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Eden 9 - O mundo que lembrava por Gabi Reis

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Palavras: 2747
Acessos: 247   |  Postado em: 15/06/2026

Prologo

 

Última Transmissão Recebida

Colônia Aurora Prime — Éden-9

Ano 2215

Trinta e dois anos antes da missão Aurora

Arquivo recuperado: Registro de comunicação E9-774A
Origem: Colônia Aurora Prime — Éden-9
Destino: Comando de Exploração Interestelar da Terra
Status: Fragmentado
Prioridade: Máxima
Integridade do sinal: 37%
Última transmissão humana confirmada antes do silêncio orbital

Antes da imagem surgir, houve apenas ruído. Um ruído longo, denso, quase orgânico. Não era a estática comum das transmissões interestelares. Os técnicos da Terra passariam anos estudando aquela gravação, tentando explicar por que, antes de cada palavra humana, havia um som baixo e contínuo, parecido com respiração.

Alguns disseram que era interferência atmosférica. Outros, distorção gravitacional.

Os mais supersticiosos chamaram de sussurro, mas a verdade é que ninguém soube dizer.

Durante doze segundos, a tela permaneceu tomada por linhas brancas, pontos luminosos e fragmentos de dados corrompidos. Depois, aos poucos, uma imagem se formou.

Primeiro, uma parede metálica.

Depois, uma luz azulada.

Então, raízes.

Raízes finas, translúcidas, espalhadas pela superfície da sala de comando como veias sob a pele. Elas desciam do teto, atravessavam painéis, circundavam monitores e desapareciam por entre frestas do piso. Algumas pulsavam em intervalos regulares. Outras se contraíam lentamente, como se reagissem à presença de quem estava ali.

A câmera oscilou.

A imagem abriu.

No centro do quadro estava uma mulher.

A governadora Iara Mendonza, líder da colônia Aurora Prime que saiu da Terra rumo ao novo planeta em caráter de colonização.

Tinha os cabelos grisalhos presos em uma trança grossa, caída sobre o ombro esquerdo. O rosto era firme, mas profundamente cansado. Havia olheiras marcadas sob seus olhos e pequenos cortes cicatrizados perto da boca. Seu uniforme colonial estava aberto na gola, manchado por terra escura e por uma substância azulada que nenhum laboratório da Terra conseguiria identificar com precisão.

Ela parecia alguém que havia atravessado dias sem dormir.

Ou anos sem paz.

Quando falou, sua voz saiu rouca.

— Aqui é Iara Mendonza, governadora da Colônia Aurora Prime, em Éden-9.

O sinal falhou.

A imagem se partiu em blocos.

Quando retornou, a luz da sala havia mudado. As raízes atrás dela brilhavam com mais intensidade.

— Esta transmissão está sendo enviada em canal aberto, com redundância orbital e pulso de emergência. Se qualquer posto avançado da Terra receber este sinal, encaminhe imediatamente ao Comando de Exploração Interestelar.

Ela respirou fundo.

Por um instante, seus olhos desviaram da câmera.

Não para uma pessoa.

Para a parede.

Para as raízes.

Como se elas também a escutassem.

— Nós perdemos contato com três módulos externos há seis dias. O laboratório biológico foi isolado. A equipe de xenobotânica não responde desde ontem. Os drones de superfície retornaram sem gravação visual, mas com todos os bancos de memória preenchidos.

Ela engoliu em seco.

— Preenchidos com lembranças.

A gravação emitiu um chiado agudo.

Ao fundo, algo se moveu.

Não rápido.

Não de forma agressiva.

Apenas o bastante para lembrar que a sala não estava vazia.

Iara fechou os olhos por um segundo e continuou:

— Quando pousamos, há quatro anos, acreditávamos ter encontrado um planeta classe A de habitabilidade parcial. Atmosfera respirável com adaptação mínima. Água líquida abundante. Vegetação predominante em setenta e dois por cento da superfície continental. Fauna discreta. Baixo índice de predação. Nenhum sinal tecnológico. Nenhuma estrutura artificial.

