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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 1648
Acessos: 283   |  Postado em: 15/07/2026

Capitulo 46

Por Hanna

Marcela segurou minha mão e me puxou para longe da festa, escapando sem que ninguém notasse. Confesso que aquela fuga, sob o manto de uma noite de estrelas e uma lua magnífica, me trouxe uma euforia que eu jamais havia sentido. Caminhávamos pela areia úmida da praia, o som hipnótico das ondas compondo a trilha sonora do nosso momento. Marcela me abraçava, interrompendo a caminhada com beijos apaixonados que faziam meu coração bater descompassado.

— Amor, para onde está me levando? — Arrisquei, risonha. — Temos uma festa inteira nos esperando, sabia?

Ela me abraçou por trás, conduzindo-me rumo à escuridão da praia deserta.

— Tenho uma surpresa.

— Mais uma? — Olhei para trás, encontrando seu sorriso magnético. — Assim meu coração não aguenta!

— Apenas confie em mim. Você vai adorar.

Quando chegamos a um ponto mais afastado, avistei algo que me deixou sem fala. Meus olhos marejaram ao reconhecer a estrutura.

— Não acredito que você fez isso... pensei que essa cabana não existisse mais.

— Ela estava em ruínas, confesso… — Marcela explicou, com um brilho terno no olhar. — Mas com a ajuda da Renata e da Daniela, restauramos tudo. Por pura expontânea pressão das duas, o Guilherme e o Robson foram os responsáveis pela reconstrução. 

Lágrimas escaparam enquanto memórias transbordavam do meu coração.

— Marcela, você é incrível. Foi aqui a nossa primeira vez... quando me senti inteiramente sua. Aquela foi a melhor noite da minha vida.

— Eu sei! E é por isso que estamos aqui. Quero que a nossa noite de núpcias seja um lembrete de que você pode se entregar, hoje e sempre, com a mesma intensidade daquele dia.

Ao entrarmos, o ambiente estava mágico. Pétalas de rosas vermelhas forravam o chão, e a luz bruxuleante das velas criava um cenário intimista. Havia um recanto repleto de almofadas e cobertas, além de um espumante estrategicamente posicionado.

— É tudo tão perfeito... — Sussurrei.

Marcela aproximou-se por trás, deixando beijos lentos por uma trilha imaginária em meus ombros. Seus beijos despertaram arrepios instantâneos por todo o meu corpo.

— Eu tinha certeza de que você amaria.

Girei meu corpo ficando de frente para ela, entrelaçando meus braços em seu pescoço. Seus olhos brilhavam de uma forma que só acontecia quando ela olhava para mim. Encurtei a distância, pressionando meus lábios aos seus. O gosto de sua boca era familiar, macio, viciante. Quando pedi passagem com a língua, o encontro foi eletrizante, um encaixe perfeito que desafiava qualquer lei da física.

— Eu te amo tanto. — Murmurei contra sua boca.

— Minha vida só ganha sentido com você. — Ela respondeu com a voz rouca, o que foi o suficiente para aquecer cada fibra do meu ser.

Com uma lentidão torturante, Marcela desfez o zíper do meu vestido. A peça deslizou pelo corpo, deixando-me apenas com a lingerie branca. Seus lábios percorreram a curva das minhas costas, um rastro de fogo que me fez estremecer.

— Tão cheirosa... — Ela sussurrou, beijando a curva dos meus ombros.

— Ah, Marcela... é bom demais te sentir.

Tomei a iniciativa, desfazendo o vestido dela com um movimento firme. Ver Marcela ali, tão desarmada e linda, era uma tentação à qual eu jamais resistiria. Com uma delicadeza sobrenatural, ela me guiou até o ninho de almofadas. O peso do seu corpo sobre o meu, os beijos úmidos em meu pescoço, o toque firme de suas mãos em minha cintura... cada detalhe me levava ao limite.

Eu estava rendida. Quando ela desceu seus beijos, explorando cada centímetro, senti o desejo pulsar. Ela me torturava de um jeito que eu não queria que terminasse nunca. Quando finalmente alcançou minha intimidade, o prazer foi uma explosão. Entre toques, línguas e a entrega total, perdi o fôlego quando ela me levou ao ápice.

Depois, trocamos os papéis. Marcela entregou-se a mim com a mesma entrega absoluta. Fiz com que ela sentisse cada centímetro do meu desejo, observando a forma como seus olhos mudavam, como sua respiração falhava. O prazer que compartilhamos ali foi uma celebração: nossa história sendo reescrita, desta vez, da forma correta.

 

…

Por Marcela

 

Já passava do meio-dia do dia seguinte quando finalmente nos vestimos para voltar para casa. 

– É muito estranho estar deixando esse lugar novamente depois de termos passado uma noite maravilhosa juntas. – Ela falou quando me aproximei do seu corpo.

– Aqui vai ser sempre o nosso lugar. – Murmurei contra seus lábios.

– É como se o presente repetisse o passado. – Eu disse.

– Só que dessa vez com um final feliz. Foi exatamente por isso que escolhi esse lugar para nosso casamento, para nos dar a chance de reescrever nossa história e somente coisas boas prevalecer.

Um sorriso se formou no rosto dela e seus olhos brilharam.

