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Mundos invertidos por Natalia S Silva

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Palavras: 6497
Acessos: 218   |  Postado em: 21/07/2026

Capitulo 14

Yelena

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fui a última a ser retirada da sala do tribunal. As algemas frias mordiam meu pulso, mas nada doía tanto quanto a lembrança do olhar dela, de Victoria, frágil, quebrada, tentando segurar as próprias lágrimas enquanto eu era levada de volta. Não sei se o que vi foi dor, raiva ou amor, talvez todos os três. Mas ficou marcado em mim como ferro em brasa. Eu, que aprendi a nunca me apegar, a nunca me deixar tocar de verdade… e lá estava ela, a única fraqueza que me restava.

 

Naquela noite não dormi. O presídio parecia mais sufocante que nunca, como se as paredes adivinhassem minha liberdade parcial já escrita nos papéis. O eco das chaves dos guardas, as vozes abafadas de outras detentas, tudo me parecia distante. Eu fiquei deitada, observando o teto manchado, sentindo a respiração contida dentro do peito. Dois anos de prisão domiciliar. Eu, Yelena Volkov, destinada a me mover no mundo, agora presa dentro de um apartamento. Ironia maior que essa?

 

No dia seguinte, depois de horas de burocracia, eles me chamaram. Me entregaram o novo acessório: uma tornozeleira eletrônica, discreta, preta, como uma corrente moderna. Sorri quando o guarda a colocou em mim. Ele desviou o olhar, talvez constrangido com o jeito como eu ergui o tornozelo, como se fosse um convite. “Não se meta em encrenca”, ele disse ao me deixar na porta do prédio. “Difícil”, respondi, piscando. Nem eles resistiam ao meu charme.

 

Cruzei o hall de entrada com passos firmes, ainda que algo dentro de mim tremesse. O mármore refletia as luzes amareladas e os ecos dos sapatos caros. Foi então que o vi.

 

Nikolai.

 

Por um segundo, achei que fosse miragem. Eu acreditava que, depois de tudo, ele já estaria em outro continente, longe das mãos da lei, longe da ruína que eu mesma havia arquitetado. Mas não. Estava ali, de pé, com aquele sorriso cansado, os olhos verdes que conheciam todos os meus segredos e ainda assim me olhavam com ternura.

 

Não pensei, apenas fui até ele. O abraço foi forte, urgente, quase desesperado. Eu, que nunca cedia, me permiti fechar os olhos e sentir o cheiro dele, a segurança que só ele conseguia transmitir.

 

 

(Yelena) — Pensei que tivesse partido — murmurei contra o ombro dele.

 

 

(Nikolai) — Eu quase fui — ele respondeu, a voz grave, embargada. — Mas não podia sair sem me despedir de você.

 

 

Apertei mais forte. Eu não chorava, mas algo dentro de mim se partiu em silêncio.

 

 

(Yelena) — Estava com saudade — confessei, as palavras saindo baixas, íntimas.

 

 

(Nikolai) — Eu sei — ele sorriu, afastando-se só o suficiente para me olhar. — Mas você não precisa se preocupar. Organizei tudo para você aqui.

 

 

Subimos juntos no elevador. O silêncio nos envolveu, pesado, mas ao mesmo tempo cheio de significados. A cada andar que passava, era como se um pedaço da minha vida antiga se afastasse mais. Quando as portas se abriram, estávamos diante do meu apartamento. Minha prisão, meu refúgio, meu castelo de vidro.

 

Nikolai hesitou diante da porta. E eu percebi, pelo jeito como ele respirou fundo, que estava lutando contra algo.

 

 

(Nikolai) — Está tudo pronto — ele disse por fim, como quem recita uma lista para não deixar escapar emoção. — Uma pessoa virá diariamente para fazer a limpeza. A dispensa está cheia, e deixei dinheiro no criado-mudo.

 

Eu arqueei a sobrancelha.

 

 

(Yelena) — Parece que pensou em tudo.

 

 

Ele sorriu de leve, mas não entrou. Ficou parado, como se houvesse uma linha invisível que não pudesse cruzar.

 

 

(Nikolai) — E amanhã venho te ver.

 

 

Franzi o cenho.

 

 

(Yelena) — Por que não fica agora? — perguntei, quase num sussurro. — Estou com saudade, irmão.

 

 

Ele respirou fundo, me olhou com aqueles olhos que sempre enxergavam além da minha máscara. Sorriu, mas não era um sorriso leve, e sim um carregado de segredos e malícia.

 

 

(Nikolai) — Porque você tem visita.

 

 

A frase ficou suspensa no ar como um soco silencioso. Meu coração acelerou, e pela primeira vez em muito tempo senti o inesperado me atravessar. Eu, que sempre sabia de tudo, não sabia o que me aguardava atrás daquela porta.

 

 

 

 

 

 

 

O clique da fechadura ecoou no corredor como um disparo. A porta se abriu devagar, e o primeiro passo dentro do apartamento foi como atravessar um portal para uma vida que eu não conhecia ainda, nem livre, nem presa, algo no meio. O ar ali era mais limpo que o do presídio, mas ainda assim sufocava.