Ela riu.

Mas não havia humor naquele som.

— Achamos que isso significava ausência de inteligência.

As raízes atrás dela emitiram um pulso.

Azul.

Depois violeta.

Depois branco.

Iara olhou novamente para a câmera.

— Estávamos errados.

A transmissão tremeu.

Um novo áudio surgiu sob a voz dela. Parecia uma multidão falando a quilômetros de distância, abafada por água, vento e pedra.

— Éden-9 possui uma biosfera integrada. Não apenas conectada por processos químicos ou fúngicos, como imaginamos no início. Não é uma rede ecológica comum. Não é simbiose simples. Não é instinto coletivo.

Ela aproximou o rosto da câmera.

Os olhos estavam úmidos.

— O planeta registra informação.

Uma pausa.

— Informação biológica. Emocional. Sensorial. Talvez consciente.

O sinal apresentou uma sequência de falhas.

Por três segundos, a imagem desapareceu e foi substituída por fragmentos de outras cenas.

Uma criança correndo sob árvores de folhas prateadas.

Um homem ajoelhado diante de um lago negro.

Uma mulher chorando dentro de uma estufa.

Um berço vazio.

Um campo de flores azuis se fechando ao toque de uma mão humana.

Depois, a imagem de Iara retornou.

Ela não parecia saber que aqueles fragmentos haviam sido transmitidos.

— Os oceanos respondem a estímulos sonoros. As florestas alteram padrões de crescimento conforme nossas emoções. Certas formações minerais armazenam sequências de memória. Os fungos subterrâneos conectam continentes inteiros. A atmosfera muda de composição em regiões onde ocorrem conflitos.

Ela baixou a voz.

— O planeta aprende conosco.

Um silêncio pesado tomou a gravação.

Ao fundo, uma das raízes se desprendeu parcialmente da parede e deslizou sobre o painel de comando. Tocou a superfície do metal com delicadeza quase animal.

Iara não se afastou.

— No início, pensamos que era contaminação. Depois, adaptação. Mais tarde, comunicação. Agora já não sabemos se essas palavras bastam.

Ela virou o rosto para algo fora do enquadramento.

— Não, eu vou terminar.

Ninguém respondeu.

Pelo menos ninguém que os microfones humanos conseguissem captar claramente.

Iara voltou para a câmera.

— A colônia não foi atacada. Preciso que isso fique registrado. Éden-9 não nos atacou.

Ela respirou com dificuldade.

— Ele reagiu.

A frase ficou suspensa no ar como uma acusação.

— Reagiu ao que trouxemos conosco.

A câmera captou um tremor sutil no teto. Pequenas partículas douradas começaram a cair, como pólen luminoso. Elas flutuavam em volta de Iara, pousando em seus cabelos, em seus ombros, sobre o metal dos equipamentos.

— Trouxemos sondas de perfuração. Trouxemos protocolos de extração. Trouxemos algoritmos de mapeamento mineral. Trouxemos bancos genéticos. Trouxemos ordens de catalogar tudo que pudesse ser útil à Terra.

Ela sorriu de um jeito triste.

— Trouxemos a Terra.

Mais uma falha.

Quando o vídeo estabilizou, a governadora já não estava dentro da sala de comando.

Agora ela caminhava.

A câmera parecia presa ao seu peito ou ao pulso de alguém que a acompanhava. A imagem balançava a cada passo. O cenário ao redor era uma passarela externa da colônia, parcialmente tomada pela vegetação.

O céu de Éden-9 aparecia ao fundo.

Não era azul.

Era violeta profundo, atravessado por faixas esverdeadas que lembravam auroras permanentes. Duas luas pequenas pairavam próximas ao horizonte, uma pálida como osso, outra marcada por manchas avermelhadas. Ao longe, montanhas escuras se erguiam como costelas saindo da superfície do planeta.

