Capitulo O lugar para aonde voltar
O café da manhã seguia em um silêncio delicado.
Não desconfortável. Mas cuidadoso.
Como se todos naquela mesa soubessem que Laura estava sustentando a si mesma por fios invisíveis.
Eleanor observou a irmã por alguns instantes antes de finalmente pousar a xícara sobre a mesa.
— Você vai voltar pro Rio comigo,
Laura ergueu os olhos lentamente.
Bruna e Ana trocaram um olhar discreto.
Aquela conversa chegaria cedo ou tarde.
— Leo…por favor
— Não ! Eu preciso de você no Rio de Janeiro, ao meu lado , ao lado das suas sobrinhas
A voz de Eleanor permaneceu calma, mas firme.
— Bruna é perfeitamente capaz de conduzir a administração das cafeterias em São Paulo junto com a Ana. Você mesma treinou as duas pra isso.
Bruna assentiu em silêncio.
— E você pode administrar as lojas do Rio mais de perto… além de me ajudar com as empresas, que também são suas minha irma.
Laura arqueou levemente a sobrancelha.
— ajudar ?Eu leo
Eleanor soltou uma risada curta, carregada de ironia.
— Sim , minha irma , voce e tao advogada quanto eu e tenho a ligeira impressao tao competente quanto eu ….
__ Você é bem mais intimidadora do que a Laura .
Bruna diz implicando com Eleanor
Isso arrancou um pequeno sorriso de Laura seguido por todas pela primeira vez naquela manhã.
— E outra , eu me separei do embuste e preciso de companhia
Até Ana riu discretamente.
Mas Eleanor voltou a encarar a irmã logo depois.
Mais séria agora.
— Laura… você não está bem aqui.
A frase caiu suave. Mas direta.
Laura desviou o olhar imediatamente.
— Eu tô tentando…
— Eu sei que está.
Eleanor respirou fundo.
— Mas você está tentando sobreviver. Não viver.
O silêncio tomou a cozinha.
Laura sentiu o nó na garganta apertar outra vez.
— Eu não sei se consigo voltar pro Rio…
Antes que Eleanor respondesse, Micaela se inclinou sobre a mesa.
— Vai sim.
Laura olhou para a sobrinha, surpresa.micaela tinha 15 anos
— Mi…
— A gente sente sua falta.
Letícia, quieta até então, levantou-se da cadeira e caminhou até a tia.
Sem dizer nada no início, apenas a abraçou.
Forte.
Demorado.
Laura fechou os olhos no mesmo instante.
— Eu sinto falta da madrinha Natália também… — a menina murmurou baixinho contra seu ombro. — Mas eu não quero que você morra tia
Aquilo atravessou Laura de forma brutal.
Porque pela primeira vez alguém falava de Natália sem medo. Sem silêncio desconfortável. Sem tentar apagar sua existência.
Letícia ergueu o rosto devagar.
Os olhos ja nublados de lagrimas.
— Fica perto da gente… por favor.
Laura sentiu algo dentro dela ceder lentamente.
Não a dor. Ela ainda estava ali.
Mas talvez… talvez existisse espaço para alguma outra coisa além dela.
Laura puxou Letícia para mais perto e beijou sua testa demoradamente enquanto Micaela abraçava as duas ao mesmo tempo.
Do outro lado da mesa, Eleanor observava em silêncio.
Sem pressionar.
Porque no fundo ela sabia: não era o Rio que estava trazendo Laura de volta.
Era o amor que ainda existia esperando por ela ali.
Fim do capítulo
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