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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 2939
Acessos: 409   |  Postado em: 08/07/2026

Capitulo 41

Por Marcela

Depois de praticamente um mês, finalmente Hanna iria receber alta. Como havia sido combinado no dia anterior, eu estava arrumando Gabriela para irmos juntas buscá-la, mas o que ela não sabia é que nossas famílias e amigos tinham preparado um almoço surpresa de boas-vindas para seu retorno. Gabriela estava toda feliz com a volta da mãe, e não parava de falar nem um minuto, o que acabava me fazendo sorrir da sua energia. 

Minha relação com Hanna estava caminhando tranquilamente nos últimos dias. Tudo o que aconteceu naquele dia, tornou-se um assunto quase que proibido, pois dentro de mim ainda existia uma parte que vez ou outra era tomada por recordações de tudo que aconteceu, tudo que ouvi, porém resolvi seguir adiante sem deixar que isso se tornasse um problema real e acabasse fazendo com que enfrentássemos uma instabilidade em nosso relacionamento.

Chegamos ao hospital e seguimos direto para o quarto de Hanna, que já devia estar pronta a nossa espera. Bati na porta enquanto segurava a mão da Gabi, e logo ouvimos a autorização para entrar.

– Mamãeeeeeee, que saudades de tu. – Gabriela ia correr em direção à Hanna, mas a contive.

– Ei mocinha, vai devagar. A mamãe ainda precisa de cuidados especiais, e nós duas vamos cuidar direitinho dela, certo?

– Certo, mãe! Eu vou ser cuidadosa. 

Olhei para Hanna que sorria com animação para nós duas, e abriu os braços para receber o abraço da filha, mas como ela não podia abaixar para abraçar a pequena, eu peguei Gabriela nos braços para ajudar naquela tarefa. Era quase um abraço coletivo.

– Huuum, que abraço mais gostoso, meu amor! A mamãe estava louca de saudades de você também. – Hanna falou olhando para a menor, mas logo voltou sua atenção para mim. – Na verdade, eu estava louca de saudades de vocês duas. Os amores da minha vida.

Uma das mãos da minha namorada alcançou minha nuca me puxando com delicadeza para próximo do seu rosto. Nossos lábios se encontraram delicadamente de maneira rápida e carinhosa. 

– Também estava com saudades de você. – Afirmei e sorri para ela fazendo um carinho em seu rosto.

– Com licença. – Uma voz masculina soou no ambiente fazendo com que nos afastássemos um pouco. – Acho que tem uma paciente muito ansiosa para ir embora hoje. 

– Ah, Dr. O senhor nem imagina o quanto. Eu já não aguentava mais ficar nesse lugar. 

Sorrimos do jeito afobado de Hanna, que literalmente tinha passado a última semana reclamando de tudo no hospital. 

– Sua alta já está assinada, Hanna. Você pode ir agora, mas deve seguir essas recomendações que estão receitadas para você, e também deve tomar corretamente os medicamentos que prescrevi. Está tudo anotado aqui.

Peguei as receitas das mãos do médico e garanti que ela seguiria tudo direitinho como deveria ser, além de assegurar que qualquer mudança negativa no seu quadro nós voltaríamos ao hospital sem demora.

Após nos despedimos do médico e das enfermeiras que cuidaram de Hanna com zelo e atenção, seguimos para a casa dos meus sogros. Hanna parecia feliz em poder ver a luz do dia novamente… Segundo ela, estava se sentindo liberta. Ao chegarmos à casa dos pais da minha namorada, abri a porta do carro para ajudá-la a descer sem fazer muito esforço, em seguida peguei Gabriela nos braços e senti a mão de Hanna segurar a minha, e assim seguimos as três, compartilhando a sensação de plena felicidade.

Quando chegamos à área de lazer da casa, Hanna quase não acredita no que seus olhos veem. Todas nossas amigas, amigos e familiares estavam presentes, inclusive meus pais. Havia balões espalhados pela varanda da casa, uma mesa com bastante comida e bebidas, e uma grande faixa de boas-vindas. Um pequeno alvoroço iniciou entre os presentes que disputavam para ver quem seria o primeiro que abraçaria Hanna. Gabriela já estava solta brincando pelo jardim com uma amiguinha, que pelo o que entendi, era sobrinha do marido da Renata. Não pude deixar de sentir meu coração aquecer ao ver que minha namorada estava feliz com a recepção surpresa. Definitivamente aquele sorriso em seus lábios me deixava em paz.

– Nossa! Que surpresa vocês estão me fazendo. Eu não imaginava que vocês estariam todos juntos me esperando.