 

E então eu a vi.

 

Victoria.

 

Estava de pé, atravessando a sala de um lado para o outro, como uma fera enjaulada. A cada volta, a cada passo, os cabelos, mais soltos, mais brilhantes do que eu lembrava, acompanhavam o movimento com leveza. Usava uma blusa clara, quase acetinada, que caía sobre o corpo com uma delicadeza que me fez esquecer de respirar por um instante. A calça marcava suas curvas, mas não era a roupa que prendia meu olhar, era ela. A tensão nos ombros, o rubor nas faces, o jeito que mordia o lábio inferior sem perceber.

 

Linda. Inacreditavelmente linda.

 

Meu coração bateu forte, sem pedir permissão. Era como se cada músculo, cada fibra, gritasse o nome dela. Mas eu não podia mostrar isso. Eu não sabia se ela estava ali para me amar ou para me julgar.

 

Quando seus olhos me encontraram, o tempo parou. O andar ansioso cessou, e ela ficou estática, como se eu fosse uma aparição. O rubor que já existia em suas bochechas se intensificou. Victoria Hartley, sempre tão altiva, tão dona de si… estava tímida.

 

Aquilo me desmontou por dentro. E me aterrorizou.

 

Porque eu não sabia o que esperar. Não sabia o que dizer.

 

Por um segundo, fiquei apenas parada à porta, observando-a como quem observa um milagre e uma sentença ao mesmo tempo. Meus dedos coçavam de vontade de alcançá-la, mas minhas pernas estavam presas ao chão.

 

Ela tentou falar. Eu vi os lábios dela se moverem, hesitantes, e nenhum som sair. Foi a minha deixa. Eu precisava quebrar o gelo, me esconder no que sempre soube usar: o deboche.

 

 

(Yelena) — Ora, agente Hartley… — minha voz saiu mais rouca do que eu gostaria, mas carregada daquele sarcasmo que sempre me salvou. Inclinei a cabeça, arqueando uma sobrancelha. — Vai me dizer que sentiu saudades?

 

 

O que eu não esperava era a sinceridade brutal que veio como resposta.

 

 

(Vick) — Sim — ela disse, sem hesitar, a voz embargada, crua, verdadeira. — Eu senti.

 

 

A palavra “sim” me atingiu como um soco no estômago. Eu não estava preparada para isso. Não estava preparada para vê-la, linda e nervosa, confessando assim, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

 

E então ela se moveu.

 

Antes que eu pudesse reagir, Victoria correu na minha direção. Eu só tive tempo de abrir os braços, porque ela se lançou contra mim com a urgência de quem esteve se segurando por tempo demais. O impacto foi quase violento, mas eu nunca senti algo tão doce.

 

O abraço foi um incêndio. O corpo dela contra o meu, o calor atravessando cada camada de tecido, os braços me prendendo como se nunca fossem soltar. Eu fechei os olhos. O perfume dela, delicado, floral, inconfundível, invadiu meus sentidos, me deixando tonta.

 

E então o beijo.

 

Não foi lento, nem calculado. Foi desesperado, faminto. Victoria colou os lábios aos meus com a força de quem guardou anos de silêncio e agora explodia em uma única confissão. O gosto dela me invadiu, doce e salgado ao mesmo tempo, doce pelo que ela é, salgado pelas lágrimas que desciam em seu rosto e se misturavam ao beijo.

 

Sim, ela chorava.

 

Eu senti as lágrimas molhando minha pele, escorrendo entre nossos rostos colados. O coração dela batia acelerado contra meu peito, e cada soluço abafado parecia uma confissão que ela não conseguia colocar em palavras.

 

Minha mão subiu instintivamente, segurando a nuca dela, puxando-a ainda mais para perto. Eu não queria que acabasse. Não podia.

 

Ela se afastou apenas por um segundo, o bastante para que eu visse seus olhos marejados, vermelhos, brilhando de um jeito que me despedaçou.

 

 

(Vick) — Eu não aguentava mais — ela sussurrou, a voz falhando. — Eu pensei que tinha te perdido.

 

 

Eu engoli seco. Eu, a mulher que nunca se permite fraquejar, senti a garganta fechar.

 

 

(Yelena) — Mas você está aqui — murmurei, tentando sorrir, ainda que minhas próprias emoções me traíssem. — E… me beijando desse jeito… parece que não me perdeu coisa nenhuma.

 

 

Ela riu entre lágrimas, um som que parecia tanto alívio quanto dor. Encostou a testa na minha, respirando fundo.

 

 

(Vick) — Eu te odiei tanto por me deixar, Yelena. — A confissão veio crua, nua. — Eu te odiei tanto por me fazer te amar…

 

 

As palavras me atingiram como balas, mas ao mesmo tempo me deram vida.

 

Eu não sabia o que dizer. E pela primeira vez, talvez não fosse preciso. Apenas beijei-a de novo, mais devagar agora, deixando que ela sentisse cada segundo, cada intenção, cada promessa não dita.

 

Minhas mãos exploraram as costas dela, o contorno da cintura, como se quisessem memorizar que ela estava ali, real, quente, minha.

