Capitulo 43
Por Marcela
Estávamos no meio do almoço, a animação tomava conta de todos que curtiam aquela atmosfera familiar transbordando em meu apartamento. Olhei para Daniela que parecia ser a única distante, o que me levou a crer que qualquer que fosse o plano de Hanna, parecia não ter dado muito certo.
Olhei a minha volta e percebi que não existiria um momento melhor para o que eu estava planejando, respirei fundo e resolvi deixar o nervosismo de lado.
– Gostaria de um minuto da atenção de todo vocês. – Falei um pouco mais alto atraindo a atenção de todos em volta da mesa.
– Pelo amor de Deus, Marcela. Não vai nos dizer que você engravidou minha filha. – Meu sogro disse com divertimento, me deixando vermelha enquanto todos sorriam da piada.
– Eu vou ter um irmãozinho agora? – Gabriela falou quase que desesperada, e a gargalhada foi ainda maior.
– Não, meu amor. Ainda não! Mas quem sabe logo, logo. – Dei um beijo no rostinho angelical da minha filha que pareceu ficar esperançosa.
– Hanna, meu amor. Vem cá! – Estendi a mão para Hanna fazendo-a se levantar e ficar de frente para mim. – Queria aproveitar que estamos na presença das pessoas mais importantes das nossas vidas, e gostaria de te dizer algumas palavras. – Fiz um carinho em seu rosto fazendo-a sorrir levemente. – Já vivemos tantas coisas juntas e separadas. Fomos do céu ao inferno várias vezes, mas sempre seguramos as mãos uma da outra e voltamos para dar continuidade de onde paramos. – Aquelas palavras estavam causando emoção em todos os presentes. – Mas diante dos últimos acontecimentos eu percebi que eu quero viver ainda mais coisas com você e com a Gabi, independente se forem boas ou ruins, mas que estejamos juntas. Eu quero aproveitar cada momento como se fosse o último. Quero você e a Gabi ontem, hoje e todos os dias da minha vida. Quero ser o seu sorriso no meio da tristeza, sua coragem durante o medo, seu caminho quando tiver dúvidas… quero ter você e a nossa filha cada minuto de uma hora, de um dia… Eu quero ter vocês ao meu lado sem que seja preciso nos despedirmos no fim da noite. Talvez eu não seja boa com palavras e não consiga expressar tudo o que sinto e desejo viver ao seu lado, mas espero que saiba o quanto você significa na minha vida. Por isso quero saber se ... – Tirei uma caixinha de veludo vermelha do bolso e abri diante dos olhos emocionados de Hanna deixando surgir um par de anéis em ouro com uma pedra delicada em cima. – Você quer casar comigo?
A emoção tomou conta de Hanna, que cobria a boca com as mãos como se não acreditasse no que seus olhos estavam vendo. Ouvi gritos e assobios que certamente eram de Guilherme e Robson. Gabriela ficou em pé em cima da cadeira, agitada como se pudesse entender o que estava acontecendo. Nossos pais se abraçavam animados, e até mesmo Daniela, que até então parecia chateada, agora estava em pé fazendo uma dancinha muito estranha em comemoração.
Meu coração parecia uma escola de samba esperando a resposta de Hanna, que estava demorando demais e me deixando nervosa.
– Você está falando sério? – Hanna me perguntou com lágrimas nos olhos.
– Nunca falei tão sério na minha vida, meu amor. – Sorri diante daquela convicção.
– É lógico que eu aceito, meu amor!
A sensação de alivio diante da aceitação de Hanna, fez com que lágrimas de emoção e felicidade tomassem conta do meu rosto. Tirei um dos anéis de noivado da caixinha e com delicadeza deslizei no dedo de Hanna, tomando o lugar da nossa antiga aliança de compromisso. Vi Hanna fazer o mesmo com o segundo anel e um sorriso brotou em meus lábios.
– Prometo te fazer muito feliz todos os dias de nossas vidas.
Hanna beijou minha mão e sorriu lindamente enquanto aplausos soavam pelo ambiente deixando tudo ainda mais alegre.
