• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Mundos invertidos
  • Capitulo 13

Info

Membros ativos: 9620
Membros inativos: 1625
Histórias: 2001
Capítulos: 21,175
Palavras: 53,726,301
Autores: 817
Comentários: 109,191
Comentaristas: 2603
Membro recente: Photos for my escort applicati

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • O e-book do Desafio das Imagens do Lettera — Maio de 2026 chegou!
    Em 25/06/2026
  • Desafio das Imagens 2026
    Em 23/04/2026

Categorias

  • Romances (890)
  • Contos (478)
  • Poemas (237)
  • Cronicas (233)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Meu algodão doce
    Meu algodão doce
    Por Scrafeno
  • ObsessivaMente
    ObsessivaMente
    Por Elin Varen

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • Linha Dubia
    Linha Dubia
    Por Nathy_milk
  • Impulsos de Sinais
    Impulsos de Sinais
    Por Sorriso

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (890)
  • Contos (478)
  • Poemas (237)
  • Cronicas (233)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Mundos invertidos por Natalia S Silva

Ver comentários: 0

Ver lista de capítulos

Palavras: 8614
Acessos: 176   |  Postado em: 21/07/2026

Capitulo 13

Victoria 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A sala parecia menor depois da voz de Rick estalar no meu ouvido.

Cada palavra dele ficou latejando dentro de mim, como um chicote: desconfiança, perda de controle, ameaça velada. Ele me cobrava firmeza, me cobrava limites. Mas a verdade é que eu já não sabia mais onde terminava a missão e onde começava o que eu sentia.

 

Quando o ponto silenciou, quando fiquei sozinha com o som da minha própria respiração, a primeira coisa que fiz foi olhar para ela.

 

Yelena estava ali, largada sobre o sofá, tragando o cigarro como se nada tivesse acontecido. Mas eu sabia. Eu vi no jeito que ela desviou o olhar por um segundo. Ela também tinha ouvido tudo. Ela sabia da ferida que aquilo abrira em mim.

 

Eu devia odiá-la. Era o certo. Era o que Rick queria que eu fizesse.

Mas quando vi o jeito que a fumaça se desmanchava ao redor dela, quando vi a curva de seus lábios e a sombra de algo nos olhos verdes, percebi que não havia volta. Eu não ia conseguir deixá-la de lado naquela noite.

 

 

(Yelena) — Ele não confia em você. — ela disse, depois de longos segundos de silêncio.

 

 

Foi como levar outro soco no estômago.

 

 

(Vick) — E você confiaria? — devolvi, amarga, com a voz mais baixa do que pretendia.

 

 

Ela não respondeu. Apenas tragou devagar, como se não quisesse me dar o alívio de uma resposta. E ainda assim, no silêncio dela, eu senti que não era uma negativa.

 

Eu me virei para a janela, tentando me afastar. A noite lá fora estava pesada, abafada, quase sufocante. O ar parecia grosso demais para entrar nos pulmões. Mas não foi o calor do verão que me incomodou, foi o calor dela, tão próximo, tão impossível de ignorar.

 

Eu deveria ter ido embora. Eu deveria ter saído daquela sala, colocado um ponto final antes que fosse tarde demais.

Mas quando o sofá rangeu e ouvi seus passos lentos em minha direção, minhas pernas não obedeceram.

 

Ela parou atrás de mim. Não me tocou. Não precisou. O simples fato de estar ali, tão perto, já fazia meu corpo tremer.

 

 

(Yelena) — Talvez seja a última vez. — ela murmurou, a voz baixa, rouca, como uma confissão.

 

 

Fechei os olhos. O coração disparou, e eu sabia exatamente do que ela falava. O armazém, a batida, o risco. Nada garantia que haveria um amanhã para nós. Talvez por isso eu me virei tão rápido, talvez por isso não hesitei quando nossas bocas se encontraram de novo.

 

Não havia mais espaço para orgulho, nem para negação.

Beijei-a como quem se agarra à beira de um abismo. Ela me puxou pela cintura, forte, desesperada, e eu correspondi com a mesma fome.

 

Caímos no sofá entre beijos, mordidas, mãos trêmulas que não sabiam se queriam destruir ou adorar. Eu a odiava. Eu me odiava mais ainda. Mas cada vez que ela deslizava os lábios pela minha pele, cada vez que sua mão me prendia no lugar exato, eu sentia que não havia escolha.

 

Era inevitável. Era cruel. Era perfeito.

 

 

(Yelena) — Diz que não sente nada por mim. — ela provocou de novo, prendendo meus pulsos acima da cabeça.

 

 

Eu quis mentir. Eu quis repetir a frase que me mantinha de pé. Mas o que escapou foi um gemido, e depois um sussurro quebrado:

 

 

(Vick) — Eu odeio você… porque não consigo parar.

 

 

Ela sorriu contra meu pescoço, um sorriso amargo, vitorioso e triste ao mesmo tempo.

 

 

(Yelena) — Então odeie até o fim.

 

 

E eu odiei. Passei a noite inteira odiando o quanto a queria, odiando o quanto meu corpo se rendia, odiando o quanto meu coração já não me obedecia.

 

Nos perdemos uma na outra repetidas vezes, sem falar de futuro, sem falar de missão, sem falar de nada além do presente. Cada vez que o silêncio caía, um toque, um beijo ou um suspiro voltava a preencher o espaço. Era como se a noite fosse infinita e, ao mesmo tempo, já estivesse marcada para acabar.

 

Quando o cansaço finalmente me venceu, estava deitada em seus braços. A respiração dela contra meu cabelo era lenta, quase tranquila, mas eu sabia que ela não dormia. Yelena nunca se permitia descansar de verdade.

 

Eu queria dizer algo. Qualquer coisa. Mas as palavras ficaram presas. Então fechei os olhos e guardei em mim o peso daquela última vez.

 

Porque no fundo eu sabia, que amanhã, tudo mudaria.

E a dor de saber disso só me fez a segurar mais forte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A manhã começou sem sol.

Ou talvez fosse apenas o quarto, as cortinas pesadas bloqueavam a claridade, deixando a sensação de que ainda era madrugada. Eu estava acordada antes de ouvir o celular vibrar em algum canto da mesa. Não dormi de verdade. Passei a noite em um estado estranho, meio vigília, meio torpor, sentindo o peso do corpo dela ao meu lado.

 

Quando Yelena se moveu, foi direto. Nenhum gesto suave, nenhuma hesitação. Apenas se ergueu, jogou as pernas para fora da cama e começou a se vestir, como se a noite anterior não tivesse sido nada além de uma pausa funcional entre dois turnos de trabalho.

 

Eu a observei em silêncio.