 

Quando nos afastamos, o silêncio reinou por alguns instantes. Um silêncio diferente do que eu encontrara ao entrar. Este não era pesado, era cheio. Cheio de tudo o que não precisávamos mais esconder.

 

 

(Vick) — Você ainda me quer? — ela perguntou, quase num sussurro, como se tivesse medo da resposta.

 

 

Sorri, e dessa vez não havia deboche, apenas verdade.

 

 

(Yelena) — Querida… eu nunca deixei de querer.

 

 

Ela fechou os olhos e sorriu entre lágrimas. E então me abraçou de novo, apertado, como se pudesse me colar ao peito dela para sempre.

 

Naquele instante, eu, Yelena Volkov, que sempre fui uma sombra, uma ameaça, uma arma, me senti… humana. Por ela. Só por ela.

 

Eu tremia. Não de frio. Tremia de sentir de novo o gosto dela, a respiração contra a minha boca, os dedos dela prendendo-se às minhas costas como garras. Ela me arranhava sobre as tatuagens, e eu gemi baixo, porque tinha esquecido como o toque dela parecia ao mesmo tempo punição e perdão.

 

Entre um beijo e outro, fui empurrando-a para trás, sem quebrar o contato, até que nossas pernas tropeçaram nos móveis. Ela sabia o caminho. Eu sabia que ela sabia. O quarto nos chamava, e cada passo era a promessa de um mergulho mais fundo.

 

As roupas caíam pelo caminho, cada peça arrancada era um estilhaço de contenção que desaparecia. Eu me sentia suja, sim, como se cada fibra de tecido contra minha pele carregasse a memória da cela. Precisava da água, precisava me limpar, precisava que ela me lavasse com a boca, com os olhos, com as mãos.

 

O banheiro nos recebeu com a claridade fria da luz branca. Liguei o chuveiro sem olhar para trás, e a água começou a escorrer em jatos grossos, aquecendo o ar ao redor.

 

 

(Yelena) — Você não tem ideia de como eu senti sua falta… — murmurei, empurrando-a gentilmente contra o box.

 

 

Ela tentou responder, mas a boca dela só encontrou a minha. Beijei de novo, com mais fome, com mais dor. A boca dela tinha o gosto do impossível. Do proibido. Do que eu tinha sonhado noite após noite entre paredes cinzas, com o corpo febril de carência.

 

Desci pelos contornos do pescoço dela, deixando que meus lábios se perdessem entre a curva do ombro e a base da clavícula. A pele quente sob a água escorria, escorregadia, e ainda assim eu queria marcá-la, queria deixar nela a memória de cada segundo que nos foi arrancado.

 

Ela gem*u baixo, aquele som que me desfazia por dentro, e apertou mais os dedos contra minhas costas, arranhando sem piedade. Senti o ardor dos riscos que ela deixava, e estremeci, não de dor, mas de prazer.

 

 

(Vick) — Yelena… — a voz dela saiu trêmula, molhada, quase um soluço. — Não para. Por favor, não para.

 

 

Não havia como parar.

 

A parede fria estava atrás dela, a água nos cercava como um véu, e eu me sentia presa e livre ao mesmo tempo. Cada beijo que eu deixava na pele dela era um pedaço da minha confissão, cada lambida era um pedido desesperado para que ela me perdoasse por todos os silêncios, por todos os dias ausentes.

 

 

(Yelena) — Você não faz ideia… — sussurrei contra o seio dela, mordendo de leve o contorno, sentindo o corpo dela estremecer. — De quantas vezes eu precisei disso… de você…

 

 

Ela arqueou as costas, oferecendo-se. Meu nome saiu da boca dela num gemido que parecia quase uma oração.

 

Apertei sua cintura com força, deslizando minhas mãos pelas curvas molhadas, sentindo o calor do corpo dela que contrastava com o frio da parede. Era como segurar fogo entre os dedos.

 

Minha boca foi descendo, devorando cada centímetro de pele com a fome de quem nunca havia sido saciada. Cada arranhão dela em minhas costas me dizia que eu estava viva. Cada suspiro contra meu ouvido me lembrava de por que ainda respirava.

 

Me ajoelhei diante dela. Não como quem se humilha, mas como quem reconhece uma divindade.

 

Ergui o rosto, encontrando os olhos dela de cima para baixo. O vapor os tornava enevoados, mas havia uma intensidade ali que me atravessou como lâmina.

 

 

(Yelena) — Eu sonhei com isso todas as noites — confessei, segurando-a pelas coxas, sentindo a força delas contra minhas palmas. — E agora você esta aqui… comigo.

 

 

Ela mordeu os lábios, as mãos agarrando meus ombros com firmeza. O corpo dela já tremia, não só pelo calor da água, mas pela entrega.

 

Encostei meus lábios na pele interna da coxa dela e ouvi o gemido escapar antes mesmo de tocá-la onde mais queria. Beijei devagar, saboreando, subindo e descendo como se escrevesse nela uma carta com a boca.