Por Bárbara
Os ponteiros do relógio marcavam 01h40min da madrugada quando eu estava chegando ao aeroporto para fazer o meu check-in, deixando para trás tudo que vivi no último mês. Marcela protestou para me acompanhar ao aeroporto, mas eu não permiti. Primeiro porque odiava lidar com despedidas, ainda mais naquela circunstância onde estava partindo sentindo que metade do meu coração estava ficando no Brasil. Segundo que Marcela tinha feito o pedido de casamento pra Hanna, então imaginava que as duas precisavam de um momento a sós para comemorar.
No entanto, Marcela me fez prometer que voltaria ao país para a cerimônia de casamento que, segundo ela, iria acontecer o mais rápido possível. Marcela também me fez prometer que repensaria minha decisão, garantindo que as portas estariam abertas para caso eu aceitasse trabalhar com ela, mas aquela hipótese estava completamente descartada, afinal de contas, ficar no Brasil significava viver uma instabilidade continua com Daniela, e parte de mim queria mais que isso. Mas eu conhecia os medos daquela baixinha irritante, eu sabia que jamais ela iria querer viver algo sério, e eu não poderia me permitir sofrer novamente. Se deixar ela agora já estava partindo meu coração, o que aconteceria se jamais a tivesse somente para mim? Sofrer agora evitaria um sofrimento ainda maior quando o sentimento estivesse totalmente enraizado no coração.
Como faltavam cerca de duas horas para meu embarque, decidi deixar para fazer o check-in mais próximo da hora, e resolvi ir tomar um café. Meu pensamento estava a todo momento voltado para Daniela, e achei incrível quando percebi que tudo que vivemos nesse último mês foi o suficiente para me fazer desejá-la para o resto da vida. Eu não entendia como ela tinha conseguido transformar toda minha estabilidade emocional em uma verdadeira bagunça, mas principalmente como se tornou alguém tão importante para meu coração em tão pouco tempo. Era como se a paixão já tivesse transformado-se em amor. Espera ai... será que eu já amava aquela mulher? Sorri sem emoção quando me peguei pensando que talvez se Daniela tivesse dado um único sinal que estaria disposta a termos algo sério, a enfrentarmos nossos medos juntas, certamente eu não pensaria duas vezes e ficaria no Brasil. E essa certeza já me respondia a pergunta anterior, eu amava aquela mulher e essa constatação fazia meu coração doer ainda mais.
Tomei meu café e me distrai com um livro tentando não deixar a tristeza tomar conta de mim. Poderia até demorar alguns dias, mas a Bárbara de sempre voltaria a reinar no meu interior, e eu não me permitiria ficar abalada por essa aventura que vivi no Brasil. Quando eu retornasse para o casamento de Marcela, finalmente eu estaria curada daquele vicio chamado Daniela Gaspar.
Algum tempo depois olhei para o painel de voos e percebi que a hora do meu voo estava mais próximo. Respirei fundo e organizei minhas coisas indo em direção ao balcão de check-in.
– Por um breve momento eu cogitei a ideia que você não seria capaz de fazer isso, mas logo lembrei do quanto você é idiota o suficiente para fazer coisas sem explicação.
Ouvi aquela voz doce e ao mesmo tempo firme, e pensei que estava delirando. Me recusei a olhar para trás e ter certeza que nada mais era do que uma alucinação de mulher apaixonada esperando a mocinha chegar para finalmente o casal viver um final feliz, igual nos filmes de romance. Então, sem olhar para trás voltei a caminhar, mas dessa vez uma mão fria alcançou meu braço me impedindo de seguir com os passos que me levariam ao balcão. O cheiro de Daniela invadiu meus sentidos quando seu corpo colou no meu por trás, e sua mão, que outra hora estava no meu braço, agarrou-se na minha cintura com determinação que me causava calafrios.
– Acho que posso desconsiderar a chateação por você ter cogitado ir embora sem se despedir de mim, se caso você aceitar conversar comigo por alguns minutos.
Daniela sussurrou no meu ouvido e finalmente sai do transe que estava e me virei nervosa ficando de frente pra ela. Era real, Daniela estava na minha frente com cabelos bagunçados, de chinelos, moletom e uma calça larga. Não pude deixar de lembrar do primeiro dia em que nos encontramos no aeroporto e ela estava igual a agora.