– Seja bem vinda de volta, meu amor. – Meu sogro se aproximou da filha – Esse lugar não tem graça sem você.

– Minha filha, você não sabe como meu coração está feliz em te ter novamente entre nós.

Minha sogra abraçou a filha enquanto tentava conter as lágrimas. Aos poucos todos foram se aproximando e cumprimentando minha namorada que não continua a emoção. Eu apenas observava o quanto Hanna, era querida por todos a sua volta.

Ficamos todos conversando animadamente sobre coisas diversas. Nenhum de nós queríamos tocar no assunto doque havia acontecido. O ambiente estava agradável demais para que deixássemos algo sem importância nos entristecer. 

Eu estava conversando com Bárbara quando senti Hanna se aproximando. Sem qualquer constrangimento, ela sentou em meu colo enquanto seus braços enlaçaram meu pescoço. 

– Tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Será que não entendeu ainda que um segundo longe de você, me faz sentir saudades? – Ela falou manhosa fazendo Bárbara sorrir, e eu praticamente babar igual uma tola apaixonada.

– Vocês duas são muito lindas juntas. Eu fico muito feliz com a reconciliação de vocês. Eu não aguentava mais ver Marcela chorar por você, Hanna. 

Hanna sorriu da provocação da minha amiga enquanto como uma resposta infantil eu mostrava a língua para a portuguesa.

– Chorava, é? Mas eu bem que sei que ela pegou geral em Portugal.

– Digamos que ela usava as cartas que tinha para tentar te esquecer, mas do que adiantou, não é mesmo? Veja só para onde ela voltou. Relaxa que esse coração ai sempre foi teu. – Bárbara respondeu com convicção.

Hanna me olhou com os olhos brilhando, e um sorriso lindo nos lábios. 

– Adoro saber desses detalhes confidenciais. – Seus lábios tocaram os meus em um selinho demorado que foi interrompido pela chegada de alguém.

– Será que posso participar dessa reuniãozinha? – Daniela sentou quase atrás do corpo de Bárbara, o que não passou despercebido por mim e Hanna. 

– Huuuum! Só falta abraçar para ficar uma cena linda e romântica. 

Hanna debochou e Bárbara ficou vermelha. Daniela, que já estava com o efeito do álcool na cabeça e misturando com sua cara de pau, sempre rendia cenas marcantes.

– Não seja por isso, abraçar a Bárbara é um dos meus melhores vícios.

Vimos a baixinha passar os dois braços em volta da cintura de Bárbara, que agora ficou ainda mais vermelha, mas não saiu do abraço. Confesso que jamais pensei ver Daniela fazer algo parecido em público. Meu queixo quase caiu diante daquela cena, mas não poderia negar que elas fazem um casal lindo. 

– Então é real e oficial o casal? – Minha namorada perguntou. 

– Nós não rotulamos nada, mas estamos vendo no que dar. – Daniela deu um beijo no rosto de Bárbara, que mesmo envergonhada, sorriu e fez um carinho sútil em seu braço. 

– Gente, eu estou chocado igual galinha. – Olhei para o lado e vi Robson se aproximando com Micaela, Renata e Guilherme. – Quando Micaela me mostrou, eu não acreditei. Precisei chegar mais parto para ver se meus olhos não estavam me enganando. Daniela Gaspar, está apaixonada? 

– Bem que eu desconfiava que aquela marra toda iria acabar cedo ou tarde. – Guilherme entrou na brincadeira de Robson, fazendo eu e minhas amigas gargalharmos.

– Meu Deus, sua reputação é pior do que eu imaginava. – Bárbara falou olhando para Daniela, que deu de ombros. – Ela era tão galinha assim? – Dessa vez ela perguntou aleatoriamente nos fazendo explodir em uma gargalhada ainda maior. 

– A Daniela?  Melhor a gente nem te contar, se não nós dois vamos dormir no sofá, e você desencanta dela antes de aceitar um pedido de namoro. – Robson falou debochado, mas Micaela pareceu não ficar nada feliz com aquela afirmação do marido, e logo o repreendeu.

– Nós não estamos namorando, seus manés. Nós só estamos deixando rolar. – Daniela parecia indiferente, mas era notório o quanto ela estava com vergonha por estar sendo motivo de zombaria.

– Ah, claro! Quase nem dá para perceber que você está de quatro pela portuga ai. – Foi a vez de Guilherme debochar, e Daniela revirar os olhos. 