 

A cada toque, ela deslizava as unhas pela minha nuca, puxava meus cabelos molhados, me prendia ali como se tivesse medo que eu desaparecesse no ar quente do banheiro.

 

E eu não iria a lugar algum.

 

Porque aquela noite, aquele instante, era nosso. Talvez o último. Talvez o único que realmente importasse.

 

E quando finalmente cedi à fome que queimava em mim e a provei com a boca, senti o mundo inteiro ruir em silêncio ao redor.

 

 

O primeiro contato foi como mergulhar em algo sagrado.

A língua encontrou o gosto quente e doce dela misturado à água que escorria, e eu fechei os olhos para me perder inteiramente. Era como voltar para casa depois de um exílio longo demais.

 

Ela arfou alto, o corpo contraindo contra a parede fria, as coxas fechando em volta da minha cabeça como se quisesse me prender ali. Eu gemi contra sua pele, deixando que ela sentisse o quanto eu também estava em chamas.

 

 

(Vick) — Meu Deus, Yelena… — a voz dela quebrou, rouca, desesperada.

 

 

Segurei firme suas coxas, afastei um pouco para ter espaço e voltei a me dedicar a ela com mais intensidade, mais fome. Minha boca trabalhava como se fosse a única forma de pedir perdão, de devolver tudo o que tínhamos perdido.

 

Os dedos dela se perderam nos meus cabelos molhados, puxando, guiando, como se pudesse ditar o ritmo. Eu obedeci e desobedeci ao mesmo tempo, alternando entre lentidão torturante e estocadas de língua que a faziam gem*r meu nome como um mantra.

 

Cada vez que a sentia tremer, um arrepio percorria meu corpo inteiro. Eu não era só prazer para ela, eu era salvação.

 

E isso me destruía.

 

Eu não merecia aquele som, não merecia aquele olhar que caía sobre mim entre os respingos do chuveiro, não merecia a forma como ela se entregava inteira. Mas eu a tomava mesmo assim, porque a ausência dela já tinha me matado tantas vezes que eu não ia desperdiçar essa chance.

 

Quando senti o corpo dela arquear, quase se desfazendo, apertei ainda mais os quadris e a devorei inteira. Ela chorou um soluço misturado a um gemido e se desfez contra a minha boca, tremendo violentamente.

 

Eu continuei até ela me empurrar pelos ombros, fraca, sem forças, ofegante. Levantei devagar, subindo os beijos pelo abdômen, pelo seio, pelo pescoço, até encontrar a boca dela de novo.

 

O beijo veio molhado de lágrimas. Ela estava chorando.

 

 

(Vick) — Eu… eu pensei que nunca mais ia te ter — confessou entre soluços, pressionando o rosto contra o meu.

 

 

Apertei-a forte contra meu peito, sentindo nossas respirações misturadas, o coração dela disparado contra o meu.

 

 

(Yelena) — Eu pensei em você o tempo todo… — respondi, encostando a testa na dela. — Você sempre esteve comigo, mesmo lá dentro. Cada noite, cada maldito dia. Era em você que eu pensava…

 

 

Ela soluçou mais uma vez e me beijou com fúria, com raiva, com desespero. Eu correspondi, empurrando-a ainda mais contra a parede, sentindo sua pele quente, o sabor de lágrimas misturado à água e ao nosso desejo.

 

Nossas mãos se perderam. A dela desceu pela minha cintura, arrancando de mim um gemido quando seus dedos deslizaram entre minhas pernas. Eu tremi inteira, encostando a cabeça na curva do pescoço dela, sentindo meus músculos se contraírem com o toque que eu sonhei tanto. Pela primeira vez ela ousava me tocar daquele jeito.

 

 

(Yelena) — Victoria… — minha voz saiu como um grito engolido, uma prece.

 

 

Ela sorriu entre beijos, ainda chorando, e murmurou contra minha boca:

 

 

(Victoria) — Eu sonhei com isso também…

 

 

A frase dela me atingiu como um tiro no peito.

“Eu sonhei com isso também…”

 

Meus joelhos quase cederam. O som da voz dela, tão frágil e ao mesmo tempo carregado de desejo, me fez sentir que todo o tempo perdido, todas as grades, todas as noites insones, tudo fazia sentido só para me trazer até aquele momento.

 

O toque dela era desajeitado, hesitante no começo, como se tivesse medo de me quebrar, mas ao mesmo tempo havia uma fome escondida, uma coragem que eu nunca tinha visto em Victoria. Aquela mulher que sempre pareceu tão controlada, tão distante, agora tremia junto comigo, com os dedos enterrados no lugar onde eu mais a queria.

 

Arfei contra a boca dela, mordendo seu lábio inferior sem conseguir conter o som que escapou da minha garganta.

 

 

(Yelena) — Você não sabe… — minha voz falhava — …o quanto eu esperei por isso.

 

 

Ela beijava meu rosto, e eu sentia cada toque como se fosse fogo sobre minha pele.

 

Seus dedos deslizaram de novo, mais fundo, e eu perdi o fôlego. Encostei a testa no ombro dela, tentando controlar o tremor que me atravessava inteira. O mundo girava em volta da gente, mas nada mais importava.

