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Dolce Felicitá : Pequenas Doses de Amor por jmalchanceux

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Palavras: 3432
Acessos: 198   |  Postado em: 05/06/2026

Capitulo 01

Uma das coisas que Marcela mais ama sobre o irmão mais novo é a sinceridade, na mesma medida que odeia isso. O descreveria tendo uma língua tão certeira quanto chicote, mas cega, beirando a insensibilidade mesmo quando as intenções são boas e apenas tente lhe ajudar. Às vezes ela reflete se realmente precisa de ajuda ou só compartilhar tudo isso com alguém. Se fosse a segunda opção, prefere sem julgamentos, no qual Marco falha e nem mesmo tenta fingir não estar cheio deles. Talvez seja a diferença de idade, reflete enquanto o assiste preparar xícaras de chá e café, vomitou todo o café da manhã, sempre faz isso ao tentar engolir o choro. É, definitivamente é isso, concluí em um suspiro, eles têm uma boa diferença de idade, cerca de quinze anos. Ela já se formou há uma década, ele está no segundo semestre da faculdade, ela já mudou de emprego algumas vezes e ele está tendo seu primeiro emprego formal após o estágio, ela é uma mãe e sócia de uma cafeteria que divide a vida entre estes dois mundos enquanto tudo o que ele divide é o apartamento com a namorada e alguns amigos, além de uma conta no Spotify, por mais que ela insista em tentar lhe adicionar ao plano familiar. Ela sempre tenta lhe incluir e sente estar passando do limite todas as vezes. No fim, ele é prático, direto e honesto, o que ela tenta ser há anos e o inveja por isso.

- Sabe, Diana é uma egoísta do caralh*. - Marco dá de ombros e procura o pote de açúcar na pequena bagunça sobre a pia, claramente a pilha de pratos se acumula desde o dia anterior - E você não tem amor próprio, sem querer ofender, mas você pode ter qualquer um e se contenta com isso. Tô falando sério, Celinha! Eu poderia te apresentar umas amigas e você ia ver.

- Eca, elas devem ter a sua idade.

- E adoram mulheres mais velhas. Você seria uma MILF, maninha, MILF! E você é literalmente mãe.

- Marcos, eu estou falando sério. - ela cerra os dentes e põe os cotovelos na mesa, desconfortável.

- E eu também! Algumas venderiam o rim para ter alguém como você e você está aí correndo atrás dessa bruxa que nem um cachorrinho. - ele bufa e abre os armários, ainda procurando pelo açúcar - Acho que vou comprar um açucareiro, nenhum pote é respeitado nesta casa, ou vou ter que começar a colocar etiqueta em tudo.

“Você poderia morar conosco.” ela pensa, mas não ousa dizer, sabe que a independência é algo importante para o irmão caçula, mesmo que isso signifique louça suja e nunca encontrar o que precisa.

- Eu já vi aquele Amuri, é feio que nem briga de foice, é chato e tem uns papos que nem o seu Romeo aguenta ouvir, sabe o que é isso? O mesmo homem que repete a mesma estória sobre aquele peixe gigante.

Isso é um fato! Seu Romeo, um senhor com quase 80 anos e mais energia que os irmãos Martins juntos, é um contador de histórias e se orgulha do quão consistentes são, sempre lhes contando suas favoritas repetidamente até que eles pudessem contar sozinhos. É o que mais ama fazer com Theo, a quem tem como neto, já que nenhuma de suas filhas se casou ou teve filhos. Mas nem ele aguentou ouvir Amauri por mais de quinze minutos, toda vez inventando uma nova desculpa para se livrar do homem, pelas costas o chama de Pentelho.

- O meu ponto é: Ele é insuportável, você é incrível, ainda assim ela sempre o escolhe e sabemos a razão.