– Dessa vez nada vai nos separar.

– Nunca mais! – Garanti com convicção.

Antes de sair, Hanna parou e, com uma pedra, gravou na madeira da porta: “Nesse lugar o amor não tem fim. H x M”. Sorri, comovida. Ali, deixávamos um marco, mas carregávamos conosco um novo começo.

Sem pressa caminhávamos pela a areia da praia que ainda estava deserta. Era 31 de Dezembro e logo aquele lugar estaria tomado por pessoas que iriam assistir à queima de fogos que anunciaria o novo ano. 

Ao voltarmos para casa, o cenário era um contraste vibrante com o passado. Nossas famílias e amigos celebravam ao redor da piscina. De repente as lembranças do passado vieram em minha memória, mas elas já não doíam, pois dessa vez tudo estava diferente. Vi Renata feliz ao lado do marido, Micaela naquela manhã parecia ainda mais unida com Robson, Daniela transbordando em paixão por Bárbara... tudo parecia no seu devido lugar. E, de repente, Gabriela, nossa pequena, correu em nossa direção, nos envolvendo em um abraço que preencheu todo o vazio que um dia existiu.

A noite havia caído sobre todos nós que compartilhávamos da mesma felicidade de celebrarmos juntos um novo ciclo que se iniciava. 

– Muito doido as voltas que a vida deu esse ano, não acha? – Renata perguntou próximo ao meu ouvido devido o barulho. – Já parou para pensar que se você não tivesse retornado ao Brasil, nada disso seria possível? 

– Eu tenho muito o que agradecer a você, minha amiga. Se você não tivesse me convencido a voltar, hoje minha vida não estava repleta de felicidade.  

– Sabe o que eu acho? – Neguei e ela continuou… – Tudo isso já estava escrito pelo destino. O tempo que você passou longo foi essencial para que você e Hanna amadurecessem e se tornassem as mulheres incríveis que são hoje. Às vezes é preciso olharmos para longe para podermos enxergar quem estava perto. 

Olhei para Hanna que estava construindo um castelo de areia com Gabriela, Hanna tinha um sorriso iluminado no rosto e vendo aquela cena pude entender o que Renata quis dizer. Hoje, nem de longe Hanna era aquela mesmo pessoa que tinha atitudes impensadas, e muito menos vivia de aparências. Sua felicidade hoje era real. 

Voltei a encarar Renata que sorriu para mim como se compreendesse o que eu estava pensando.

– Lembra quando há anos atrás te perguntei sobre a relação de vocês duas, e você negou? 

– Sim! – Respondi recordando o momento.

– Eu não tinha dúvida alguma do que existia entre vocês duas. Naquela época, por mais que Hanna fizesse questão de passar uma imagem de hétero preconceituosa, todos os esforços eram completamente destruídos quando ela se aproximava de você. Vocês sempre tiveram uma química muito evidente, e eu sabia que um dia iam acabar se casando. 

– Por que depois que tenha ido embora, você nunca insistiu em falar sobre ela para mim? Não achava que em algum momento me convenceria a voltar?  – Perguntei curiosa sabendo que Renata sempre foi a mais paciente entre nós.

– Eu sempre soube que vocês precisavam de um tempo longe uma da outra para que as coisas pudessem se encaixar. – Ela deu de ombros. – Ela precisava se aceitar como ela era, e você precisava se curar. Naquela época nada daria certo se estivessem próximas porque às vezes só amar não é o suficiente, Marcela. Eu sabia que amor existia entre vocês, mas não existia confiança, respeito, lealdade e principalmente companheirismo. No fim das contas, valeu a pena o tempo longe, não foi?

Renata me perguntou com um sorriso nos lábios e, eu novamente olhei para minha mulher e minha filha. Gabriela agora estava jogada no colo da mãe e ambas gargalhavam de alguma coisa aleatória. Nossos olhos se encontraram por um momento e fui presenteada com um lindo sorriso que nasceu no rosto de Hanna. Em resposta, sorri de volta vendo-a falar alguma coisa no ouvido de Gabriela enquanto apontava em minha direção. Gabriela então acompanhou o gesto da mãe e finalmente os olhinhos da minha filha faiscaram quando cruzaram com os meus, deixando um lindo sorriso rasgar seu rostinho. Meu coração bateu forte… fitei novamente os olhos de Renata que me analisavam com expectativa

– Sim, valeu muito a pena!

A contagem regressiva para a virada do ano começou sob o céu estrelado.

10, 9, 8...

Olhei para Hanna, depois para Gabriela. O brilho dos fogos refletia em nossos olhos. Não era apenas a entrada de um novo ano, era a consagração da nossa família.

— Faltava só esse momento para reescrevermos nossa história, não é? — Ela disse, com a voz embargada de emoção.

— Agora sim, tudo está como deveria ser. — Respondi, puxando-a para um beijo que selava o nosso destino. — Obrigada pela família que você me deu.

— Pela família que nós estamos construindo, Marcela. Juntas!

— Sempre juntas!

Nossos lábios se uniram em uma promessa silenciosa, selada pelo amor que, contra todas as probabilidades, sempre foi o nosso porto seguro.

Fim do capítulo


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