 

A água caía em jatos quentes sobre nossos corpos colados, apagando qualquer linha entre nós. O frio da parede atrás de mim contrastava com o calor quase febril que emanava de nós duas.

 

A cada movimento dela, eu me abria mais, gem*ndo baixo, deixando que ela sentisse o quanto estava me levando ao limite.

 

 

(Yelena) — Isso… — sussurrei contra o ouvido dela, arfando — …continua, por favor…

 

 

Ela obedeceu, com um ardor que me surpreendeu, e a mão dela agora parecia comandada por algo maior do que a própria vontade. Eu gemi alto, sem pudor, e a apertei contra mim, mordendo sua boca, puxando seus cabelos molhados, marcando sua pele como se quisesse gravar minha presença ali para sempre.

 

 

(Yelena) — Você é minha… — eu disse num sopro rouco, quase sem perceber que falava.

 

 

E ela, com os olhos cheios de lágrimas e desejo, respondeu sem hesitar:

 

 

(Vick) — Sempre fui.

 

 

Aquela frase me quebrou. Me rasgou.

E foi no exato instante em que meu corpo explodiu sob o toque dela, num êxtase que me deixou sem chão.

 

Gritei o nome dela, me desfazendo inteira contra seus dedos, contra sua boca, contra seus olhos que me olhavam como se eu fosse tudo.

 

Desabei nos braços dela, fraca, trêmula, rindo como uma boba.

 

Ela me segurou, me beijou na testa, nos lábios, em cada parte do rosto, como se quisesse costurar de volta todos os pedaços quebrados que eu carregava.

 

O chuveiro ainda corria, mas nós duas parecíamos alheias a tudo, presas uma na outra, respirando o mesmo ar, o mesmo alívio, o mesmo amor sufocado que finalmente se soltava.

 

E pela primeira vez, eu deixei que ela me visse vulnerável de verdade.

Sem máscaras, sem sarcasmo, sem armaduras.

 

Apenas Yelena.

Apenas dela.

 

 

(Vick) — Eu quero sentir você…

 

 

A sensação começou leve, quase tímida, e meu corpo imediatamente reagiu. Victoria ajoelhou-se diante de mim, a respiração dela um misto de nervosismo e curiosidade, e meu coração disparou. Cada pequeno movimento dela, cada hesitação, me fazia perder o controle. Eu podia sentir a umidade dela nos dedos que ainda tentavam encontrar a forma, a coragem, o ritmo. E eu derretia por completo.

 

Quando os primeiros toques dela alcançaram o lugar que mais ansiava sentir, um arrepio percorreu minha espinha. Minha cabeça caiu para trás, encostando na parede do box, os olhos fechados, gemidos involuntários escapando entre meus lábios. Ela era inexperiente, sim, mas havia uma fome nela que me fazia perder a razão. Cada tentativa dela de acertar o ritmo, cada movimento inseguro, me provocava ainda mais, e eu desejava guiá-la, mas ao mesmo tempo queria que ela explorasse sozinha.

 

 

(Yelena) — Victoria… — minha voz saiu rouca, tremendo, um suspiro carregado de desejo e espanto. — Mais devagar… ou… não, só continue…

 

 

Ela não hesitou. Tentava seguir meu corpo, meu ritmo, mesmo sem experiência, e o fato de que era a primeira vez que ela fazia aquilo só me fazia derreter ainda mais. Eu sentia a boca dela, tímida, mas dedicada, e cada toque me consumia. Meu peito subia e descia rapidamente, minhas mãos entrelaçadas no cabelo dela, segurando-a próxima, sentindo cada vez que ela hesitava e depois mergulhava com mais confiança.

 

A intensidade aumentava a cada segundo. Cada respiração dela, cada suspiro meu, cada toque e tremor me levava mais perto de perder o controle completo. Eu me arqueava, deixava que meu corpo a guiasse, sentindo a língua dela pela primeira vez naquele lugar, e meu corpo respondia como se estivesse em chamas. Gemidos longos e baixos escapavam involuntariamente, e eu tinha que segurar a vontade para não gritar.

 

Eu percebia cada hesitação dela, cada momento de insegurança, e isso me derretia. Ela estava tão vulnerável e entregue, tão concentrada em mim, que tudo dentro de mim se consumia de prazer. As mãos dela tremiam levemente, e meu corpo reagia a cada movimento, cada contato quente e úmido, me consumindo de uma forma que eu não esperava.

 

 

(Yelena) — Mais… — sussurrei, quase sem ar, os dedos firmes no cabelo dela, puxando-a levemente para mim. — Só não pare…

 

 

O calor da minha pele se misturava com o dela, a intimidade do momento me fazia esquecer tudo, menos ela, e eu me sentia completamente entregue. Cada toque, cada movimento da boca dela, cada hesitação seguida de confiança, me fazia tremer. Eu não conseguia conter o prazer, e ao mesmo tempo, havia uma mistura de ternura e admiração por ela, por essa entrega, por esse jeito de me querer e ao mesmo tempo ainda aprender.