A provocação continuou durante muito tempo, e só piorou quando nossas famílias entraram na roda. O único problema é que dessa vez não era somente a Daniela que sofria com zoação, mas todas nós também acabamos sofrendo um pouco, já que nossos pais acharam ser uma ótima ideia jogar nossos podres sentimentais aos ventos.

 Hanna ainda estava sentada em meu colo sem demonstrar nenhuma preocupação ou constrangimento, e eu confesso que adorava aquela sensação de liberdade. Aquilo era tudo o que não tivemos no passado. Tê-la tão entregue só me fazia ter ainda mais certeza que se dependesse de mim nunca mais ela sairia do meu lado. 

Senti um carinho gostoso da mão da minha namorada em minha nuca enquanto ela sussurrou em meu ouvido.

– Amor, vamos para casa. Estou louca para ficar sozinha com você. 

Olhei para ela que parecia ainda mais linda que antes… Seus olhos verdes brilhavam como esmeraldas e sua boca me convidava para beijá-la a todo instante. 

– Vamos sim, meu amor. Ter você na nossa cama novamente vai ser a melhor coisa dos últimos dias. 

 

Por Hanna

Já era noite quando sai da casa dos meus pais acompanhada por Marcela e minha filha. Eu tinha adorado passar aquela tarde com as pessoas que eram mais importavam para mim, e o melhor de tudo foi não termos em pauta assuntos que trouxessem o passado de volta. 

Gabriela estava tendo um acompanhamento psicológico, e pelo o que Marcela e Micaela me passaram, minha filha estava bem melhor nos últimos dias. Ela já não tinha tantos pesadelos e nem falava no “homem mal”, e assim como ela, eu também quero esquecer tudo o que tinha acontecido. Eu sei que é difícil e que no fundo sempre existirá essa lembrança ruim, mas quanto menos falamos no assunto, mais segura e feliz me sinto. Para ser bem sincera, a única coisa que falta para que essa história seja guardada em um baú e jogada a chave fora, é eu conseguir ter uma última conversa com Marcela sobre as coisas que falei. Eu sabia que ela queria evitar, mas meu interior precisava disso para ter paz.

– Amor, para onde vamos? – Perguntei para Marcela que dirigia tranquilamente.

– Você não pode ficar sozinha. Ainda precisa de ajuda, principalmente com a Gabi, então pensei que você poderia ficar no meu apartamento. Esses dias Gabriela ficou comigo por lá. Já está bem familiarizada e a vontade com o ambiente. Micaela me ajudou a levar algumas coisas de vocês duas para lá, e até fizemos compras para te receber, mas também podemos fazer como você preferir. 

– No seu apartamento está ótimo. – Garanti ao perceber sua insegurança repentina.

Alcancei a nuca de Marcela e fiz um carinho delicado, recebendo um sorriso lindo em troca. Quanto mais eu convivia com Marcela, mais ainda eu amava essa mulher.

– Seja bem-vinda de volta!

Marcela falou quando entramos no apartamento e paramos no meio da sala onde fui tomada por aquela sensação de finalmente estar de volta a minha rotina, o que encheu meu coração de alegria. Me surpreendi quando senti os braços de Marcela, em volta da minha cintura e seus lábios beijarem meus ombros com carinho. 

– É realmente muito bom estar de volta.  – Respondi.

– Vou dar um banho na Gabriela, e colocá-la para dormir. Por que você não vai para o quarto, e deita para me esperar para tomarmos um banho juntas? – Sua voz delicada me causava aquelas sensações já tão conhecidas por mim. 

– Proposta tentadora. Eu acho que vou aceitar.

– Mamãe, quero banho. – Gabriela voltou para sala chamando atenção de Marcela, me fazendo sorrir.

– Vamos lá, mocinha. Se despeça da sua mãe, porque depois do banho, já sabe né? 

– Cama! – Minha filha respondeu de forma obediente. – Boa noite, mamãe. Eu te amo!

– Boa noite, minha princesa. A mamãe também te ama! 

Não demorou muito para Marcela chegar ao quarto e seguir em direção à cama onde eu estava deitada. Ela sentou ao meu lado me fazendo um carinho no rosto, o que sempre me fazia sorrir em resposta.

– Não foi difícil ela dormir. Estava cansada demais para lutar contra o sono.

– Agora vai acordar só amanhã com uma energia de dar inveja. – Eu disse.

– Por que não tirou essa roupa e vestiu algo mais confortável? 

– Porque estava te esperando para tomarmos um banho. Essa foi sua proposta. 

– Tem razão! Me deixa te ajudar com isso. 