– Daniela! O que você está fazendo aqui? – Perguntei um tanto espantada a olhando como se estivesse diante de uma miragem. – E por qual diabos de motivo você só vem ao aeroporto com esse estilo... Casual, digamos assim?
– Porque uma portuguesa idiota adora me dar trabalho e me tirar do aconchego da minha cama em plena madrugada. – Daniela grudou novamente no meu corpo colando sua testa na minha sem tirar os olhos da minha boca. – Será que podemos conversar?
– Por favor, Dani. Não torna isso mais difícil do que já está sendo. Eu preciso fazer o check-in e despachar as malas. Eu não quero correr o risco de perder o avião. – Precisei ser forte para não grudar naqueles lábios convidativos.
– Babi, olha só o seu tamanho e o meu… por favor, não me faça passar vergonha tentando te colocar no colo e te sequestrar daqui, porque claramente seria uma tentativa frustrada.
Acabei sorrindo diante das palavras de Daniela. Seria realmente cômico ver tal cena, e como ela era louca o suficiente para fazer isso, preferi não arriscar. Decidi aceitar ceder aquela conversa que ela estava me pedindo.
– Você é impossível! Tudo bem, mas você tem apenas quinze minutinhos.
– Será o suficiente. – O sorriso que surgiu nos lábios de Daniela foi o mais lindo que já vi.
Sem pedir autorização, Daniela segurou uma das minhas mãos enlaçando seus dedos nos meus. Fomos juntas sentar em um lugar mais afastado onde não tinha praticamente ninguém. Aquele gesto me pegou desprevenida, mas senti uma corrente elétrica passando por meu corpo.
– Então, vai me dizer o que está fazendo agora? Aliás, como soube que eu estaria aqui?
– Hanna me contou durante o almoço, mas eu me recusei a acreditar que você seria mesmo capaz de ir embora sem se despedir de mim.
– Desculpa, Daniela. Eu juro que não queria te magoar, e eu pretendia mandar mensagem quando chegasse lá, mas sou péssima com despedidas. Nem a própria Marcela deixei que viesse me acompanhar para não ter que me despedir.
– Apesar de ser uma atitude idiota, eu não te culpo. Deve ser difícil fugir do que sente sem correr o risco de voltar atrás. – Daniela jogou aquelas palavras assim sem ao menos gaguejar. Seus olhos não desviaram dos meus o que me fez encolher na cadeira.
– Eu não estou fugindo. Só é realmente difícil lidar com despedidas. – Tentei me defender do seu olhar avaliativo.
– Principalmente de quem você ama, certo?
Ok, eu definitivamente não estava preparada para aquela Daniela tão decidida e ao mesmo tempo verdadeira.
– O quê? Por Deus, Daniela. Como pode ter tanta certeza do que está falando? Eu sei que esses dias nos deixamos levar pelo momento, mas isso não quer dizer que... – Fui interrompida antes de conseguir continuar mentindo.
– Porque eu também sinto o mesmo.
Aquelas palavras atingiram em cheio meu coração, me fazendo ficar sem reação durante minutos. Meus olhos piscavam sem parar como se aquilo magicamente fosse me fizer compreender tudo o que estava acontecendo ali.
– Daniela, eu não estou entendendo o que você está querendo dizer.
– Eu acho que você está entendendo perfeitamente, mas não se preocupe vou te mostrar o que quero dizer.
Sem desviar seu olhar do meu, Daniela se aproximou de mim e suas mãos alcançaram meu rosto de forma delicada, porém possessiva. Daniela grudou seus lábios nos meus em um beijo apaixonado e intenso. Senti seus dedos por dentro do meu cabelo e a outra mão me puxou pela cintura me colocando ainda mais junto do seu corpo. Um frio na espinha me atingiu em cheio com aquele contato e quando Daniela ch*pou minha língua com maestria o mudo parecia ter parado em nossa volta. Me agarrei ainda mais ao corpo da baixinha como se dependesse daquilo para viver.