 

A cada gemido meu, ela se aproximava mais, tentava corresponder, e eu derretia completamente. Nunca ninguém tinha me feito sentir tão vulnerável e desejada ao mesmo tempo. Cada toque delicado, cada pausa e retomada, cada respiração quente e próxima, tudo me consumia. Eu sentia a boca dela me envolvendo, tentando encontrar ritmo, e meu corpo respondia com fervor, arqueando, tremendo, querendo mais e mais.

 

Minha pele estava sensível, cada toque dela era um choque elétrico, e a maneira como ela tentava, ainda inexperiente, me levava a um estado de êxtase absoluto. Cada tentativa dela me arrancava gemidos mais altos, cada toque me fazia sentir viva de uma forma que eu não sabia que podia sentir. Eu a segurava firme, puxando-a levemente contra mim, e mesmo assim deixando que fosse ela quem ditasse o ritmo, a primeira vez dela, e eu a sentia inteira, dedicada a mim.

 

Eu podia ouvir a respiração dela, misturada aos meus gemidos, o som da água correndo pelo chuveiro, o calor entre nossos corpos, e me sentia completamente perdida naquele momento. Meu corpo reagia de cada jeito possível, tremendo, arqueando, respirando de forma irregular, e meu coração batia acelerado, descompassado. Eu não queria que aquele momento acabasse.

 

Ela me surpreendia a cada segundo, cada toque dela me fazia delirar. Eu sentia a habilidade e a curiosidade crescendo, e meu corpo respondia, arrepiando-se com cada tentativa bem-sucedida dela. Eu derretia inteira, cada nervo em alerta, cada toque enviando ondas de prazer por todo o meu corpo. A sensação de ser desejada, cuidada e ao mesmo tempo devorada pela primeira vez por Victoria era intensa demais, profunda demais.

 

Meus gemidos se misturavam aos dela, meus dedos segurando seu cabelo, meu corpo arqueando, meu coração explodindo de desejo e admiração. Cada hesitação, cada pausa, cada tentativa dela de acertar o ritmo me levava mais perto do limite, e eu não resistia, me entregava completamente, sentindo o prazer subir como fogo pelo meu corpo.

 

Eu não precisava de mais nada além dela, daquele calor, daquele toque, daquela entrega. O mundo desapareceu ao redor, restava apenas nós duas, o chuveiro, o calor, o prazer e a intensidade do momento. Cada gemido, cada toque, cada suspiro, cada tremor, tudo me consumia, e eu derretia por completo, sentindo-me viva, desejada e completamente entregue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os anos têm um jeito estranho de passar quando se tem alguém para voltar toda noite.

 

Não houve grandes fogos de artifício, não houve promessas exageradas. Victoria nunca me prometeu nada e talvez esse fosse o maior presente que ela poderia me dar. Ela simplesmente me amava como se fosse sempre a última vez. Sem joguinhos, sem mistério, sem máscaras. Cada fim de semana, cada madrugada, cada silêncio compartilhado entre taças de vinho e beijos roubados no sofá do meu apartamento, era um pacto não dito.

 

Eu a provocava, é claro. Era minha natureza. Sussurrava coisas no ouvido dela só para ver aquele rubor subir-lhe ao rosto, só para sentir a respiração dela perder o compasso. Ela fingia resistir, levantava a sobrancelha de forma austera, mas logo a máscara caía, e eu sabia: ela adorava tanto quanto eu esse nosso jogo.

 

E assim passaram-se anos. Ela, livre dos grandes casos, vivendo de um trabalho que a dava prazer mas não exigia sangue ou riscos, talvez por escolha, talvez por medo. Eu, cada vez mais entranhada a ela, até o ponto em que meus lençóis já não tinham cheiro de nada além dela.

 

E então chegou o dia.

 

Aquele maldito pedaço de metal preso ao meu tornozelo finalmente foi retirado. Livre. Por completo. E eu sabia, naquele instante, que precisava ir até ela. Precisava que o mundo inteiro visse. Que ela visse.

 

Não medi consequências, nunca media.

 

Entrei na floricultura mais cara da cidade e mandei preparar um arranjo de rosas vermelhas. Não um buquezinho tímido, não: um arranjo daqueles que chamam atenção, que impõem presença. Vestia alfaiataria impecável, sapato chique e perfume caro. Entrei na agência como quem pisa em seu próprio território.

 

Os olhares se voltaram, curiosos, alguns com surpresa, outros com algo que eu reconheci como… admiração. Sim, eu sabia causar esse efeito.

 

Caminhei devagar pelo corredor, deixando o som dos passos anunciar minha chegada antes de mim. Quando cheguei à porta da sala, bati duas vezes com os nós dos dedos.

 

 

(Rick) — Entre — ouvi a voz de dentro.

 

 

Abri.

 

A cena era perfeita, quase ensaiada pelo destino: Rick, sempre educado, sentado ao fundo; Lena, que disfarçava bem demais a surpresa, mas eu percebi; Marcus, com aquele jeito relaxado de quem observa tudo; e Ethan, ah, Ethan… o ódio nos olhos dele quase me alimentava.

 

E claro, ela.

 

Victoria.