Primeiro a calça preta justa, de tecido grosso, marcada por um cinto pesado. Depois a regata escura, simples, quase masculina, que deixava expostos os músculos definidos de seus braços, cheios de tatuagem. O casaco de couro veio em seguida, o zíper subindo até a metade, deixando parte do decote à mostra. Por fim, as botas: grossas, práticas, de sola forte, o som das fivelas ecoando pelo quarto enquanto ela as ajustava.

 

Era tão prática, tão objetiva, que parecia não se importar com a beleza bruta que emanava dali. Mas eu me importava. Eu não conseguia desgrudar os olhos. A cada movimento, Yelena me parecia ainda mais inalcançável, alguém feita de concreto e aço, enquanto eu ainda estava despida, tentando costurar de volta a carne que ela deixara em pedaços.

 

Quando terminou, acendeu um cigarro. Nem me olhou. Sentou-se na poltrona ao lado da janela, pernas abertas, cotovelo apoiado no joelho, tragando como se fosse parte do desjejum.

E foi então que notei a garrafa. Metade de vodka, aberta na mesa de cabeceira. Ela serviu um copo pequeno, deu um gole seco, e apenas depois soltou a fumaça do cigarro.

 

Eu senti o estômago se revirar. Quem começa o dia assim?

Mas era Yelena. Sempre foi assim. O excesso era a forma dela de lidar com o mundo.

 

Suspirei fundo e me obriguei a sair da cama. O ar estava frio contra minha pele, e por um instante me senti frágil, exposta, vulnerável. Não queria que ela me visse assim. Não depois da noite anterior. Então tratei de me recompor.

 

Escolhi a calça social escura, justa o bastante para moldar minhas pernas, mas formal, a peça que me lembrava quem eu era, agente, profissional, alguém que não podia se perder. A camisa branca, impecável, com os botões alinhados até o pescoço. Sobre ela, o blazer acinturado, quase um uniforme. Os sapatos de salto baixo completaram o figurino, duros, incômodos, mas perfeitos para sustentar a máscara que eu precisava.

 

Passei o batom discreto no espelho do banheiro, ajeitei o cabelo com firmeza.

Por fora, parecia pronta. Por dentro, era ruína.

 

Antes de sair, toquei discretamente o ponto no ouvido, conferindo comunicação. A voz abafada da equipe veio logo em seguida:

 

 

(Rick) — Linha limpa. Aguardamos o movimento.

 

 

Respondi de forma seca, profissional.

 

 

(Vick) — Em deslocamento em breve. Mantenham posição.

 

 

Yelena me observava pelo reflexo. Não disse nada, apenas bebeu mais um gole, tragou mais um cigarro. Aquilo me corroía, mas também me fortalecia. Se ela podia se esconder atrás daquela couraça, eu podia me esconder atrás da minha.

 

Sem café da manhã, sem uma palavra trocada, descemos.

 

O Aston Martin já esperava na garagem subterrânea. O carro dela, o reflexo perfeito de quem era: potência, luxo e perigo em linhas elegantes. Yelena tomou o volante como quem vestia mais uma peça de roupa. Eu entrei no banco ao lado, o cinto atravessando meu peito, o coração batendo forte como se quisesse pular para fora.

 

O silêncio no carro era absoluto. O ronco do motor era a única trilha sonora.

E ainda assim, o espaço entre nós parecia cheio de palavras não ditas.

 

Quando nos aproximamos do armazém, ela reduziu a velocidade. E foi então que aconteceu.

 

Sem aviso, Yelena virou o rosto para mim. Uma das mãos deixou o volante e alcançou meu queixo, firme, como sempre. Seus olhos verdes me atravessaram em um segundo, e então seus lábios tocaram os meus em um beijo rápido, seco, quase cruel.

Mas eu senti o gosto de despedida nele.

Não havia paixão ali, não havia luxúria. Apenas um adeus silencioso, frio, inevitável.

 

Antes que eu pudesse reagir, ela soltou meu rosto e saiu do carro. Contornou com calma, abriu a porta do passageiro para mim, como um cavalheiro antigo. Eu, por dentro, estava prestes a despencar.

Mas por fora… por fora eu sorri. Vesti a máscara de namorada, de parceira, de cúmplice. Era isso que esperavam de mim.

 

Caminhamos juntas para dentro do galpão.

 

Lá dentro, o império respirava.

Viktor estava no centro, erguido como um rei em seu trono invisível. A voz grave ecoava, distribuindo ordens. Fardos de mercadoria empilhados ao fundo, homens indo e vindo com pranchetas, outros apenas armados, de olhos atentos.

 

Dimitri estava recostado em uma pilha de caixas, sorriso debochado nos lábios, olhando para mim como quem saboreava um segredo. O olhar dele dizia: nada do que Yelena disse importa, nada vai mudar. E aquilo me queimava.

 

Melissa, ao contrário, parecia viver em outro mundo. Rodopiava pelo espaço como se fosse um salão de baile, os saltos finos batendo no concreto, a saia curta oscilando. Ria, se inclinava para Viktor de tempos em tempos, tocava-lhe o braço com aquela intimidade teatral de mulher troféu. Era um enfeite, mas um enfeite consciente de seu papel.

 

Eu segui firme, o sorriso treinado nos lábios, sem deixar que minhas mãos tremessem. Era para isso que eu estava ali. Para me manter inteira diante deles, mesmo quebrada por dentro.

 

Yelena não disse nada. Sentou-se em uma cadeira encostada na parede, pernas abertas, um cigarro novo entre os dedos. Observava tudo com aquele sorriso nos lábios, um sorriso quase divertido. Mas os olhos… os olhos não sorriram. Eles estavam cansados, fundos, cheios de algo que nem a fumaça conseguia esconder.

 

Viktor falava sobre novas cargas, sobre rotas a serem abertas, sobre contatos no leste europeu. A voz dele era firme, inquestionável. A cada ordem, um homem se movia, uma anotação era feita, uma engrenagem girava.

 

Eu fiquei ali, ao lado de Yelena, calada, imóvel. Por dentro, estava quebrada.

Mas por fora, eu era exatamente o que eles precisavam que eu fosse.

 

E enquanto Dimitri sorria, enquanto Melissa rodopiava, enquanto Viktor reinava, eu só conseguia pensar: a última vez.

 

A última vez que acordei nos braços dela.

A última vez que vesti essa pele de mentira.

A última vez que me permiti acreditar que poderia ser diferente.

 

E talvez fosse melhor assim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O barulho veio primeiro como um rugido distante, quase abafado pelo eco metálico do galpão. Mas não demorou a se transformar em algo ensurdecedor. O zunido pesado das hélices cortando o ar, os estalos de pneus sobre o asfalto, o frear brusco de veículos grandes. O som daquilo que eu sempre temi e ao mesmo tempo esperei.

 

Meus olhos correram pelo ambiente, os homens de Viktor, até então relaxados, se entreolhavam inquietos, alguns já de armas nas mãos. Melissa, que minutos antes girava em torno dele como uma borboleta ornamentada, agora estava pálida, os olhos arregalados, agarrada ao braço do chefe. Dimitri foi o primeiro a reagir de fato, a boca aberta num riso nervoso que não escondia a tensão:

 

 

(Dimitri) — O que é isso, pai? — perguntou, mas a mão dele já estava fechada sobre a pistola.