A colônia Aurora Prime havia sido construída para resistir a tempestades, radiação e isolamento.

Mas não havia sido construída para ser acolhida.

As estruturas metálicas estavam cobertas por plantas translúcidas que não as destruíam. Ao contrário, pareciam sustentá-las. Cabos rompidos haviam sido envolvidos por fibras vivas. Torres de comunicação quebradas estavam erguidas por troncos flexíveis. O vidro rachado das cúpulas havia sido selado por membranas claras, vibrantes, quase respiratórias.

Aquilo não parecia uma invasão.

Parecia uma reparação.

Iara parou diante de uma plataforma aberta.

Abaixo dela, havia uma floresta inteira.

Árvores altíssimas, com troncos negros e folhas prateadas, balançavam sem vento. Entre seus galhos, pontos de luz se acendiam e apagavam em sequência, como mensagens atravessando um cérebro colossal.

— Nós chamamos este lugar de Jardim Norte quando chegamos — disse ela. — Hoje os colonos o chamam de Primeira Voz.

A câmera focou a floresta.

Por alguns segundos, não houve fala humana.

Apenas o som do planeta.

Folhas vibrando.

Água distante.

Um pulso grave vindo do solo.

E, novamente, os sussurros.

Dessa vez, mais claros.

Vozes humanas.

Muitas.

Algumas falavam em inglês.

Outras em espanhol.

Outras em línguas que a gravação não conseguiu identificar.

Entre elas, havia risos infantis, choros, orações, discussões, declarações de amor, pedidos de desculpa.

Memórias.

Não gravações.

Memórias.

Iara cobriu a boca com a mão.

Quando voltou a falar, sua voz estava quebrada.

— Os mortos não desaparecem aqui como desaparecem na Terra.

A câmera virou para ela.

— Não estou falando de alma. Não estou fazendo poesia. Estou falando de dados. De padrões neurais. De impressão sensorial. De alguma forma, quando um organismo morre em Éden-9, parte do que ele foi é absorvido pela biosfera.

Ela hesitou.

— E, às vezes, devolvido.

Uma rajada de interferência cobriu a gravação.

Durante o ruído, uma voz infantil surgiu ao fundo.

— Mamãe?

Iara endureceu.

Seus olhos se encheram de lágrimas imediatamente.

Ela não respondeu.

A voz veio outra vez.

Mais baixa.

Mais próxima.

— Mamãe, eu estou aqui.

Iara fechou os olhos com força.

Quando os abriu, havia uma dor tão humana em seu rosto que, décadas depois, mesmo os analistas mais frios evitariam assistir a esse trecho mais de uma vez.

— Minha filha morreu no segundo inverno — disse ela. — Febre pulmonar. O planeta ainda estava se adaptando aos nossos corpos. Nós não entendíamos como pedir ajuda.

Ela respirou fundo, tremendo.

— Três meses depois, ouvi a voz dela perto do lago.

A câmera tremeu.

— Não era ela. Eu sei que não era ela.

Outra pausa.

— Mas também não era apenas imitação.

As luzes da floresta aumentaram.

Como se algo respondesse ao sofrimento dela.

— Éden-9 não compreende a morte como nós. Ele preserva. Reorganiza. Devolve em fragmentos. Às vezes consola. Às vezes tortura sem querer.

A transmissão começou a perder estabilidade outra vez.

Iara voltou a caminhar.

— Há algo mais. Algo que precisa ser entendido antes que enviem outra missão.

A imagem cortou.

Retornou dentro de uma câmara subterrânea.

A luz ali era fraca.

Raízes grossas atravessavam as paredes. No centro do espaço havia uma formação circular, parecida com pedra e tecido ao mesmo tempo. Uma superfície viva, cheia de veios luminosos, pulsava como um coração enterrado.

Ao redor dela, estavam várias pessoas.

Mulheres, homens, crianças.

Humanos.

Mas diferentes.

Não deformados.

Não doentes.

Adaptados.