 

Sentada à mesa, concentrada em algum relatório até levantar os olhos e me ver. A surpresa dela foi um presente que guardarei para sempre.

 

Entrei com meu deboche habitual, sorriso enviesado, o arranjo de rosas bem firme nos braços.

 

 

(Yelena) — Boa tarde, senhores… — deixei a voz arrastar, cheia de charme. Fiz questão de me demorar no olhar sobre cada um, parando em Ethan apenas para provocar. — Ethan… continua com essa cara de quem comeu e não gostou. Bom saber que nada mudou.

 

 

Ele fechou a expressão ainda mais, e eu sorri, satisfeita.

 

Passei os olhos por Lena e Marcus, inclinando levemente a cabeça em cumprimento.

 

 

(Yelena) — Lena, sempre elegante… Marcus, ainda fingindo que não se diverte com nada.

 

 

Rick foi o único a me responder com um aceno simpático, mas eu mal dei tempo. Eu estava ali por ela.

 

Finalmente, voltei meu olhar para Victoria.

 

Ah, como eu amava surpreendê-la. O choque nos olhos dela era quase palpável, e eu sentia uma pontada de deleite em vê-la assim, desarmada.

 

Caminhei até ela, devagar, deixando o som dos passos preencher o silêncio tenso da sala. Quando cheguei à frente dela, depositei o arranjo de rosas sobre a mesa. O perfume se espalhou no ar, invadindo aquele ambiente carregado de papel, café e tensão.

 

Me inclinei um pouco, próxima o bastante para que apenas ela ouvisse, mas sem esconder o sorriso nos lábios.

 

 

(Yelena) — Eu queria saber se também sou desejada do lado de fora do meu apartamento…

 

 

Ela piscou, como se demorasse a acreditar, e seus lábios entreabriram num suspiro.

 

 

(Vick) — Yelena… você… — a voz dela falhou, e eu vi o esforço para recompor o tom profissional, já que os colegas estavam ali. — O que está fazendo aqui?

 

 

Sorri ainda mais.

 

 

(Yelena) — Vim buscar você, é claro. — ergui uma sobrancelha, mantendo o tom provocador. — E confesso que queria ver a cara deles quando descobrissem.

 

 

(Vick) — Yelena… — ela murmurou, em tom de advertência.

 

 

Não resisti: toquei levemente os dedos sobre a mão dela, ali sobre a mesa, rápido, discreto, mas suficiente para que todos vissem.

 

Ethan resmungou algo baixo, Lena desviou o olhar com um meio sorriso contido, e Marcus simplesmente balançou a cabeça. Rick pigarreou, tentando disfarçar o constrangimento.

 

Eu me endireitei, respirei fundo e soltei, teatral, encarando a sala inteira:

 

 

(Yelena) — Pois é, senhores. Parece que a tornozeleira perdeu a aposta. Agora… se não se importam… eu tenho uma agente para levar comigo.

 

 

O silêncio que se seguiu foi delicioso.

 

Victoria, vermelha até a raiz do cabelo, olhava para mim com aquele misto de irritação e rendição que eu conhecia tão bem.

 

 

(Vick) — Você não tem jeito… — murmurou, baixinho, quase sorrindo apesar de si mesma.

 

 

(Yelena) — Ainda bem. — pisquei para ela, segurando o riso.

 

 

E naquele instante, nada mais importava. Eu estava livre. Ela era minha. E todos sabiam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A vida ficou um pouco mais difícil quando tirei a tornozeleira, mas ao mesmo tempo ficou infinitamente mais leve. Difícil porque, mesmo sem o peso físico preso ao meu tornozelo, a lembrança continuava latejando dentro de mim, um lembrete silencioso de onde estive, de quem fui, do que fiz. Mas leve porque, pela primeira vez em anos, pude andar sem correntes. Andar até ela.

 

Victoria me acompanhava em cada respiração da minha nova vida. Ela não mudou o mundo por mim, mas mudou a forma como eu via o meu próprio mundo. Não deixou de ser policial, não deixou de ser correta, mas passou a viver comigo com a coragem de quem escolhe o impossível. 

 

E, claro, como boa Volkov, eu não recomecei sozinha.

Nikolai continuava em Nova York, vivendo a plenitude de sua liberdade como se tivesse nascido para isso. Ao lado de Noah, seu amante inseparável, os dois pareciam rir da vida enquanto os dias corriam. O que me surpreendeu foi Zoja. A mesma Zoja que todos temiam, a mesma mulher fria que já tinha carregado mais cadáveres nos ombros do que qualquer homem que conheci, apareceu um dia… conversando com Lena, íntima demais, com a colega de equipe da minha Victoria. A cena foi tão absurda que eu não aguentei: soltei uma gargalhada sincera, daquelas raras, que doem no estômago.

 

Foi nesse caos doce que surgiu nossa empresa.

Nikolai, eu, Zoja e Noah. Uma empresa de segurança especializada, mas não uma qualquer: nós sabíamos onde estavam as falhas, porque fomos, durante anos, os que exploravam essas mesmas falhas. Passamos a vender proteção.