 

 

E então o grito veio, estridente, em russo carregado, de um dos guardas na porta lateral:

 

 

— A polícia!

 

 

O armazém explodiu em caos.

 

Homens correram em todas as direções, armas apontadas, vozes sobrepostas em ordens. Viktor se levantou de sua cadeira como uma fera acuada, o rosto rubro, os olhos faiscando ódio:

 

 

(Viktor) — Filhos da puta! Como isso aconteceu?

 

 

Melissa choramingava, puxando o braço dele, mas ele a empurrou como se fosse nada, vociferando ordens que ninguém parecia ouvir.

 

E eu… eu não conseguia mover um músculo.

 

Porque ao meu lado, no meio da tempestade, ela permanecia sentada.

Yelena.

 

O cigarro ainda queimava entre seus dedos, e ela tragava como se o mundo não estivesse desabando sobre nossas cabeças. O rosto dela não tinha pressa, não tinha medo, só aquele sorriso de canto, preguiçoso, insolente. Mas os olhos… ah, os olhos. Eles não estavam ali. Estavam distantes, vidrados em um ponto que eu nunca alcançaria.

 

Meu coração batia tão rápido que parecia prestes a rasgar meu peito. Eu sabia o que viria. E mesmo assim, não estava preparada.

 

O portão principal arrebentou com um estrondo metálico. Vans pretas, caminhões blindados, fileiras de homens da força tática surgindo como um exército implacável. Os helicópteros acima lançavam feixes de luz que entravam pelas frestas, iluminando aquele teatro de guerra.

 

 

— FBI! Mãos na cabeça! Ninguém se mexe! — vozes potentes reverberaram, e em segundos, armas automáticas estavam apontadas em todas as direções.

 

 

A reação da organização foi curta, instintiva, mas inútil. Um disparo isolado, depois outro. Mais gritos. E de repente os homens de Viktor estavam no chão, rendidos, com joelhos cravados em suas costas e algemas sendo cerradas em pulsos.

 

Vi Melissa ser agarrada por dois agentes, esperneando, a maquiagem borrando-se em lágrimas. Vi Dimitri xingar, cuspir, resistir até ser esmagado contra o concreto, o rosto arrastado para baixo por um policial que não demonstrava paciência.

 

E vi Viktor, o todo-poderoso Viktor, urrar maldições enquanto era empurrado de joelhos, os punhos torcidos para trás. A imagem dele assim, derrotado, deveria ter me dado satisfação. Mas tudo o que senti foi uma estranha náusea, porque não era nele que meu olhar estava preso.

 

Era nela.

 

Yelena apagou o cigarro no chão com a ponta da bota. Se levantou devagar, como quem se espreguiça ao acordar de um sonho. A fumaça ainda escapava de seus lábios, e no meio do caos, ela parecia a única figura que não pertencia àquele cenário.

 

E então ela caminhou. Não para os agentes que gritavam ordens, não para o irmão, não para o pai. Ela caminhou até mim.

 

Meus pés estavam colados ao chão, minhas mãos tremiam, meu ouvido zunia com as vozes no ponto. Eu ouvia Rick ordenando, Lena gritando coordenadas, Ethan quase rosnando. Eles surgiram ali, com coletes e armas em punho. Mas tudo parecia distante, como se eu estivesse debaixo d’água.

 

Ela parou diante de mim.

 

Os olhos dela, verdes, me atravessaram. E sem uma palavra, ela estendeu os punhos na minha direção.

 

Meu ar se partiu.

 

 

(Vick) — Não… — sussurrei, sem som real, apenas o movimento dos meus lábios.

 

 

Ela inclinou a cabeça, quase como quem se diverte com minha hesitação. Mas não havia sarcasmo, não havia deboche dessa vez. Só aquela calma devastadora.

 

 

(Yelena) — Vamos, malishka — murmurou baixo, para que só eu ouvisse. — É você quem deve.

 

 

Meu coração gritou para correr, para recusar, para gritar que não. Mas minhas mãos, minhas malditas mãos de agente, se moveram por instinto. Toquei os pulsos dela, frios, fortes, e deslizei as algemas que já estavam prontas na bolsa. O clique metálico ecoou mais alto do que qualquer tiro.

 

Eu a algemei.

 

E naquele instante, tudo dentro de mim quebrou.

 

Ela sorriu. Um sorriso pequeno, quase terno, que ninguém mais notou. Mas eu vi. Eu senti.

 

Atrás de nós, passos apressados. Rick, sempre o mais centrado, surgindo para tomar controle da situação. Atrás dele, Marcus com a arma em punho, Lena verificando prisioneiros, e Ethan… Ethan queimando de ódio, os olhos fixos em Yelena como se quisesse despedaçá-la com as próprias mãos.

 

Ele avançou. Eu vi. Mas Rick o segurou pelo braço, firme, murmurando algo rápido. Ethan se desvencilhou, mas não passou dali. Ainda assim, o olhar dele em mim era uma acusação.

 

E eu não podia encará-lo. Não podia encarar ninguém.

 

Segurei Yelena pelo braço, firme demais, como se a dureza do gesto fosse suficiente para conter o turbilhão que me destruía por dentro. Ela inclinou o corpo ligeiramente em minha direção, o perfume de tabaco e álcool me atingindo como uma lembrança cruel.

 

 

(Yelena) — Eu disse que terminaria assim, não disse? — ela sussurrou, e havia um rastro de ironia, mas também algo que soava como… carinho.

 

 

Meu estômago se contorceu.

 

 

(Vick) — Cala a boca, Yelena. — Minha voz falhou, mas eu não podia demonstrar fraqueza. Não agora.

 

 

Ela sorriu de novo. Um sorriso de quem sempre soube.

 

Atrás de nós, Viktor rugia enquanto era levado, Dimitri cuspia insultos, Melissa chorava alto. O armazém inteiro era tomado pela vitória da lei, ou pelo menos, era assim que deveria parecer. Mas dentro de mim não havia vitória alguma. Só ruínas.

 

Porque no meio de todos os que caíam, ela escolheu ser derrubada por mim.

E eu não sabia como suportar esse peso.

 

 

(Vick) — Está feito — murmurei, mas minha voz soou mais pra mim mesma do que pra qualquer outro.

 

 

Ela abriu os olhos e sussurrou, tão baixo que só eu ouvi:

 

 

(Yelena) — Já sabia que terminaria assim, Vick.

 

 

O apelido queimou em mim. Engoli seco e puxei o ar com força, obrigando-me a me mover.