- É, sabemos…

Conhecem Diana tempo o suficiente, desde que Marco tinha a idade de Theo, para estarem cientes de sua negação infinita quanto à própria sexualidade, mesmo com todos os fatores e pessoas que a cercam. Na verdade, foi uma surpresa que a manifestasse de alguma forma. Bem, o álcool ajudou, mas ela quem decidiu continuar, ela quem procurou Marcela para uma segunda rodada, quem a puxa de volta quando ela decide que já está cansada de ser a outra. No final, elas não passam de seu segredo sujo atrás da fachada perfeita de uma vida “tradicional”, afinal, ela foi bem criada em uma família rica, se formou com notas perfeitas em escolas e faculdade particulares, se relacionou apenas com a nata e tem uma vida profissional de sucesso, agora noiva de um troglodita. A sonhada vida de uma mulher média brasileira, exceto pelo fato de que não casou-se jovem e tem uma amante, vulgo sua melhor amiga e também mãe de seu afilhado. De vez em quando ela se pega pensando em como as coisas seriam diferentes se Diana parasse de mentir para si mesma.

- Achei! - ele pega o pequeno pote de vidro entre os temperos em cima do pequeno armário, onde são armazenados eletrodomésticos - Você já tentou usar o Tinder?

- Não, nem quero.

- Bares?

- Você sabe que não gosto. E não quero deixar Theo tantas noites com a babá.

- Celinha, você só deixa ele com a babá quando sai com a Diana, que ela fique com aquele Pentelho e você vá encontrar alguém. Eu te imploro! - Marco faz um gesto dramático, corpo curvado e mãos juntas - Duda e eu vamos naquele bar velho perto da faculdade, na sexta feira. Estarão com banda ao vivo, uma original. Caso você não goste, podemos ficar jogando sinuca e voltamos mais cedo, o que acha?

- Eu não sei não.

- Tem fliperama! - ele acrescenta imediatamente.

- Tá bom, você me convenceu.

- Sexta feira a noite, agora beba seu chá e pense no que vai vestir. Vou me trocar para o trabalho, já que você está aqui vai me dar uma carona, economizo na passagem.

Ela suspira assim que ele sai do cômodo e tenta ignorar o rapaz desconhecido que passa por trás dela, é como se Marco vivesse em uma república, se já não é considerado uma. E ela acaba se tornando a motorista particular dessa república quando Duda, Lucas e o rapaz desconhecido se juntam na carona comunitária já que, segundo o irmão, seria fácil já que todos vão para o mesmo lugar. 

- Fácil para eles que não precisam tirar e colocar a cadeirinha, além de aguentar aquela falação toda. - Marcela pensa alto depois de deixá-los e seguir caminho para a cafeteria - E um deles com certeza fuma, se Marco inventar de fazer o mesmo vou fazer ele engolir um maço inteiro. E a Eduarda também.

O trânsito está mais tranquilo após o horário de pico, ela se permite colocar músicas animadas ao fundo, talvez, só talvez, se consiga se concentrar nas letras ou ritmo ao invés dos milhares de pensamentos que tentam lhe invadir a sanidade. Não vale a pena, murmura repetidamente entre as batidas e vocais, tamborilando os dedos no volante, atenta aos cruzamentos e semáforos. Isso não adianta, então passa a repassar mentalmente a lista de compras, depois a agenda da semana e os suprimentos que é necessário repôr no armazém, logo começa a se distrair com as quantidades e se deveriam continuar com o mesmo fornecedor quando os contratos acabarem, finalmente sendo puxada da espiral de negatividade e sofrimento em torno dos acontecimentos da manhã. Por mais que reflita e tente racionalizar, não consegue chegar a uma conclusão do porquê Diana está fazendo isso, não apenas com elas, mas com ela mesma. É como se estivesse tentando se sabotar e continuar vivendo em um tipo de masoquismo psíquico, a puxando para compartilhar o castigo. Mas agora ela foi longe demais, não é mais apenas um namoro ou algo que ela pode fingir ser passageiro, ser apenas as aparências que a amiga quer manter, ela aceitou um compromisso mais do que real e irá usar uma aliança que simboliza a importância, o peso desse ato. Inconscientemente encara o próprio dedo anelar, sem algum acessório e onde já imaginou carregar algo simbólico, como o anel de grama que compartilharam por um dia.

