu te contar algo importante. Logo que sai da cadeia, minha única intenção era te matar para fazer você pagar por todos os dias que passei naquele lugar, mas agora eu estou meio encrencado e preciso de grana as intenções mudaram. Meu velho é outro imbecil, e com ele não posso contar, mas existe uma pessoa que pode levantar esse dinheiro para mim. 

– Eu não tenho dinheiro. Você sabe perfeitamente que eu nunca fui rica. Por favor, me deixe em paz.  – Pedi em súplica e a única coisa que ouvi foi uma risada diabólica do outro lado. 

– Você acha mesmo que eu sou idiota, não é? Eu venho monitorando sua vida desde o dia que fugi da cadeia. Eu sei que você não tem a quantidade que eu preciso, mas existe uma pessoa que tem, e você pode conseguir isso com ela.

Meu coração gelou e meus olhos conectaram-se imediatamente com os castanhos de Marcela que eram puro ódio. 

– Deixa a Marcela fora disso, seu filho da puta.

– OLHA AQUI SUA SAPATÃO DOS INFERNOS, EU ACHO BOM VOCÊ MODERAR SEU TOM DE VOZ OU AS COISAS VÃO ESQUENTAR. E eu vou te dar só mais um aviso: nunca ouse defender aquela vagabunda na minha frente, ou eu mato vocês duas. – Marcela fez sinal me pedindo calma e me mandou continuar a conversa. Eu silencie, o que pareceu agradá-lo. – Muito bem! É assim mesmo, bem obediente como toda puta deve ser. Olha só, eu te dou até amanhã para você conseguir com sua vadiazinha meio milhão de reais, e quero que seja entregue pessoalmente por você no local que vou te passar as instruções na próxima ligação que eu fizer.  Aliás, isso me faz lembrar de dizer, parece que o corretivo que te dei no passado não foi suficiente, não é mesmo? Você continua sendo uma aberração. Nós poderíamos relembrar os velhos tempos, quem sabe assim dessa vez você não mudaria de ideia? 

Ouvir aquilo me levou de volta para o meu maior pesadelo. Meu corpo tencionou no mesmo instante, e eu estava sentindo que perderia o auto controle a qualquer momento. Por sorte, o nervosismo de Jefferson logo o fez mudar de assunto. 

– Podemos falar sobre isso depois. Por hora, vou apenas te lembrar… Tente alguma gracinha e eu te garanto que vou assegurar para que dessa vez o corretivo seja definitivo. 

– Você enlouqueceu?  Eu não tenho como conseguir esse dinheiro. É muito dinheiro, e ela não tem isso tudo.

– Não subestime minha inteligência sua imprestável. Eu sei perfeitamente tudo sobre aquela empresa. 

– Eu não vou envolver a Marcela nisso. Eu não vou fazer nada do que você me mandar fazer.

Ele sorriu novamente de uma forma assustadora e aquilo me causou um frio no coração.

– Você tem certeza? Eu vou te dar um incentivo então… Espera só um minutinho.

Troquei olhares com Bárbara e Marcela, percebendo que elas estavam tão aflitas quanto eu.

– Mamãe, busca eu logo. Aqui é escuro, e eu tô com medo. 

Minhas pernas tremeram e eu cambaleei para trás conectando meus olhos com os de Marcela que estava paralisada tão desnorteada quanto eu estava ao ouvirmos a voz assustada de Gabi. O choque em meu corpo foi grande, e eu não conseguia ter reação nenhuma. Eu ainda conseguia ouvir os gritos da minha filha, que agora ficavam cada vez mais distante. Meu coração batia em desespero e já sentia lágrimas rolarem no meu rosto. Micaela veio em minha direção e Renata correu para onde Marcela estava paralisada sem reação alguma. 

– 24hr é o seu prazo para conseguir a grana que eu falei. Tente uma gracinha, e ela morre. Não atenda minhas ligações, e ela morre. Não faça o que eu mandar, e ela morre. Não consiga o dinheiro, e vocês três morrem. Entendeu, meu bem? 

– Desgraçado, ela é só uma criança! Como você pode fazer isso com ela? Solte a minha filha, Jefferson. Eu troco de lugar com ela, eu faço o que você quiser, mas deixe que minha filha viva. Solte ela, eu imploro! – Meus gritos foram o suficiente para que Renata e Micaela conseguissem entender o que estava acontecendo. 

– É realmente uma proposta tentadora, mas no momento vou precisar recusar, afinal, é essa pirralha que pode conseguir o que eu preciso. Aguarde meu telefonema nas próximas horas com instruções de como faremos a troca. E já sabe, nada de tiras!

A ligação encerrou me deixando desesperada. 

– O que ele queria, Hanna? Cadê a Gabriela? – Minha irmã perguntava nervosa e já sem conseguir conter o choro.

– Meio milhão de reais, é o que ele quer que seja entregue por mim amanhã. – Olhei para Micaela desesperada. – Minha filha, Micaela. Ele pegou minha filha!

Vi que Bárbara já ligava imediatamente para a agente Susana. Micaela chorava junto a mim, enquanto Renata tentava entrar em contato com o segurança que estava fazendo a guarda da minha filha na frente da escola da criança.