 

Atrás, ouvi Ethan xingando, tentando avançar. Rick o segurou com firmeza. Lena já dava ordens rápidas para o time de contenção, e Marcus coordenava os transportes. Tudo funcionava como um relógio. Tudo, menos eu.

 

 

Do lado de fora, as luzes vermelhas e azuis das viaturas cortavam o céu, piscando como facas. O barulho ensurdecedor dos helicópteros ainda pairava, e eu precisava quase gritar pra que ela me ouvisse.

 

 

(Vick) — Anda. — puxei-a pelo braço.

 

 

Ela não resistiu. Caminhou ao meu lado como se fosse só mais um passo em uma longa dança que já conhecia de cor. O contraste era brutal: homens sendo arrastados à força, Dimitri cuspindo sangue e insultos, Melissa chorando histérica enquanto dois agentes a conduziam, e Yelena... calma. Sempre calma.

 

Quando passamos por Ethan, o olhar dele queimou em mim. Eu sabia o que ele estava pensando: que eu estava comprometida, que havia algo errado, que eu já não era a mesma agente que entrou nessa missão meses atrás. Ele não precisou falar. A raiva nos olhos dele dizia tudo.

 

Mas foi Rick quem se aproximou, tocando meu ombro.

 

 

(Rick) — Bom trabalho, Hartley. — disse firme, mas sua voz tinha uma gravidade que não era de vitória, e sim de peso.

 

Assenti sem responder. Não havia nada de “bom” ali.

 

 

Coloquei Yelena na viatura. O banco de trás parecia pequeno demais pra ela. Ela sentou-se com as mãos algemadas à frente, pernas cruzadas, cigarro imaginário preso entre os lábios. Não havia cigarro, mas ela mantinha o gesto, aquele deboche silencioso.

 

Sentei ao lado dela. Não era meu papel, mas não consegui ficar na frente com os outros. Eu precisava vê-la, precisava ter certeza de que ela não sumiria no caminho.

 

 

(Yelena) — Vai me olhar assim o tempo todo? — ela provocou, com um sorriso cansado.

 

 

(Vick) — Cala a boca. — minha voz saiu seca.

 

 

(Yelena) — Você ainda treme... — ela inclinou a cabeça, analisando cada traço meu. — ... mas não sei se é de raiva ou de medo.

 

 

Virei o rosto, encostando a testa no vidro gelado da janela. Lá fora, as ruas de Nova York passavam rápido, mas eu não enxergava nada.

 

 

(Vick) — Você não entende, Yelena. — sussurrei. — Nunca entendeu.

 

 

Ela deu uma risada baixa.

 

 

(Yelena) — Entendo mais do que você imagina, kotyonok.

 

 

O apelido em russo me atingiu como um soco. Pisquei forte, tentando conter as lágrimas que ameaçavam. Eu não podia. Não ali. Não diante de todos.

 

 

 

 

 

 

 

O prédio iluminado do FBI parecia mais intimidador do que nunca. Vários agentes já nos esperavam na entrada, documentos em mãos, rádios tilintando. Assim que a porta da viatura abriu, Yelena inspirou fundo o ar da manhã como se fosse um último gole de liberdade.

 

 

Yelena) — Última parada? — perguntou, olhando pra mim.

 

 

Não respondi. Apenas a puxei pelo braço.

 

Ethan estava na porta, braços cruzados, expressão de ódio puro. Quando passamos por ele, Yelena sorriu, lenta, provocativa.

 

 

(Yelena) — Ainda vai me odiar quando sonhar comigo à noite? — sussurrou perto dele.

 

 

Ethan quase avançou, mas Rick interveio de novo. Eu continuei andando, firme, ignorando tudo.

 

Dentro, o ambiente era de guerra vencida: mapas, rádios ainda chiando, pastas sendo carregadas às pressas, vozes tensas. Mas pra mim, não havia vitória. Havia só o barulho surdo do meu coração, e a lembrança das mãos dela no meu corpo, poucas horas antes.

 

 

 

 

 

 

Colocaram-na na sala de interrogatório. O vidro espelhado refletia minha própria imagem quando fiquei sozinha, do lado de fora, olhando. Ela sentou-se ali, algemada à mesa, pernas cruzadas, expressão tranquila demais. Como se o mundo inteiro fosse só mais uma peça no seu tabuleiro.

 

E eu... eu me vi no reflexo. Olhos vermelhos, corpo cansado, roupa desalinhada. Não parecia a agente que jurou nunca se envolver. Parecia uma mulher quebrada, em frangalhos, tentando lembrar por que diabos começou tudo isso.

 

Rick entrou na sala ao meu lado. Não falou nada por alguns segundos. Apenas me observou, até finalmente soltar:

 

 

(Rick) — Você fez o que tinha que fazer.

 

 

Balancei a cabeça devagar.

 

 

(Vick) — Eu não sei mais o que fiz.

 

 

Ele suspirou, pesando as palavras antes de responder.

 

 

(Rick) — Não se perca, Hartley. Ela é só mais uma peça.

 

 

Mas quando olhei pelo vidro, vi Yelena levantar os olhos e sorrir... direto pra mim. Como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. Como se nada tivesse acabado.

 

E naquele instante, percebi que não era só mais uma peça. Nunca tinha sido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A porta se fechou atrás de mim com um estalo seco, abafado pelo silêncio pesado do meu apartamento, o verdadeiro, não o da infiltração, não o palco montado para uma vida falsa, mas o único espaço que ainda era meu. Encostei as costas na madeira e deslizei até sentar no chão. O peso de tudo o que acontecera desabou sobre mim. Eu não conseguia respirar direito, e a sensação era de que algo dentro de mim tinha sido arrancado de forma brutal.

 

A imagem de Yelena, calma, oferecendo os pulsos para mim, me perseguia como uma sombra viva. Ela não lutou, não gritou, não fugiu. Apenas me olhou, com aquele meio sorriso e olhos distantes, e entregou-se a mim. A mim. Eu deveria me sentir vitoriosa. Era isso que Rick queria. Era isso que Ethan esperava. Era o desfecho perfeito para meses de infiltração. Mas a única coisa que eu sentia era dor.

 

Levantei com esforço, tropeçando até o sofá. Joguei a bolsa de qualquer jeito, chutei os sapatos para longe e caí de bruços nas almofadas. Não queria pensar, mas minha mente não desligava. Cada toque da noite anterior, cada palavra sussurrada, cada olhar trocado queimava na minha pele. Eu queria odiá-la. Precisava odiá-la. Mas quanto mais tentava, mais a lembrança me corroía.

 

Foi então que a campainha tocou. Uma vez. Duas. Três.

 

Ignorei. Enterrei o rosto no sofá, como se pudesse me esconder de tudo e todos. Mas a insistência continuou, agora acompanhada de batidas leves na porta. Suspirei, irritada, e me arrastei até a entrada. Quando abri, o que vi me arrancou o pouco de ar que ainda me restava.