Quando o beijo encerrou por falta de ar, Daniela não desviava os olhos dos meus, e minha pele arrepiou quando ela segurou minhas mãos.
– Bárbara, eu sei que somos complicadas e cheia de fantasmas. Sei também que não queríamos nos entregar a sentimentos, e até imagino que não cogitávamos a hipótese de tudo isso acontecer com nós duas, mas simplesmente aconteceu, ok? Você chegou, nos conhecemos, brigamos, gritamos, xingamos e nos amamos. – Prendi a respiração com aquelas palavras que atingiam em cheio meu coração. – Assim como eu, você também se sente insegura e talvez esperasse por uma ação minha que não veio, e isso acabou te deixando ainda mais insegura, mas nunca é tarde para consertarmos um erro. Quando Hanna me contou o que você estava prestes a fazer, eu disse a ela que não iria intervir na sua decisão, mas meu coração ficou em pedaços imaginando você longe de mim. – Daniela pousou o polegar fazendo um carinho em meus lábios me causando arrepios. – Você chegou bagunçando todas as minhas estruturas e entrando no meu coração sem ao menos pedir licença, quando percebi eu já não era única, mais dois “eus” viviam dentro do meu coração. Percebi que eu já estava sofrendo com a ideia de não poder te ver, tocar, beijar. Percebi que o sofrimento por levar um fora, não seria pior do que o sofrimento de não tentar fazer a mulher da minha vida mudar a ideia estúpida de me deixar aqui. Eu sai da cama assim, do jeito que estou, e dirigi até aqui simplesmente para dizer que te quero. Eu te quero como nunca quis outra pessoa, te quero para chamar de minha namorada, te quero para termos um compromisso sério e não como algo passageiro. Eu não te quero como uma lembrança, mas sim como minha realidade. Quero você para ser a única não apenas na minha cama, mas na minha vida, porque do meu coração você já é dona. Você pode por favor, aceitar ser minha namorada?
Eu estava atônita em ouvir tudo aquilo e percebi que aquelas palavras foram as que mais desejei ouvir durante os últimos dias, e que definitivamente fugir não era uma opção porque meu coração já estava preso ao dela há muito tempo.
Meu coração batia descompensado e tentei organizar os pensamentos. Parecia um sonho ter Daniela ali na minha frente falando e agindo como uma verdadeira apaixonada capaz de me deixar derretida e entregue. Sempre fui uma mulher bastante decidida e capaz de formular todas as minhas ações em questão de segundos, mas com Daniela era sempre tudo muito diferente… com ela eu não sabia agir com razão, e o coração parecia ser sempre quem tomava as decisões. Eu poderia estar confusa em muitas coisas, mas se tinha uma coisa que eu já tinha me convencido era do quanto eu a queria somente para mim. Naquele momento, eu pouco me importava com as pessoas que estavam ali em volta. Eu apenas queria sentir novamente seus lábios juntos aos meus. Sentei em seu colo onde tomei os lábios de Daniela em um beijo intenso que embora não tenha durado muito tempo, ainda assim foi tempo suficiente para me fazer sentir meu corpo responder a sua existência.
– Por que demorou tanto tempo para falar tudo isso? Você ainda vai me deixar louca mulher. – Disse e sorri entre seus lábios.
– Porque eu estava ocupada demais pensando em formas para não te deixar sair da minha cama. – Ela falou debochada me fazendo lhe dar tapas por todos os lugares.
– Você é uma descarada, galinha e cafajeste.
Pouco afetada com os xingamentos, ela sorria escandalosamente atraindo atenção de todos à nossa volta.
– Ai, é brincadeira. Eu juro! – Ela conseguiu segurar meus braços. – Não disse antes porque fui estúpida demais para demorar a aceitar que eu te amo.
Mesmo sem permissão, meus olhos lagrimejaram imediatamente diante daquela declaração.
– Dani, você não está precipitada e tomada pela situação do momento? – Perguntei tentando ser sensata e não me iludir.