– Fabrício foi encontrado baleado. Levaram ele para o hospital, e a moça do hospital já estava entrando em contato com a família dele. 

– O quê? Ele está morto? – Ouvi a Voz de Bárbara perguntar para Renata. 

– Não, mas o estado dele é grave. Parece que o tiro foi na cabeça. 

Busquei os olhos de Marcela, que agora estava sentada no sofá com as mãos na cabeça. Minha namorada parecia perdida em um mundo só dela. Corri para seus braços… quando nossos olhos se encontraram novamente, ela me abraçou tão forte como jamais tinha feito antes.

– Eu te prometo que vou trazer nossa filha de volta. – Foi tudo que ela conseguiu dizer antes de finalmente lágrimas rolarem pelo seu rosto enquanto compartilhávamos a mesma dor.

 

Por Bárbara

Tudo o que não podia acontecer era aquele meliante conseguir pôr as mãos em alguma das vítimas que estavam sendo ameaçadas por ele, mas como o destino costuma ser muito filho da puta, ele conseguiu, e agora nós estávamos à espera da sua próxima ligação. 

Eu e o agente Maik, conseguimos rastrear de onde as ligações estavam sendo feitas, parecia ser um local afastado da cidade onde estávamos, nosso trabalho foi confirmado quando o homem ligou pela terceira vez naquele dia. Já era tarde da noite quando o desgraçado ligou novamente passando as coordenadas para Hanna, de onde eles se encontrariam e o endereço batia exatamente com o que nós tínhamos conseguido rastrear. 

Marcela concordou com Hanna, que ela levaria o dinheiro que ele pediu. Ela não hesitou nem por um momento em disponibilizar aquela quantia em dinheiro, mesmo que isso significasse colocar a empresa no vermelho. Ela deixou claro para a polícia que faria tudo pela vida da filha delas, e eu achei aquilo muito lindo, e ainda mais lindo achei a atitude Renata, sua sócia, que em momento algum foi contra a decisão tomada pela a outra. Pelo contrário, ela sabia que era muito dinheiro envolvido, mas a vida daquela criança não parecia ter preço para nenhuma delas. Elas me demonstravam que o amor não um tinha valor estipulado. Percebi que amar é isso, agir sem pensar duas vezes quando se sente ameaçado em perder alguém importante.

Por um momento, eu até tentei visualizar como seria minha vida com uma família e amigos verdadeiros ao meu lado, e nesse momento busquei os olhos de Daniela, que tinha chegado ao apartamento para dar apoio às amigas. A mesma vinha me evitando desde o dia que nos beijamos… Era notório seu desconforto, e eu tentei não pensar muito a respeito disso, já que estava no meio de um caso sério a ser resolvido.

Tudo foi agilizado, O mandado de prisão, o planejamento da emboscada e o dinheiro que Hanna levaria para o encontro. Nada poderia sair errado dessa vez, afinal, ele tinha uma refém que não entendia nada do que estava acontecendo. e não poderíamos correr o risco dela sair machucada. Se eu estava com medo? Muito! Como jamais senti em qualquer outro trabalho, pois se tratava da filha de uma amiga querida, e eu me sentia responsável pelo sucesso dessa missão.

Resolvi me afastar um pouco de tudo, e tentar me recompor comigo mesma. Fui para meu quarto, mas não demorou para que eu fosse surpreendida ao ver a porta sendo aberta sem consentimento me causando um pequeno susto. 

– O que faz aqui? – Perguntei a mulher à minha frente.

– Desculpe, eu só queria... Bom, eu imagino que não esteja sendo fácil para você manter essa pose de durona, já que não é qualquer caso, é a filha de uma grande amiga sua. Eu queria ver se precisava de ajuda. 

Daniela sentou ao meu lado na cama sem pedir licença. Ela estava um pouco afastada de onde eu estava, mas sua presença já era o suficiente para me fazer um bem enorme. 

Eu odiava ser lida daquela forma. Ninguém nunca conseguia saber o que se passava dentro de mim, mas ela conseguia isso com uma facilidade tão grande que me assustava. 

– Eu não sei por que pensa assim. Eu não estou nervosa. – Tentei convencê-la de que estava errada.

– Babi, você não precisa mentir para mim. Eu consigo ver nos seus olhos o quanto isso está mexendo com você. 

Meu Deus, e aquele apelido fofo?! Ninguém nunca ousava agir de forma fofa comigo. Na verdade, há muito tempo que alguém não parecia se importar comigo e aquilo me pegou totalmente desprevenida. Fiquei olhando para a mulher ao meu lado e por um momento eu só queria ser cuidada por ela. 

– Desculpa se às vezes sou tão difícil, mas é que talvez eu não saiba agir diferente. – Falei me aproximando mais dela. – Você tem razão! Tudo isso tá me destruindo por dentro. Estou com medo que alguma coisa saia errada. Eu não consigo imaginar como isso arruinaria a vida da Marcela. Me sinto tão vulnerável.