 

Lena estava ali. O cabelo preso de qualquer jeito, uma jaqueta de couro escura jogada sobre os ombros e, na mão, uma garrafa de vodka quase intacta. O sorriso dela era pequeno, cúmplice, mas os olhos denunciavam que ela sabia exatamente em que estado eu estava.

 

 

(Lena) — Eu sabia que você não ia querer companhia — disse ela, erguendo a garrafa como quem oferece um trunfo —, mas também sabia que você precisava.

 

 

A frase foi a chave para desmontar a última barreira que eu ainda segurava. As lágrimas simplesmente começaram a escorrer. Eu não queria chorar na frente dela, mas meu corpo não me obedecia. Lena não hesitou: entrou, fechou a porta atrás de si e me puxou para um abraço apertado.

 

O calor do corpo dela me envolveu, e, pela primeira vez naquele dia, eu não lutei contra a sensação de vulnerabilidade. Apoiei a testa no ombro dela, soluçando baixo, enquanto ela apenas passava a mão pelas minhas costas, em movimentos lentos e constantes.

 

 

(Lena) — Acabou, Vick — murmurou — Você fez o que tinha que fazer.

 

 

Afastei-me um pouco, fungando, e a encarei. 

 

 

(Vick) — Não, Lena. Você não entende... — minha voz falhou, e eu respirei fundo — Eu entreguei ela. Eu.

 

 

Os olhos de Lena suavizaram. 

 

 

(Lena) — E quem mais faria isso, se não você? Você era a única que ela deixaria.

 

 

As palavras me atingiram como uma faca. Era verdade. Yelena não teria se entregado a ninguém além de mim. Isso deveria ser uma vitória. Mas soava como uma maldição.

 

Seguimos para a sala. Lena abriu a garrafa de vodka e serviu em dois copos que encontrou no meu balcão. Sentamo-nos no chão, de frente uma para a outra, e o primeiro gole queimou minha garganta.

 

 

(Lena) — Sabe... — ela começou, girando o copo entre os dedos — todo mundo ouviu pelo ponto.

 

 

Meu coração congelou. 

 

 

(Vick) — O quê?

 

 

Ela assentiu. 

 

 

(Lena) — A noite de vocês. A discussão. O jeito como ela falou com você... e o jeito como você falou com ela. O sex*…

 

 

Engoli em seco. O copo na minha mão parecia mais pesado do que era. 

 

 

(Vick) — Então... vocês sabem que eu dormi com ela. Eu sabia que tinham ouvido… eu… eu esqueci do microfone.

 

 

(Lena) — Vick... — Lena apoiou o cotovelo no joelho e o queixo na mão, me observando com seriedade — você não precisa se justificar.

 

 

(Vick) — Preciso, sim. — A raiva em mim não era contra ela, mas contra a situação. — Eu sou agente federal, Lena. Não posso me envolver. Não com o alvo. Não com alguém que eu deveria derrubar. E mesmo assim... — meus olhos arderam de novo — foi o melhor sex* da minha vida.

 

 

O silêncio se estendeu por alguns segundos. Então, Lena sorriu, um sorriso triste, mas cheio de compreensão. 

 

 

(Lena) — Eu entendo.

 

 

(Vick) — Entende? — perguntei, quase rindo de nervoso.

 

 

(Lena) — Claro que entendo. — Ela deu um gole direto da garrafa, depois me olhou com aquela clareza que sempre me deixava desconfortável. — Ela é intensa, magnética, perigosa... e ainda assim, você se sente segura perto dela. Não é?

 

 

Minha boca secou. Eu não conseguia negar.

 

 

(Lena) — Foi por isso que você se apaixonou, Victoria.

 

 

As palavras dela caíram no ar como uma confissão roubada. Eu engoli em seco, olhando para o líquido transparente no meu copo, como se nele estivesse a resposta para tudo.

 

 

(Vick) — Eu não posso ter me apaixonado — sussurrei, mais para mim do que para ela. — Não posso.

 

 

Lena se aproximou, pegou minha mão e apertou com firmeza. 

 

 

(Lena) — Não escolhemos por quem nos apaixonamos. E você... você estava sozinha naquela missão. Ela era a única que realmente te via ali dentro.

 

 

Fechei os olhos. As lágrimas voltaram, mas agora sem resistência. Eu deixei que caíssem. Lena não me julgava, não me apressava. Apenas ficou ali, comigo, dividindo o peso.

 

Falamos sobre a missão. Sobre cada passo da infiltração, sobre como tudo parecia um teatro montado para um fim que, agora, soava amargo. Conversamos sobre Yelena: sua calma, suas provocações, seu jeito de me despir com os olhos. Lena ouvia, comentava, mas nunca me condenava.

 

Quando mencionei a última noite, o jeito como ela havia me tocado, como havia me feito esquecer o mundo inteiro, percebi um leve brilho de divertimento nos olhos de Lena.

 

 

(Lena) — Então foi mesmo tudo isso? — ela perguntou, inclinando a cabeça.

 

 

(Vick) — Foi mais do que tudo isso — respondi sem hesitar, e um riso amargo escapou. — Eu deveria sentir vergonha, mas... não consigo.

 

 

(Lena) — Não sinta — Lena murmurou. — Foi real. Talvez a única coisa real em toda essa operação.

 

 

As horas passaram, e a garrafa foi esvaziando entre nós. Eu ri em alguns momentos, chorei em outros, e Lena esteve presente em todos eles. Não me julgou, não tentou me distrair com frases prontas. Apenas me acompanhou no caos.

 

Quando a madrugada já se arrastava, percebi que não estava mais tão sufocada. A dor ainda estava lá, mas havia um espaço para respirar. Olhei para Lena, sentada no chão da minha sala, com o cabelo caindo sobre o rosto e um meio sorriso paciente, e pensei em como ela sempre parecia estar no lugar certo, na hora certa.

 

 

(Vick) — Obrigada — murmurei, com a voz rouca.

 

 

(Lena) — Pelo quê? — ela ergueu uma sobrancelha.

 

 

(Vick) — Por não me deixar afundar sozinha.

 

 

Ela sorriu de novo, dessa vez mais largo. 

 

 

(Lena) — Sempre, Vick. Sempre.

 

 

E, naquele instante, pela primeira vez desde que saí do armazém, eu me permiti acreditar que talvez eu fosse sobreviver a isso. Mesmo que uma parte de mim tivesse ficado para sempre com Yelena.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os dias que se seguiram após a operação foram como atravessar um pântano escuro e sem fim. A cada passo eu afundava mais, o ar rareava, e a sensação era de que nunca mais alcançaria chão firme. Pedi a Rick que não me envolvesse mais diretamente no caso Volkov. Dei a ele o que precisava: relatórios objetivos, informações técnicas, nada além disso. Mantive-me funcional, quase robótica. Mas estava longe de estar bem.