– Claro que não, Bárbara! Eu jamais me enganaria com algo assim. Sinto que te amei desde o primeiro momento que te vi. – Ela me fez um carinho no rosto me deixando boba com aquela sua nova versão. – Mas você ainda não me respondeu… você aceita namorar comigo? – Vi nos olhos de Daniela toda sinceridade e amor que sempre desejei.
– Sim, sim, sim, sim, sim... – Distribuía beijos por todo seu rosto enquanto meu coração parecia estar em festa.
– Isso é maravilhoso porque eu já estava tentando visualizar um plano para te sequestrar caso a resposta fosse não. – Revirei os olhos para minha então namorada que sorriu lindamente. – Sabe, acho que agora já podemos ir embora e terminar essa conversa embaixo das cobertas da minha cama, o que acha?
A pergunta com duplo sentindo na voz da minha namorada fez com que meu corpo aquecesse, e sim, eu jamais cogitaria a ideia de entrar naquele avião depois desse pedido. Senti que eu não precisava pensar em mais nada que não fosse estar nua na cama de Daniela, nos amando loucamente como se não houvesse amanhã. Deixar o Brasil agora não era mais uma realidade, pois de alguma forma eu senti que meu destino estava aqui nos braços daquela baixinha idiota.
Por Hanna
Meses Depois
As festas de Natal e Ano novo estavam chegando, e com elas estava chegando também meu casamento com Marcela. Minha noiva conseguiu me convencer, durante uma madrugada que estávamos fazendo amor, que aquela seria a época ideal para nosso casamento. Ela me pegou em um momento completamente fragilizada e entregue a ela, e depois foi impossível convencê-la a voltar atrás da ideia.
O problema não estava exclusivamente no dia do casamento que seria dia 30 de dezembro, mas sim no absurdo que eu só poderia saber onde o casamento iria ocorrer depois que chegasse ao local. Achei um absurdo tudo aquilo. Como eu não podia saber o local do meu próprio casamento? Mas Marcela tem o dom de me convencer de qualquer coisa. Assim, a única coisa que eu sabia sobre o local, é que seria em uma praia, e ela só me contou isso porque disse que queria que toda a decoração do casamento fosse escolhida por mim.
Gabriela já estava de férias e por incrível que pareça minha filha estava toda cheia de segredinhos com a mãe dela. Bela dupla eu fui arrumar. Minha mãe e minha sogra estavam ainda mais animadas do que eu. Juntas elas estavam me ajudando a escolher tudo para deixar nosso casamento o mais lindo e inesquecível possível. Tanto eu quanto Marcela, teríamos duas madrinhas e um padrinho: Renata, Bárbara e Robson seriam os de Marcela. Daniela, Micaela e Guilherme seriam os meus. Aliás, fiquei muito feliz quando Daniela resolveu seguir meu conselho e criou coragem para correr atrás da felicidade dela, fazendo Bárbara resolver ficar no Brasil. À portuguesa agora tomava conta da segurança da empresa junto com Fabrício, que graças a Deus, recuperou-se do tiro que Jefferson deu pouco antes de sequestrar minha filha. Marcela era totalmente grata ao homem por tentar defender nossa filha a ponto de arriscar sua própria vida, e agora ele era mais que um homem de confiança da nossa família… Ele havia se tornado um grande amigo.
– Será que eu posso entender o por quê no meu casamento eu tive despedida de solteira e no de vocês duas não vamos ter? – Renata perguntou indignada para mim e Marcela, enquanto cuidávamos do convite do nosso casamento.
– Simples! Porque a galinha da Daniela, agora foi fisgada e virou uma mulher direita. Aliás, ela virou mesmo foi manobrada pela mulher. – Marcela respondeu debochada nos fazendo rir.
– Ei, me respeita. Eu não sou manobrada, eu apenas gosto de ver minha namorada feliz, e por isso faço as vontades dela.
Daniela tentou se defender, mas a verdade é que todas nós sabíamos o quanto ela tinha medo somente do olhar de Bárbara.
– Aham! Nós sabemos disso Dani, não se preocupe. – Micaela gargalhava. – Você quase não tem medo da portuga ai.
– Vocês querem deixar minha namorada em paz? Vem cá amorzinho, eu te defendo.