Um latido interrompe seus devaneios e o pé pressiona o freio ao se dar conta de que um cão atravessou sua frente em uma rua contínua, o pânico a faz frear sem verificar a retaguarda e o impacto lhe arremessa para frente o suficiente para deixar Marcela atônita. Ela instintivamente leva o braço para o banco de trás para se assegurar que o filho está bem, aliviada ao lembrar que Diana foi quem o levou para a escola, nunca se perdoaria se algo acontecesse a Theo. Seu olhar segue o cão, agora acuado contra o muro, possivelmente machucado, e vai para o outro motorista, silenciosamente rezando para que esteja bem.

- Respire, Marcela, respire, respire… 

As lágrimas turvam sua visão, as mãos se tornam frias e suadas, trêmulas demais para fazer algo além de estacionar e desligar o veículo no acostamento. Se preocupa com o pobre animal assustado e ferido, com o medo e a dor que sente, causados por sua distração. De repente se sente fútil e inconsequente por dirigir neste estado, colocando outros em risco por não saber medir seus atos, é como dirigir bêbada, é assumir os riscos de colocar outros em perigo, algo deliberado, que não merece nenhuma compreensão ou perdão ao colocar outros em perigo. Nem mesmo listar as compras, a agenda e muito menos os itens do armazém lhe ajudam a entrar em um estado de calma, é como se tudo o que faz lhe levasse ao estado de culpa seguido de odiar a si mesma e todas suas decisões.

- Ei, está tudo bem? - alguém bate em sua janela e tem quase certeza de que se trata da outra motorista, espera uma bronca, ódio por ter estragado seu dia, mas tudo o que identifica é preocupação genuína que encontra em um par de olhos de chocolate a encarando.

Só então Marcela percebe estar apertando o volante até as juntas dos dedos doerem e ao soltar sente parte da tensão se esvair em um suspiro longo. Não quer parecer uma descontrolada, mesmo que não seja uma situação exemplar qual as colocou. A mulher parece entender e esboça um sorriso compreensivo enquanto a assiste sair do veículo. Marcela se sente envergonhada, quer e precisa que alguém grite com ela, que seja culpada e ameaçada chamar a polícia, precisa de uma punição imediata.

- Me desculpa, olha, eu vou pagar pelo conserto. 

- Tá tudo bem. - a outra mulher diz calmamente, pausa entre as palavras claras e, para sua surpresa, não de uma forma irritada - Aquele cachorro pareceu pular na sua frente, ainda bem que estávamos em uma velocidade baixa.

- Estávamos?

- Sim, estávamos. - ela rebate e analisa o prejuízo por cima do ombro - Seu nome?

- O que?

- Seu nome. - ela repete devagar, com um sorriso nervoso, então limpa o suor das mãos na calça jeans escura - Eu sou Lilia, e você?

- Marcela, Marcela Martins. - a morena estende a própria mão que é imediatamente apertada, a maciez da pele a acolhendo instantaneamente, Lilia tem um aperto forte e gentil, um pouco demorado - Você está bem? Me desculpa, eu estava distraída...

- Ei, nem se estivesse dirigindo como uma tartaruga teria desviado dele. - Lilia garante e caminha de volta ao próprio carro, estacionado logo atrás do outro, só então Marcela percebe que ela anda de um jeito arrastado, mancando.

- Você tem certeza de que está bem?

Lilia suspira e abre a porta do carro, tirando um bastão de madeira longo, envernizado e detalhado, uma bengala marrom escuro na qual se apoia antes de se virar e andar até o cachorro encolhido perto do muro, tentando se esconder na grama alta.

- Totalmente bem. Agora vamos verificar aquele anjinho.

O cão é um vira lata de porte médio, os pelos negros destacam as partes amarelas em volta da boca, patas e no peito, está sujo, cheio de poeira e também visíveis carrapatos. Marcela repreende a si mesma por ter como primeiro instinto se afastar momentaneamente, com nojo das pequenas criaturas que sugam o sangue do animal, mas logo se aproxima novamente, ele é apenas uma vítima do abandono e das ruas, já sofre demais para ser afastado por seu estado.

- Cachorrinho, cachorrinho, vem cá. - Lilia sussurra e se agacha - Está tudo bem, vem cá, pequenino. - insiste, fazendo sons e barulhos que se faria para mostrar a um cão que é amigável - Tenta você, Marcela.