– Ei, você não precisa ser mulher maravilha sempre, ok?  É normal sentir isso que você está sentindo, e você não precisa se sentir sozinha. Estamos todas juntas nisso. Eu estou aqui com você. – Ela me fez um carinho tão delicado no rosto que meu corpo reagiu a ela como mágica. 

– Fico agradecida, Daniela. Está sendo bom poder falar sobre isso antes da operação. Eu não posso ter minha atenção voltada para outra coisa que me desestabilize. Obrigada por me ajudar.

– Não precisa agradecer, Babi. É realmente bom poder estar ao seu lado nisso. – Sorri sem jeito e ela me questionou em seguida… – O que foi? Falei alguma besteira? 

– Você sempre fala besteira, mas dessa vez não é nada disso. Eu só estou rindo do apelido. Sabia que é a primeira vez que alguém me chama assim?

– Ótimo! Adoro exclusividade. Acho bom que você não permita mais ninguém te chamar assim.

Sorri ainda mais com a ousadia daquela mulher. Percebi que realmente eu vinha fazendo muito esforço para não me deixar levar por aquele jeito extrovertido dela ser. Era muito fácil se envolver com Daniela… Ela era linda, inteligente, alegre, prestativa. Apesar dela ser muito petulante e metida a engraçada também, eu não poderia negar que estar com ela me deixava mais leve. Isso era assustador, mas também era reconfortante. Era como se eu tivesse certeza que agora não era mais sozinha. 

 – Você realmente não existe, garota.

Ficamos ali conversando sobre coisas aleatórias por algum tempo. Pela primeira vez desde que cheguei conseguimos trocar ideias sem nos atacarmos, e ela conseguiu com seu jeito sapeca, me fazer relaxar. 

Nosso momento foi cortado por Marcela, me chamando na porta do quarto avisando que Susana estava à minha espera. Daniela revirou os olhos quando ouviu o nome da agente, me fazendo sorrir da implicância. 

Levantei da cama e me recompus para seguir em direção onde a outra me esperava, mas senti as mãos de Daniela me fazendo parar no meio do caminho.

– Precisamos ir, Daniela.

– Eu sei, eu só... – Seus olhos seguiram para meus lábios me causando calafrios. – Por favor, se cuida dessa vez. Não quero te ver em um hospital novamente. 

Aquela sensação de ser cuidada me invadiu o peito novamente, mas dessa vez não me incomodou. Eu não entendia bem o que se passava dentro de mim, estava tudo muito confuso, mas segui meus instintos sem pensar muito a respeito e segurei a cintura dela trazendo-a para mais perto do meu corpo.

– Pode ficar tranquila, ok? Eu vou me cuidar e nada vai acontecer. Eu prometo que volto. Não posso deixar uma certa insuportável por ai se achando. Alguém precisa colocar ordem por aqui, não acha?

Ela revirou os olhos me fazendo sorrir de canto. Nossas testas grudaram transformando o clima em algo totalmente e inesperadamente apaixonante. Aquilo era estranho demais, mas o perfume dela invadia meus sentidos me deixando totalmente entregue em seus braços. 

– Eu acho melhor a gente ir. – Falei com dificuldade olhando sua boca.

– É, eu também acho... – Sua voz saiu falha e rouca me fazendo arrepiar. 

Apesar da concordância de que precisávamos sair daquele quarto, nenhuma de nós duas se moveu para isso acontecer. Daniela fez um carinho em meu rosto e foi se aproximando cada vez mais até nossas bocas se encontraram, e sem relutância alguma, me entreguei àquele beijo. Dessa vez não era um beijo apressado, mas sim um beijo lento e com sentimentos timidamente expressados. Era como se nossas bocas estivessem se conhecendo pela primeira vez e tentassem se explorar com o máximo de delicadeza possível enquanto nossos corações queimavam. As mãos de Daniela sobre meu corpo não eram possessivas, eram carinhosas de uma forma desconhecida por mim. Não foi um beijo muito longo e nem muito rápido, foi um beijo na medida certa entre duas pessoas perdidas em seus próprios sentimentos. 

– Acho que precisamos conversar sobre isso tudo em algum momento. – Ela falou quando o beijo acabou.

– Aham! Eu também acho. – Foi a única coisa que consegui dizer enquanto ainda estava agarrada em seu pescoço.

– Quando você voltar conversaremos sobre isso, certo?

– Combinado! Quando eu voltar.

E assim saímos daquele quarto, totalmente perdidas e... Entregues?

Chegamos à sala juntas atraindo olhares curiosos de todas que estavam ali, e eu diria até que interrogativos. Daniela agiu naturalmente seguindo para o lado de Renata, que a encarava de forma debochada como se já soubesse tudo que tinha acontecido. Olhei para Marcela, que por sua vez me encarava, mas nada perguntou.

– Então, vamos? Temos uma garotinha para trazer de volta à família. – Falei para Suzana que acenou concordando.

Logo saímos em direção ao tudo ou nada.

Fim do capítulo

Notas finais:

Boa tarde, meninas. Devido ao jogo do Brasil, nessa segunda feira não teremos atualização de capítulo. Por isso estou adiantando hoje. 


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