Sentei na cama para que Marcela me ajudasse a tirar minha blusa. Vi seus olhos descer para meu sutiã e pude vê-la morder os lábios como se controlasse seus pensamentos com aquele gesto. Marcela retirou a peça e ficou em pé me estendendo a mão para me levar ao banheiro, mas antes que seguíssemos, eu segurei seus pulsos e juntei nossos corpos. 

– Estou com saudades do seu corpo. – Dei um beijo no pescoço de Marcela e passei as unhas pelo seu corpo percebendo o quanto aquele gesto havia arrepiado minha namorada.

– Nem pense nisso. Você não pode fazer esforço. 

– Aposto que você quer isso tanto quanto eu. – Sussurrei provocativa 

– Hanna, isso não se faz, sabia? Claro que te quero, mas estou tentando ser coerente com a situação, então seja uma boa namorada e me ajude a te ajudar. 

– Aff! Tá bom, tá bom. Mas quando eu te pegar vou querer os atrasados com juros e correções. 

Marcela sorriu e aproximou seus lábios dos meus.

– Será um enorme prazer!

Depois do banho voltamos para o quarto e Marcela cuidadosamente me colocou na cama deitando ao meu lado logo em seguida. 

– Estou tão feliz por te ter de volta nessa cama. – Ela me fazia um carinho no rosto enquanto falava.

– Eu também estou muito feliz. Obrigada por todo cuidado esses dias, e por ter cuidado da nossa filha tão bem. 

– Você nem precisa agradecer. Eu vou sempre estar aqui para vocês duas. Eu amo a Gabriela como se tivesse visto ela nascer, e desde então ter estado ao lado de vocês.

– Eu não tenho dúvidas disso, Marcela. Posso ver e sentir o amor que tem por ela. 

Ficamos em silêncio nos olhando por um breve momento. Era como se nossos olhos pudessem ser mais transparentes do que qualquer palavra.

– Marcela, você sabe que quanto antes a gente falar sobre isso, mais rápido tudo será enterrado de vez. Por favor, eu preciso explicar. – Ela suspirou cansada

– Tudo bem! Pode falar o que quiser. Eu vou ouvir sem interromper. 

De certa forma não era fácil voltar às lembranças daquele dia. Era algo que doía tanto nela quanto em mim, e por mais que eu buscasse palavras certas nenhuma diminuiria a dor que foi causada.

– Eu sei que nada do que eu fale agora vai diminuir a dor do impacto que aquelas palavras causaram em você. Eu queria ter tido outra escolha, e acredite que cada uma delas doeu em mim com a mesma intensidade que em você, mas quando vi aquela arma apontada na cabeça da Gabriela, meu coração me mandou buscar me agarrar em todas as chances para que ele não atirasse. Eu tentei não falar sobre a paternidade, mas ele estava obcecado achando que de alguma forma iria conseguir ferir você também. Eu sei que você ouviu, e eu sei que se você estivesse ali no meu lugar teria feito a mesma coisa. Eu falei tudo aquilo para proteger a vida dela, mas você sabe que eu não sinto nada daquilo que falei, eu não penso daquela forma… você sabe que eu não poderia ter encontrado mulher melhor para dividir o título de mãe da Gabriela comigo. Por favor, não deixe que isso afaste nós três. 

Minhas mãos tocaram o rosto de Marcela buscando qualquer indício de calmaria e não poderia ter sido melhor quando seus olhos castanhos conectaram-se com os meus.

– Tudo o que aconteceu foi muito doloroso para nós duas. No começo a dor no meu coração era grande, porque não era fácil ouvir repetidas vezes aquelas coisas na minha mente, mas com o passar dos dias, eu percebi que só tinha que agradecer a Deus, e a você, por ter agido da forma necessária para que o destino não tirasse da gente nosso bem mais precioso. A Gabriela é sim minha filha, e junto com você se tornou meu bem maior. Nem que eu quisesse poderia me afastar das razões da minha vida. Você e a Gabriela são parte de mim, e não perderia minha família por nada. Hoje só quero esquecer tudo e ser feliz ao lado de vocês.

 

Marcela buscou meus lábios em um beijo calmo e apaixonado, talvez ainda mais apaixonado do que antes. Era como se nosso amor aumentasse todos os dias e as sensações que um simples beijo provoca fosse todo dia diferente do dia anterior. Nos beijamos sem pressa  e quando finalmente o beijo acabou Marcela me envolveu em seus braços me deixando com a certeza da força do amor que nos envolvia. 

Fim do capítulo


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