 

Afastei-me da equipe. Não porque não confiasse neles, pelo contrário, eram a minha família quando o sangue não bastava, mas porque não suportava o peso dos julgamentos escondidos em cada olhar. Eu sabia que Lena tentava entender, que Marcus se calava por respeito, que Rick me olhava como quem equilibra dever e afeto. Mas Ethan... Ethan me atravessava com seus olhos como se fosse capaz de arrancar de mim cada mentira, cada fraqueza. E eu não podia encarar isso.

 

Mergulhei em casos menores: roubos, extorsões, investigações rápidas que não exigiam mais do que alguns dias de dedicação. Me escondi atrás de pilhas de relatórios, interrogatórios insossos, fotografias sem cor. Mas nada era suficiente. Porque, não importava o quanto eu tentasse, de tempos em tempos uma notícia dos Volkov atravessava minhas defesas. Um boato sobre Viktor ainda movendo peças na sombra, sobre Dimitri debochando até mesmo em custódia, ou sobre Yelena... sempre Yelena.

 

Os meses se arrastaram. Até que os julgamentos começaram.

 

O tribunal se tornou o novo palco do império Volkov, só que invertido. Se antes ditavam ordens e reinavam no submundo, agora eram obrigados a desfilar diante de juízes, promotores, advogados. O brilho das luzes não era mais o do poder, mas o da exposição. E Yelena... Yelena transformou o tribunal em uma arena pessoal.

 

Diziam que Viktor urrava, perdia o controle, que Dimitri fazia piadas mesmo algemado, que cuspia insultos como um cão acuado. Mas ela, sempre ela, falava. Entregava documentos, memórias, nomes, locais. Expunha cadáveres que jamais haviam sido encontrados. Rasgava o véu que mantinha o império protegido.

 

E não havia um traço de hesitação.

 

A primeira vez que Lena me contou isso foi numa tarde chuvosa. Ela entrou na minha sala trazendo uma pilha de papéis e, no meio da conversa protocolar, soltou como quem não segurava mais:

 

 

(Lena) — Se não fosse por ela, metade do império jamais teria sido descoberto.

 

 

Eu fiquei em silêncio. Apenas fechei os olhos e deixei que aquilo atravessasse minhas defesas. Doía. Porque, no fundo, eu sabia. Eu sempre soube. Yelena odiava aquela família. Mais do que inimigos externos, mais do que a polícia, mais do que qualquer coisa. Odiava-os por dentro, por tudo o que fizeram dela, por tudo o que lhe roubaram. E era esse ódio que agora sustentava a destruição deles.

 

Mas ainda assim... eu queria vê-la.

 

Por mais contraditório, por mais insensato. Eu precisava. Era como um vício que, mesmo sabendo que destrói, você não consegue abandonar.

 

Foi assim que, no último dia do julgamento, me rendi.

 

Saí cedo do apartamento, tentando disfarçar para mim mesma o motivo. Vesti-me como quem se protege: blazer preto, calça social cinza, a camisa clara abotoada até em cima. O cabelo preso em um coque rígido, maquiagem mínima. Nada que denunciasse o que queimava dentro de mim. A expressão era fria, controlada, profissional. Mas minhas mãos tremiam no bolso.

 

Quando cheguei ao tribunal, as portas estavam tomadas de jornalistas, câmeras, flashes. Passei por eles sem responder nada, apenas mostrando minha credencial. No fundo, me perguntava se não era exatamente isso que eles esperavam: ver a agente que se envolveu demais. Mas não dei a eles a satisfação.

 

Por dentro, o ar estava pesado. O carpete absorvia passos apressados, os bancos de madeira rangiam sob o peso da ansiedade coletiva. A cada esquina, oficiais federais. A cada porta, seguranças atentos. Era um espetáculo de tensão.

 

E lá estavam eles.

 

Rick foi o primeiro que vi. Retas as costas, o semblante severo, mas os olhos suavizaram por um segundo quando me reconheceram. Ao lado dele, Marcus mexia em papéis, evitando encarar diretamente, como sempre fazia quando sabia que algo era delicado demais. Lena sorriu de leve, um sorriso cúmplice, quase encorajador. Mas foi Ethan quem me paralisou. Seus olhos estavam carregados, um mar revolto que não precisava de palavras.

 

Eu quis recuar. Quis sumir dali. Mas já era tarde. Eles me viram.

 

Rick fez um gesto breve, indicando o espaço ao lado. Eu obedeci, mecanicamente, e me sentei. O couro frio do banco me fez endireitar a postura, mas era a presença deles, cada um ao meu lado, que me prendia ainda mais.

 

O murmúrio cessou quando a porta do fundo se abriu. E então eles entraram.

 

Primeiro Viktor, algemado, mas ainda altivo, com o olhar de quem não aceitava derrota. Melissa logo atrás, chorosa, tentando preservar a imagem de mulher troféu que já não convencia ninguém. Dimitri, debochado como sempre, lançou-me um sorriso enviesado, venenoso. Era como se dissesse: Nada do que ela te contou mudou quem eu sou, pequena agente.

 

E então... Yelena.

 

O tempo não foi suficiente para quebrá-la. Os meses em custódia, os interrogatórios, as audiências, nada parecia ter corroído a postura. Entrou vestindo o uniforme bege dos detentos, mas havia nela uma elegância impossível de arrancar. O cabelo preso de qualquer jeito, algumas mechas soltas no rosto, os olhos fixos em nada e em tudo ao mesmo tempo.

 

Mas foi quando ela ergueu o olhar e nossos olhos se encontraram que meu mundo desabou.

 

Havia cansaço, havia dor, havia ironia. Mas havia também algo que só eu conseguia decifrar. Algo que talvez fosse despedida.

 

E eu tremi.

 

Fiquei ali, imóvel, enquanto o julgamento se desenrolava. Promotores falavam, advogados tentavam manobrar, testemunhas eram chamadas. Mas tudo soava distante, abafado, como se uma barreira de vidro me separasse do mundo. O único som nítido era a batida do meu coração.

 

De vez em quando, eu sentia o olhar de Yelena pousar em mim. Rápido, calculado, imperceptível para os outros. Mas suficiente para me atravessar. Suficiente para me manter presa.

 

E no meio daquela guerra de palavras, provas e estratégias, eu percebi que já não estava ali como agente. Estava ali como mulher. Como alguém que havia amado, errado, se perdido.

 

Eu estava arrasada. E não sabia como sobreviveria àquele último dia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ar do tribunal parecia pesado, como se cada respiração arrastasse junto séculos de história e peso da justiça. Eu estava sentada no banco destinado ao público, entre Rick e Lena, mas com Ethan logo adiante, sua postura rígida como um soldado prestes a atacar. Marcus, sempre sereno, mantinha os braços cruzados, mas eu conseguia sentir a tensão em sua mandíbula. Todos estávamos ali para o desfecho, e eu, apesar de ter jurado para mim mesma que não pisaria mais naquele tribunal, precisava ver com meus próprios olhos.