A pele de alguns brilhava discretamente sob a luz azulada. Os olhos refletiam como se tivessem aprendido outra forma de enxergar. Uma menina tocava a parede com a palma da mão, e as raízes respondiam ao gesto dela com pequenos lampejos.

Iara sussurrou:

— As crianças nascidas aqui são diferentes.

A câmera focou a menina.

Ela devia ter uns seis anos.

Olhou diretamente para a lente.

E sorriu.

— Elas escutam o planeta antes mesmo de aprenderem nossas línguas. Sentem mudanças no solo. Pressentem tempestades. Sabem quando alguém está mentindo, não por telepatia, mas porque Éden-9 reage à intenção.

Iara aproximou-se da formação central.

— Foi assim que descobrimos.

Ela tocou a superfície viva.

A luz se espalhou sob seus dedos.

— O planeta não responde apenas ao que fazemos.

A voz dela ficou quase inaudível.

— Ele responde ao motivo pelo qual fazemos.

Um tremor percorreu a câmara.

A menina ao fundo começou a chorar.

Uma mulher a pegou no colo e se afastou.

Iara olhou para trás, preocupada.

— A Terra vai querer isso.

O tom dela mudou.

Agora havia urgência.

— Quando vocês compreenderem o que Éden-9 pode fazer, vão enviar cientistas, generais, ministros, investidores, empresas farmacêuticas, mineradoras, diplomatas e soldados. Vão chamar de cooperação. Vão chamar de avanço. Vão chamar de salvação da humanidade.

Ela encarou a câmera com intensidade.

— Mas eu conheço a Terra.

As raízes ao redor pulsaram mais forte.

— Nós todos conhecemos.

Por um momento, o som da transmissão se limpou completamente.

A voz dela saiu nítida.

— Vocês vão tentar transformar uma consciência viva em recurso.

Silêncio.

Então, pela primeira vez, surgiu uma segunda pessoa no enquadramento.

Uma mulher alta, de pele acobreada e cabelos muito longos, quase brancos. Não usava uniforme terrestre. Vestia tecidos leves, feitos de fibras naturais, com marcas desenhadas nos braços e no pescoço. Não parecia uma colona comum.

Havia nela uma calma desconcertante.

Iara virou-se para ela.

— Ainda há tempo?

A mulher observou a câmera.

Seus olhos tinham uma luminosidade sutil, como se refletissem a própria câmara subterrânea.

— Para eles? — perguntou.

Iara não respondeu.

A mulher tocou a formação viva no centro da sala.

Toda a câmara se iluminou.

E, por um instante, a transmissão captou algo impossível.

O mapa inteiro de Éden-9.

Não desenhado.

Não projetado.

Sentido.

Continentes, oceanos, cadeias montanhosas, rios subterrâneos, florestas, tempestades, criaturas, colônias humanas, memórias, mortes, nascimentos, tudo conectado por trilhões de pontos de luz.

Um cérebro planetário.

Uma consciência sem rosto.

Uma vida grande demais para caber em qualquer definição humana.

A imagem durou menos de dois segundos.

Mas foi suficiente para mudar a história.

Quando Iara voltou a aparecer, chorava abertamente.

— Nós vamos cortar a comunicação.

A frase caiu como sentença.

— Não porque fomos destruídos. Não porque falhamos. Não porque enlouquecemos.

Ela ergueu o queixo.

— Mas porque entendemos.

A câmera aproximou-se ainda mais.

— Se esta transmissão chegar à Terra, escutem com atenção: não enviem outra missão.

A luz ao redor dela começou a oscilar.

— Não venham por curiosidade.

Um ruído grave tomou a câmara.

— Não venham por ciência.

As raízes se moveram.

— Não venham por cura.

O rosto dela se contraiu.

— E, acima de tudo, não venham por poder.

A transmissão quase caiu.

A imagem ficou escura.

Quando voltou, Iara estava novamente sozinha na sala de comando.

Ou parecia estar.