– VEM CÁ AMORZINHO, EU TE DEFENDO. – Marcela, eu, Micaela e Renata repetimos com voz debochada o que Bárbara falou, e a portuguesa revirou os olhos beijando a boca de Daniela logo em seguida.
– Se eu fosse vocês, tinha até vergonha de zombarem de nós. Vocês não são tão diferentes de mim. Marcela é completamente trouxa por Hanna, Micaela é um caso perdido com Robson, e você Renata... Bom, talvez o Guilherme que seja o trouxa da relação. – Daniela debochou e as três reviraram os olhos para ela.
A verdade é que todas nós éramos completamente envolvidas e entregues ao amor que sentíamos por nossas namoradas e maridos.
A conversa estava animada quando Gabriela entrou na sala toda saltitante.
– Mamãe Marcela, eu já tô pronta. Vamos agora levar ela? – Gabriela se jogou no colo de Marcela, que sorriu distribuindo beijos pelo pescoço da nosso filha.
– Você acha que ela merece saber agora? – Marcela perguntou para a menor.
– Sim, mamãe. Eu quero muito levar ela lá. Vamos, por favor!
– Será que posso saber do que vocês estão falando? – Ergui uma sobrancelha e Gabriela soltou uma risada linda.
– É surpresa, mamãe. Mas vamo te levar lá para descobrir.
– Tá certo, princesinha. Vamos logo antes que você acabe contando nosso segredo. O que acha de vendar sua mamãe para ela só saber do que se trata quando chegarmos lá?
A criança concordou com a cabeça e um sorriso se formou nos lábios me deixando indignada com aquele complô.
– Vamos lá, minha paixão. Você não confia na sua noiva e na sua filha?
– VAMOS LÁ, MINHA PAIXÃO! – As outras repetiram debochadas e Marcela revirou os olhos fazendo as outras sorrirem.
– Tudo bem, vamos lá ver o que vocês duas aprontaram.
– NÓS VAMOS TAMBÉM! – Ouvimos as quatro malucas gritarem ao mesmo instante e acabei sorrindo percebendo o quanto existia uma sincronia entre todas nós.
Marcela me deixou ficar sem venda nos olhos enquanto estávamos no carro, porém quando chegamos a um certo ponto ela pediu para Bárbara vendar meus olhos.
– Então amor, você tem certeza que não está vendo nada? – Ela perguntou segurando minha mão e me ajudando a descer do carro.
– Claro que não, Marcela!
– É Marcela, se ela estivesse vendo alguma coisa já teria te batido por tá olhando para aquela loira gostosa ali na frente. – Daniela falou e bufei de raiva tentando tirar a venda dos olhos, mas sendo impedida por Marcela.
– Não se preocupa com a trouxa da minha namorada. Não tem ninguém aqui Hanna. – Bárbara falou e Daniela gargalhou.
– Bora mamãe, bora levar ela.
Senti a mãozinha pequena da minha filha segurar minha mão e Marcela me guiar enquanto ouvi passos das outras atrás de nós.
– Pronto, pode tirar a venda dela, Bárbara.
Meu queixo caiu quando olhei ao redor e meus olhos contemplaram o jardim da bela casa.
– E então, o que achou? – Marcela me perguntou com expectativa enquanto meus olhos passeavam pelo local.
– É incrível, meu amor! Mas, isso significa o quê?
– Nós vamos morar aqui, mamãe. Eu que ajudei a mãe Marcela escolher. – Gabriela respondeu empolgada e orgulhosa de si própria.
– Marcela, você não me contou nada disso.
– Era para ser uma surpresa. Escolhemos uma casa ao invés de apartamento para ter bastante espaço para nossos filhos. – Marcela falou e eu paralisei diante da última frase.
– Como é que é? – Perguntei atordoada arrancando gargalhadas de todas, até Gabriela sorria.
– Amor, quero filhos com você. Quero pelo menos mais uns dois ou três. A nossa pequena é doida para ter irmãos, então precisamos de bastante espaço. Não acha ótimo?
– Espera, vamos com calma pelo amor de Deus. Não me joga tudo isso assim de uma só vez. Três filhos? Marcela, Gabriela vale por mil.