 

A madeira escura, polida até o brilho, refletia a luz fria do teto. O som dos papéis sendo organizados, dos sapatos contra o chão de mármore, do murmúrio abafado da plateia, tudo me parecia distante. Meus olhos estavam presos nela. Yelena. Sentada ao lado dos advogados de defesa, mas em nada lembrando alguém acuada. O cabelo preso de forma prática, os ombros retos, o queixo erguido. Não era altivez, tampouco desafio. Era resignação. Mas os olhos dela, havia algo que eu nunca conseguiria decifrar por completo.

 

A presença de Viktor dominava a sala. O velho lobo estava sentado logo à frente, imponente apesar da idade. A expressão carregada de ira e desprezo, como se aquilo fosse apenas um incômodo temporário antes de retomar o trono que acreditava ser dele por direito. Ao lado, Dimitri, o filho, exalava deboche. Braços apoiados de forma relaxada, como se estivesse num bar, não diante da justiça. Já Melissa... rodopiava inquieta no assento, ajeitando a roupa claro, os dedos brincando com os cabelos, como se quisesse estar em qualquer lugar menos ali.

 

Foi quando o juiz entrou que o silêncio se impôs. Um homem de expressão severa, olhar duro, passos firmes. Sua toga negra parecia carregar o peso do destino, e quando sua voz ecoou pela sala, meu coração disparou.

 

 

(Juíz) — Chamamos o caso Estado contra Viktor Volkov, Dimitri Volkov, Melissa Volkov e Yelena Volkov.

 

 

As costas de todos se endireitaram. O murmúrio cessou por completo. Eu me vi segurando a respiração sem perceber.

 

O juiz começou com Viktor. Sua voz grave cortava o ar.

 

 

(Juíz) — Viktor Volkov. A corte examinou cuidadosamente as evidências apresentadas: tráfico internacional de drogas, comércio ilegal de armas em larga escala, e evidências substanciais de envolvimento direto em pelo menos trinta homicídios. — o juiz fez uma pausa, deixando que cada palavra ecoasse, e eu vi Viktor erguer o queixo como se desafiasse a sentença. — Por unanimidade, o júri o considera culpado em todas as acusações.

 

 

A sala prendeu o fôlego. O juiz prosseguiu:

 

 

(Juíz) — Este tribunal sentencia Viktor Volkov a prisão perpétua em regime fechado, sem possibilidade de condicional.

 

 

O impacto foi imediato. Eu vi Viktor rir. Um riso seco, descrente, quase sarcástico. Ele bateu uma das mãos no braço da cadeira e murmurou algo em russo, que não consegui entender, mas a raiva impregnava cada sílaba. Melissa choramingou baixinho, enquanto Dimitri apenas balançava a cabeça, como se aquilo fosse uma piada de mau gosto. Eu, porém, tremi. Prisão perpétua. Era o fim de uma era, e eu tinha presenciado a queda de um império.

 

 

Em seguida, o juiz virou-se para Dimitri.

 

 

(Juíz) — Dimitri Volkov. As acusações contra você incluem envolvimento direto e consciente nas operações criminosas lideradas por seu pai. O tribunal reconhece sua participação em diversas negociações ilícitas, contrabando de armas e supervisão de carregamentos de narcóticos. — ele fez uma pausa, observando a expressão desafiadora do réu. — Além disso, há indícios de sua participação em crimes violentos associados à organização.

 

 

Dimitri sorriu de lado, como se estivesse ouvindo um elogio.

 

 

(Juíz) — O júri o considera culpado. — a voz do juiz reverberou. — A sentença é de 45 anos de prisão em regime fechado, sem possibilidade de condicional antes de cumprir 30 anos.

 

 

Um murmúrio se espalhou pela sala. Dimitri riu, sacudindo a cabeça, olhando para o público como se fosse o astro de algum espetáculo.

 

 

(Dimitri) — Quarenta e cinco anos? — murmurou em inglês, alto o suficiente para que todos ouvissem. — Velho tolo. Não vou viver tanto.

 

 

O juiz o ignorou, mas Rick, ao meu lado, cerrou os punhos. Ethan se inclinou para frente, e pude ver sua mandíbula travada, o desejo quase físico de atravessar a sala e acabar com Dimitri ali mesmo.

 

Melissa foi chamada em seguida.

 

 

(Juíz) — Melissa Volkov. — a voz do juiz suavizou apenas uma fração. — Este tribunal reconhece que sua participação na organização criminosa foi indireta. Não há provas de que tenha tomado parte ativa em negociações ou execuções. No entanto, está comprovado que tinha pleno conhecimento das atividades ilícitas da família e se beneficiou delas.

 

 

Melissa chorou. Um choro contido, quase infantil. Seus ombros tremiam, e ela balançava a cabeça em negação, repetindo baixinho: “Eu não fiz nada… eu não fiz nada.”

 

 

(Juíz) (Juíz) — O júri a considera culpada de cumplicidade e lavagem de dinheiro. Sua sentença: 10 anos de prisão em regime semiaberto, com possibilidade de condicional após 6 anos, desde que mantenha conduta exemplar.

 

 

O choro de Melissa se transformou em soluços. Ela ergueu os olhos para Viktor, buscando nele algum amparo, mas o homem nem sequer a olhou. Dimitri gargalhou, debochado:

 

 

(Dimitri) — Vai ter tempo de sobra pra aprender crochê, madrasta.

 

 

Melissa desmoronou, cobrindo o rosto com as mãos. O contraste era doloroso: um homem implacável condenado à eternidade atrás das grades, um filho debochado que achava graça da própria queda, e uma mulher troféu que agora encarava o vazio do abandono.

 

E então, chegou a vez dela.

 

 

(Juíz) — Yelena Volkov. — o nome ecoou pela sala como um tiro.

 

 

Eu prendi o ar nos pulmões. Meu coração disparou. Eu podia ouvir meu próprio sangue nos ouvidos, abafando o som ao redor. Olhei para ela. Yelena não se moveu. Apenas ergueu o rosto, tranquila, como se já soubesse o veredito antes mesmo de ser pronunciado.

 

O juiz demorou alguns segundos, lendo os papéis diante de si. Sua voz carregava algo diferente agora, uma gravidade quase solene.

 

 

(Juíz) — As acusações contra você são graves. Participação na organização criminosa, facilitação de rotas, acesso a informações estratégicas. No entanto... — ele fez uma pausa, e senti minha garganta se fechar. — Também está registrado neste tribunal que foi a principal colaboradora para a queda do império Volkov. Sua delação foi extensa, minuciosa e corroborada por provas físicas e testemunhais. Entregou não apenas os réus sentados nesta sala, mas também parceiros, contatos internacionais e informações cruciais que permitiram a localização de corpos e a apreensão de carregamentos.