Éramos criminosos que decidiram trabalhar dentro dos limites. Ou pelo menos fingir que havia limites. E o dinheiro corria, limpo, quase limpo… como sempre correria para os Volkov. Eu ainda escondia riquezas, desviava cifras, forjava contratos, mas com a sutileza de quem já sabe exatamente até onde pode ir sem se queimar.

 

Confesso que gostava da vida dupla. Gostava ainda mais dos olhares.

Sim, continuavam a nos olhar como o “resto dos Volkov”, como se fôssemos sobreviventes de um império quebrado. E eu, debochada como sempre, sorria. Adorava sentir o peso da curiosidade, o respeito disfarçado de desconfiança. Nunca deixei de gostar de ser temida.

 

Mas nada disso, absolutamente nada, me deu tanta satisfação quanto o dia em que ela disse sim.

 

 

 

 

 

O casamento foi um espetáculo. Eu nunca aceitei nada menos que luxo, e Nova York me ofereceu o palco perfeito. Escolhi um salão no coração de Manhattan, daqueles que parecem saídos de um sonho arquitetônico: colunas de mármore branco que se erguiam como guardiãs da elegância, lustres de cristal refletindo luz dourada por cada canto, e janelas imensas que deixavam a cidade inteira brilhar como testemunha. O teto era tão alto que parecia tocar o céu. Flores brancas e vermelhas desciam em arranjos pendurados, perfumando o ambiente com um aroma sofisticado que misturava rosas, lírios e um toque de jasmim.

 

O altar não era um altar qualquer.

Era uma passarela coberta de pétalas, iluminada por velas altas, que levava até um arco metálico recoberto de orquídeas. Eu quis extravagância, eu quis opulência, porque eu sou Yelena Volkov, e nunca fiz nada pela metade.

 

Os convidados… ah, os convidados. Aquilo sim foi um espetáculo à parte.

Metade era composta por agentes do FBI, gente que em outro tempo teria me colocado contra a parede e me algemado. A outra metade era formada por mafiosos, ex-criminosos, rostos conhecidos do submundo. Ver os dois lados sentados lado a lado, desconfiados, trocando olhares atravessados, foi quase um presente pessoal. A mesa de Marcus e Ethan, por exemplo, ficava de frente para a de Zoja e Nikolai. Eu mal conseguia esconder o riso sempre que cruzava o olhar tenso de Ethan, ele nunca me perdoou, e provavelmente nunca perdoaria.

 

Rick estava lá também, claro, disfarçando a surpresa de ver que Victoria realmente havia dito sim para mim. Lena não desgrudava os olhos de Zoja, e eu adorava provocar, passando por elas de propósito, como se fosse a dona da festa, o que, de fato, eu era.

 

Mas o que realmente importava, o que fez aquele salão inteiro desaparecer para mim, foi a entrada dela.

 

Victoria surgiu como eu nunca tinha visto antes.

O vestido era branco, de um corte clássico, mas adaptado para sua personalidade: sem exageros, sem rendas em excesso, mas com a elegância perfeita. O tecido descia fluido, abraçando suas curvas com a delicadeza de uma segunda pele, e o véu longo caía como uma cascata de luz. O rosto dela… Deus, eu juro que perdi o ar. Ela caminhava firme, cada passo decidido, como quem desafiava o mundo inteiro a questionar suas escolhas. E talvez fosse isso mesmo: sua forma de dizer a todos, policiais e mafiosos, que me escolhera.

 

Me escolhera apesar de tudo.

 

Quando nossos olhos se encontraram, senti algo que raramente me permito sentir: medo. Medo de não ser suficiente, medo de que ela percebesse tarde demais o erro que estava cometendo. Mas esse medo foi varrido no instante em que ela sorriu. Um sorriso pequeno, tímido, mas real. Um sorriso só para mim.

 

Os senhores Hartley estavam na primeira fila. Pais de Victoria. Tão formais, tão educados, tão americanos. Eu esperava frieza, esperava resistência, mas não… eles me olhavam com uma mistura de curiosidade e aceitação. Como se de alguma forma já tivessem entendido que eu não ia embora, que não era uma fase. Que eu era a mulher da vida da filha deles.

 

E quando ela finalmente disse “sim”, diante de todos, diante de metade da cidade que nos odiava e metade que nos temia, eu soube que não precisava mais de nada. Nem de esconderijos, nem de segredos, nem de dinheiro sujo. Eu tinha o que sempre achei impossível: eu tinha uma família.

 

Uma família que não me exigia penitências, que não me cobrava redenção.

Apenas me queria feliz.

 

E, pela primeira vez na vida, eu quis também.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FIM

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Chegamos ao final. Obrigada pela paciência. Espero que tenham gostado. Comentem para mais...

Obrigada e até breve.


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Comentários para 14 - Capitulo 14:
Eva Bahia
Eva Bahia

Em: 22/07/2026

Eeeeiittaaaa.... Maravilhoso como sempre. Que capítulo hein? Pena que chegou ao fim... Não terá um bônus?? Rsra..

Parabéns Natália! Muito sucesso e volte logo!

....

 

 

 

 

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