– Mulher exagerada! Minha princesinha é um anjo e quase não nos dar trabalho.
– Viu? Eu não dou trabalho nenhum. Eu até como toda verdura do prato e guardo os brinquedo tudo. – A pequena falou na defensiva e eu já podia ver que ela puxaria de Marcela esse lado de quem sabia argumentar.
– Tá bom, tá bom. Vocês venceram, nós pensaremos sobre isso no futuro, ok? Mas vamos com calma as duas. – Marcela e Gabriela se cumprimentaram em uma batida de mãos.
– Viu só Gabi, eu te disse que ela aceitaria. Agora só falta ela aceitar a outra parte.
– Como é que é? – Perguntei erguendo uma sobrancelha – O que mais vocês duas estão aprontando?
– É nada não, mãe. Nós só queremos ter um cachorrinho. – Gabriela fez sua melhor cara de anjo apontando dela para Marcela que sorriu timidamente.
– Ah... pelo amor de Deus, Marcela. Um cachorro? É sério isso?
– Amor, a Gabriela pediu faz tempo, e eu bom... Você sabe, eu não consigo dizer não para ela.
Todas gargalharam novamente quando eu quis fuzilar Marcela com os olhos.
– Um cachorro dá muito trabalho, Marcela. Eu vou colocar vocês duas para cuidar. – Falei para elas que me olhavam com cara de cachorro sem dono.
– É Hanna, parece que você está bem ferrada com essas duas ai. – Micaela falou ainda sorrindo.
– Vem, vamos lá. Quero mostrar tudo para vocês. – Gabriela falou me puxando pela mão enquanto tinha um sorriso cativante nos lábios. – Vem vocês tudo também, titias.
A parte interna da casa era tão linda quanto a externa. Tudo na casa era puro luxo e conforto, mas ao mesmo tempo de uma simplicidade invejável. A casa já estava toda mobiliada, mas Marcela me disse que o restante da decoração seria escolhida por mim após o casamento. Gabriela estava encantada com o quarto dela, e fazia questão de falar para todas nós que ela mesma quem escolheu toda decoração e móveis, além de estar repleto de brinquedos novos, o que me fez deduzir que seria um perigo deixar minha filha e minha noiva andarem sozinhas em um shopping. As duas definitivamente não tinham limites.
– E então, o que acharam? – Marcela perguntou para todas nós.
– Eu acho que podemos fazer um belo de um churrasco e curtir essa piscina. – Obvio que isso só poderia ser Daniela falando.
– Amor, é simplesmente linda. Eu amei toda decoração e cada cômodo, mas não acha muito grande?
– Claro que não, meu bem! Logo essa casa vai estar cheia de crianças correndo para todos os lados. Além disso, não é como se Daniela fosse nos dar paz.
– E não vou dar mesmo não. Quero vir pra cá todo final de semana curtir tua piscina. Vocês vão me adotar junto com suas crianças.
– Gente, eu ainda preciso me acostumar com a ideia “crianças” no plural. – Falei arrancando risos de todas.
– Relaxa, meu amor. O que importa é que seremos muito felizes nessa casa. – Marcela me deu um beijo me fazendo derreter em sorrisos apaixonados.
– E o seu apartamento? – Perguntei curiosa.
– Vendi e com o dinheiro coloquei mais um pouco para comprar a casa.
– Agora entendi o porquê de você ter feito questão de mudarmos para o meu apartamento.
– Sou uma mulher estratégica, meu bem. – Marcela piscou convencida para mim.
– E eu ajudei em tudinho! – Gabriela falou atraindo nossa atenção para si.
– É mesmo, minha pequena? Mamãe tá muito orgulhosa por você ajudar sua mãe nessa armação toda. Já estou vendo que preciso ficar esperta com vocês duas.
Ficamos ali entre conversas e sorrisos e não pude deixar de agradecer a Deus pela chance de ser feliz que ele estava me dando. Eu jamais poderia imaginar que seria tão feliz como estava sendo agora, afinal eu tinha ao meu lado as melhores amigas e a melhor mulher que alguém poderia ter.
Fim do capítulo
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