- Okay… - ela se aproxima e imita os mesmos sons, um pouco mais baixo, não tão animada, mas isso parece ser o suficiente para ganhar sua confiança - O que fazemos agora?

- Capturamos nosso amiguinho. - em seguida ela tira sua jaqueta de couro, deixando a pele pálida exposta, usa uma regata que não cobre abaixo do umbigo e há um decote redondo, ambas as peças de roupas são de cor escura, de boa qualidade - Preparada?

- Acho que sim. - Marcela acena positivamente e tenta parecer segura do que está fazendo, a próxima coisa que vê é o vulto de duas coisas pretas se encontrando e um cão muito irritado tentando se libertar dos braços longos da mulher - Ele parece machucado. E ele é ela. - constata as duas coisas quando o animal finalmente se cansa de lutar contra as palavras dóceis e as carícias sobre o tecido para lhe acalmar.

- Pobrezinha, a patinha está lacerada, parece quebrada, não parece?

- Com certeza está quebrada, mal consegue mexer. - Lilia solta um pouco do tecido e elas têm a visão clara dos olhos amedrontados do cão, castanhos, dóceis e cheios de medo - Ela não vai conseguir andar por aí assim.

- E nem vai, não vou deixar. - no mesmo instante o animal de rua começa a se debate e prova que ela pode sim, até mesmo correr, o que faz com que as duas lhe persigam por meio quarteirão até chegar a um terreno baldio cheio de ferro velho e lixo, Marcela não sabe se fica surpresa por tanto a mulher e o cão correrem tão rápido mesmo mancando ou por ela ficar para trás - Me espera… Eu… Eu não consigo… Acompanhar…

- Não podemos perdê-la. - rebate a mulher, usando a bengala para se alçar quase um metro a frente - Vamos!

- Meu Deus, você corre pra caramba!

- Ali está! - Lilia aponta para o fundo do lote, onde a carcaça de um carro parece ser a casa do cão, é velho e grande, mas bem posicionado para que lhe proteja da chuva e do frio, também do calor - Garotona, não precisa ter medo. - ela tenta usar um tom calmo para que a deixe se aproximar novamente, o mesmo tom que usara quando bateu na janela para perguntar se estava tudo bem.

- Ah não…

O cão se enrola num buraco recém cavado de forma irregular, claramente feito por pequenas garras, e diferente do redor não há lixo algum, no meio três filhotes choramingam, outros dois não têm sinal de vida, estão petrificados, mortos. A cena é devastadora, a cadela não parece ter mais de dois anos e já tem filhotes, quais alguns não passaram do primeiro mês de vida, estão lutando para sobreviver, especialmente a mamãe, que além de ter de alimentá-los e protegê-los precisa garantir a própria sobrevivência em um mundo hostil. Pobre criatura, destinada a um início de vida difícil, provavelmente filhote de alguma ninhada que nasceu na rua ou abandonada, deixada à própria sorte.

- Por isso você é tão teimosa, você é uma garota durona. Uma mãezona. - Lilia sussurra e estende a mão até sua cabeça agachada, que não resiste ao seu carinho tentador, provavelmente não está acostumada a tal ato - Está tudo bem agora, nós vamos cuidar de você.

- Vamos sim e dos seus bebês também.

Lilia se aproxima mais e aos poucos tenta ganhar a confiança dela novamente, com mais carícias, palavras doces e muita paciência, o que funciona, pois no final o cão está entre os braços confortáveis novamente, entre choramingos baixos e rabinho abanando. Cuidadosamente, Marcela pega os filhotes e os coloca na barra da própria regata, improvisando uma forma para carregá-los, dois são uma cópia da mãe e o outro é rajado. 

- O que fazemos com eles? - pergunta, acenando em direção aos dois pobrezinhos falecidos.

- Enterramos, ué.

- Tá bom.