O ambiente havia mudado completamente. As raízes agora cobriam quase tudo. Monitores apagados estavam envoltos em fibras luminosas. O painel principal piscava em vermelho. O alarme de evacuação soava ao fundo, mas ninguém corria. Ninguém gritava.

Era como se a colônia inteira estivesse prendendo a respiração.

Iara sentou-se diante da câmera pela última vez.

Parecia mais velha.

Não fisicamente.

Mas como alguém que havia visto uma verdade grande demais.

— Talvez vocês pensem que fomos dominados.

Ela balançou a cabeça.

— Não fomos.

Uma pausa.

— Fomos convidados.

A estática aumentou.

As vozes voltaram.

Mais próximas.

Agora não pareciam apenas humanas.

Havia algo por trás delas.

Um som sem idioma.

Mas cheio de intenção.

Iara olhou para o lado e sorriu, triste.

— A Terra nos ensinou que inteligência constrói máquinas, cidades e armas.

Ela respirou fundo.

— Éden-9 nos ensinou que inteligência também pode construir cuidado.

O painel à frente dela piscou.

TRANSMISSÃO INSTÁVEL

PERDA DE SINAL IMINENTE

Iara se inclinou para a câmera.

— Se vocês vierem, ele saberá.

A luz azulada tocou seu rosto.

— Saberá antes do pouso.

A voz dela ficou baixa.

— Saberá o que vocês carregam.

Outro pulso.

— Saberá quem vocês perderam.

Mais um pulso.

— Saberá o que vocês desejam.

A imagem começou a se decompor.

— E saberá o que vocês estão dispostos a destruir para conseguir.

O sinal colapsou parcialmente.

Durante três segundos, a tela exibiu apenas fragmentos: a floresta, a menina, o lago negro, a câmara viva, uma cidade coberta por raízes, uma mão humana entrelaçada a fibras luminosas.

Depois, Iara voltou.

Muito perto da câmera.

Os olhos fixos.

A voz atravessando a estática como uma última advertência.

— Éden-9 não é um planeta.

A transmissão falhou.

Retornou.

— É uma consciência.

Nova falha.

Ela tentou dizer mais alguma coisa.

Os lábios se moveram.

O áudio desapareceu.

Quando voltou, restava apenas uma palavra incompleta:

— E ela...

O sinal apagou.

Nenhuma outra transmissão chegou da Colônia Aurora Prime. Nenhum pedido de socorro. Nenhuma declaração de independência. Nenhum relatório científico. Nenhum sinal de guerra. Nenhum corpo foi encontrado, porque ninguém voltou para procurar.

Durante trinta e dois anos, Éden-9 permaneceu em silêncio. A Terra observou o vazio entre as estrelas e discutiu o significado da última mensagem. Alguns governos defenderam isolamento absoluto. Algumas corporações exigiram investigação imediata. Institutos científicos pediram cautela. Líderes militares falaram em risco existencial. Religiosos chamaram o planeta de milagre. Filósofos chamaram de espelho. Mercados chamaram de oportunidade. E a humanidade, como sempre, encontrou uma forma elegante de transformar medo em projeto.

Em 2247, a nave interestelar Aurora foi preparada para partir.

Oficialmente, sua missão era simples:

Investigar, confirmar sobreviventes, estabelecer contato e avaliar riscos.

Extraoficialmente, em arquivos que apenas três pessoas na Terra e uma capitã a bordo conheceriam, a missão tinha outro nome.

Protocolo Semente Branca.

E uma instrução final.

Caso Éden-9 representasse ameaça à soberania humana, sua biosfera deveria ser contida, isolada ou destruída.

A qualquer custo.

Doze horas antes da partida, Sarah Solano recebeu suas ordens.

E, em São Paulo, Roberta Almeida fechou a última mala sem saber que estava prestes a atravessar dezoito anos de silêncio para encontrar um mundo que talvez já estivesse esperando por ela.

 

 

Fim do capítulo


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