 

 

As mãos começaram a tremer no meu colo. Rick olhou para mim de lado, mas não disse nada. Lena respirou fundo, como se soubesse o que estava por vir.

 

 

(Juíz) — Este tribunal reconhece sua colaboração como fator atenuante. Reconhece, também, os riscos que correrá em função de ter delatado sua própria família. Sendo assim, a sentença é de dois anos de prisão domiciliar, sob monitoramento eletrônico. Após esse período, e caso mantenha conduta exemplar, estará livre.

 

 

Eu senti o chão desaparecer sob meus pés.

 

Dois anos. Dois anos.

 

Não consegui conter o soluço que escapou da minha garganta. Eu levei a mão à boca, tentando sufocar o som, mas era tarde. O alívio me atravessou como uma lâmina afiada, doía, queimava, mas ainda assim era alívio. Ela não passaria o resto da vida atrás das grades. Ela não sumiria do mundo. Ela ainda existiria.

 

As reações ao redor foram explosivas. Ethan levantou-se de imediato, batendo a palma da mão contra o banco.

 

 

(Ethan) — Isso é uma piada! — gritou, a voz carregada de ódio. — Dois anos? Dois anos de conforto, enquanto todos os outros apodrecem?

 

 

Rick o segurou pelo braço, obrigando-o a se sentar. Marcus permaneceu em silêncio, apenas balançando a cabeça em resignação. Lena, por outro lado, apenas cruzou os braços e assentiu levemente, como quem aceitava uma verdade amarga.

 

Do outro lado da sala, Viktor praguejava em russo, cuspindo maldições, o rosto vermelho de fúria. Dimitri ria, incrédulo, como se aquilo fosse o maior espetáculo da vida. Melissa chorava ainda mais alto, agora misturando raiva e desespero.

 

E Yelena... Yelena apenas fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, olhou para frente, não para mim, não para ninguém. Havia serenidade ali, e também algo de inquebrável. Como se dissesse: “Eu sabia.”

 

Eu desmoronei. Não fisicamente, meu corpo ainda estava sentado, rígido, mas por dentro, cada muralha que eu havia erguido nos últimos meses caiu. Eu tremia, meus olhos marejados não conseguiam mais focar. Rick pousou discretamente a mão sobre minha perna, num gesto de contenção. Mas nada conseguiria me conter. Eu estava quebrada, mas aliviada. Aliviada porque, apesar de tudo, ela ainda estaria

(Juíz) — O júri a considera culpada de cumplicidade e lavagem de dinheiro. Sua sentença: 10 anos de prisão em regime semiaberto, com possibilidade de condicional após 6 anos, desde que mantenha conduta exemplar.

 

 

O choro de Melissa se transformou em soluços. Ela ergueu os olhos para Viktor, buscando nele algum amparo, mas o homem nem sequer a olhou. Dimitri gargalhou, debochado:

 

 

(Dimitri) — Vai ter tempo de sobra pra aprender crochê, madrasta.

 

 

Melissa desmoronou, cobrindo o rosto com as mãos. O contraste era doloroso: um homem implacável condenado à eternidade atrás das grades, um filho debochado que achava graça da própria queda, e uma mulher troféu que agora encarava o vazio do abandono.

 

E então, chegou a vez dela.

 

 

(Juíz) — Yelena Volkov. — o nome ecoou pela sala como um tiro.

 

 

Eu prendi o ar nos pulmões. Meu coração disparou. Eu podia ouvir meu próprio sangue nos ouvidos, abafando o som ao redor. Olhei para ela. Yelena não se moveu. Apenas ergueu o rosto, tranquila, como se já soubesse o veredito antes mesmo de ser pronunciado.

 

O juiz demorou alguns segundos, lendo os papéis diante de si. Sua voz carregava algo diferente agora, uma gravidade quase solene.

 

 

(Juíz) — As acusações contra você são graves. Participação na organização criminosa, facilitação de rotas, acesso a informações estratégicas. No entanto... — ele fez uma pausa, e senti minha garganta se fechar. — Também está registrado neste tribunal que foi a principal colaboradora para a queda do império Volkov. Sua delação foi extensa, minuciosa e corroborada por provas físicas e testemunhais. Entregou não apenas os réus sentados nesta sala, mas também parceiros, contatos internacionais e informações cruciais que permitiram a localização de corpos e a apreensão de carregamentos.

 

 

As mãos começaram a tremer no meu colo. Rick olhou para mim de lado, mas não disse nada. Lena respirou fundo, como se soubesse o que estava por vir.

 

 

(Juíz) — Este tribunal reconhece sua colaboração como fator atenuante. Reconhece, também, os riscos que correrá em função de ter delatado sua própria família. Sendo assim, a sentença é de dois anos de prisão domiciliar, sob monitoramento eletrônico. Após esse período, e caso mantenha conduta exemplar, estará livre.

 

 

Eu senti o chão desaparecer sob meus pés.

 

Dois anos. Dois anos.

 

Não consegui conter o soluço que escapou da minha garganta. Eu levei a mão à boca, tentando sufocar o som, mas era tarde. O alívio me atravessou como uma lâmina afiada, doía, queimava, mas ainda assim era alívio. Ela não passaria o resto da vida atrás das grades. Ela não sumiria do mundo. Ela ainda existiria.

 

As reações ao redor foram explosivas. Ethan levantou-se de imediato, batendo a palma da mão contra o banco.

 

 

(Ethan) — Isso é uma piada! — gritou, a voz carregada de ódio. — Dois anos? Dois anos de conforto, enquanto todos os outros apodrecem?

 

 

Rick o segurou pelo braço, obrigando-o a se sentar. Marcus permaneceu em silêncio, apenas balançando a cabeça em resignação. Lena, por outro lado, apenas cruzou os braços e assentiu levemente, como quem aceitava uma verdade amarga.

 

Do outro lado da sala, Viktor praguejava em russo, cuspindo maldições, o rosto vermelho de fúria. Dimitri ria, incrédulo, como se aquilo fosse o maior espetáculo da vida. Melissa chorava ainda mais alto, agora misturando raiva e desespero.

 

E Yelena... Yelena apenas fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, olhou para frente, não para mim, não para ninguém. Havia serenidade ali, e também algo de inquebrável. Como se dissesse: “Eu sabia.”

 

Eu desmoronei. Não fisicamente, meu corpo ainda estava sentado, rígido, mas por dentro, cada muralha que eu havia erguido nos últimos meses caiu. Eu tremia, meus olhos marejados não conseguiam mais focar. Rick pousou discretamente a mão sobre minha perna, num gesto de contenção. Mas nada conseguiria me conter. Eu estava quebrada, mas aliviada. Aliviada porque, apesar de tudo, ela ainda estaria lá fora.

 

E esse era meu maior tormento.

 

 

 

 

 

 

 

lá fora.

 

E esse era meu maior tormento.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fim do capítulo


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 13 - Capitulo 13:

Sem comentários

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web