Com uma tampa de balde e intercalando o trabalho, elas fazem uma cova decente em tamanho e profundidade. Lilia insiste que a cadela precisa assistir para entender o que acontece, que caso contrário ficaria sofrendo em dobro pelo destino de seus filhotes, não que Marcela concorde com tudo, nunca tinha pensado nisso antes, mas mesmo assim participa do evento fúnebre.

- Temos que dar nome a eles.

- Mas…

- Esse parece Bolachinha de Mel, branco e amarelo, e esse Oreo, é preto com branco. - Lilia parece feliz consigo e sorri para eles - Você gostou dos nomes, Mel?

- Mel?

- O nome dela. Ela tem cara de Mel.

Ela abre um sorriso enorme e acaricia a cabeça do cão, assistindo Marcela terminar de preparar o enterro improvisado. Os dois filhotes são colocados lado a lado, como se estivessem se abraçando, a mamãe choraminga os vendo assim, mas Lilia tenta lhe acalmar e explica o que está acontecendo como se falasse com uma criança pequena. No final, as duas mulheres estão sujas de terra, poeira e com o cheiro do pequeno lixão que é o terreno baldio, com a pequena família nos braços, quase adormecidos.

- Vou levar ela e os bebezinhos ao veterinário. - diz Lilia quando voltam para seus carros, o sol da manhã está alto e o ar abafado, por sorte ela havia estacionado seu Ford Bronco Sport azul debaixo de uma árvore e os cães ficam confortáveis no banco do passageiro, onde é fresco - Verificar se estão bem e tirar esses carrapatos.

- Hum, eu poderia pegar seu número? Você sabe, temos que ver o conserto dos carros e eu quero pagar pelos custos do veterinário.  - de repente se sente envergonhada por todo o caos que suas ações causaram e o mínimo que pode fazer é pagar por isso, já que a mulher parece ter tomado as rédeas instintivamente. 

- Claro! - elas trocam os celulares e gravam o contato uma da outra nos aparelhos - Quanto aos carros, vamos ligar para as seguradoras, está tudo bem.

- Certo, certo, eu tinha esquecido disso.

- É normal o nervosismo costuma dar um branco na cabeça.

- É, dá mesmo. - Marcela suspira e sorri pela primeira vez, sentindo a tensão se esvair de vez, os músculos leves e o coração menos pesado.

Pela primeira vez também repara em Lilia, ela é alta, mais alta que ela mesma ou Diana, mesmo sem os coturnos de salto baixo que combinam com as calças jeans um pouco folgadas, a regata que mal cobre a pele também destaca as pintas que criam constelações de diversos tamanhos e formas espalhadas pelo torso, braços e barriga. Os olhos castanhos são joviais e brilhantes, mesmo debaixo de franja e madeixas negras que caem sobre os ombros, alinhadas e brilhantes como seda. Os dentes perolados destacam o vermelho do batom que delineia a boca cheia.

- Ah, eu vou ligar para o meu seguro agora, tá bom? Fica aqui que eu vou comprar água e algumas vasilhas para dar de beber a eles. - Lilia aponta para o outro lado da rua e atravessa sem esperar uma resposta.

 

Marcela não sabe como reagir, a mulher parece simplesmente confiar nela, assim como parece confiar até demais na sorte e no mundo em si, afinal, seguiu e a fez seguir um cão de rua até um terreno baldio, entre pregos, ferrugem e perigos à espreita. Talvez seja apenas corajosa, corajosa até demais. Mas há algo cativante nisso, que traz rubor para suas bochechas e pescoço, talvez seja o caminhar despreocupado, como se não precisasse estar apoiada na bengala, entretanto o suporte lhe dá um ar… não sabe definir, ou o sorriso que forma covinhas fundas e lhe arranca um sorriso tímido, ou a personalidade dócil e calma, como se emanasse bondade em cada pequeno ato. De qualquer forma, ou de todas as formas, ela lhe faz corar e sentir algo quente surgir do fundo do estômago apenas para a atingir como um soco brusco.

Fim do capítulo


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Comentários para 2 - Capitulo 01:
Lea
Lea

Em: 05/06/2026

Já quero o próximo capítulo!!!!


jmalchanceux

jmalchanceux Em: 06/06/2026 Autora da história
Hoje mesmo postarei ^^


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