— Mas sei o que respondem. Não, não se lembram.
Capitulo VIII - E Tudo O Que Eu Quero Ter
Capítulo VIII
''É Tudo O Que Eu Quero Ter''¹
Rochedo, Paraná - Brasil.
Começo Da Manhã De Terça-Feira.
Agosto 07, 2018.
Ashanti
Estaciono o carro do lado oposto da calçada da entrada da escola e um pouco mais adiante, em uma vaga milagrosa. Detesto fila dupla, e é o que acontece nesse momento. Antes de sair, pego na mão de Louise e ela olha-me docemente.
— Preciso do número do seu celular para qualquer eventualidade envolvendo a Mel e também para falar com você quando sentir saudades — digo num tom mais baixo, evitando que Melissa nos ouça. Ela me brinda com um lindo sorriso.
— Claro, meu bem. Dê-me o seu celular para eu anotar meu número. — Destravo meu smartphone e entrego a ela. Ela pega e começa a digitar, e logo depois escuto o som de mensagem no celular dela. — Pronto, agora tenho o seu também. — Desprendo meu cinto para descer a Mel, mas ela me impede, segurando meu braço. — Eu a levo. Posso?
— Sempre! — Ela solta o cinto e abraça-me, sussurrando no meu ouvido "eu adoro você". Os vidros escuros do carro nos dão privacidade para esse momento. Afasta-se e sai do carro. Abre a porta traseira da BMW e solta a Mel da cadeira elevada. — Cadê o beijo da mamãe? — Peço. Eu e Melissa fazemos um malabarismo dentro do carro, com Louise a ajudando, mas ela consegue beijar minha bochecha. Nesse momento, Ise ajuda minha pequena a sair do carro e ela fica em pé na calçada.
— Mel, espera eu pegar a sua mochila e as minhas coisas, ok? — Mel assente, obediente. Louise pega tudo, manda um beijo para mim, fecha a porta do carro e, pegando na mãozinha da Mel, atravessa a rua calmamente, encaminhando-se para a entrada da escola. A cena das duas de mãos dadas enche meu coração de alegria. E sinto que possível amar novamente. Eu sei. Eu quero.
Após Melissa e Louise entrarem na escola, parto para a clínica. Pietra tinha adiantado-me que teria três consultas no período da manhã. Dependendo da agenda da tarde, pedirei a Pietra que remarque minhas pacientes. Quero a tarde livre para preparar o jantar para Ise e uma noite só nossa. Mas tenho a Melissa. Penso seriamente em pedir para a Benê levá-la para sua casa, para que eu tenha a noite somente para nós duas. Mel já havia pedido-me para visitar a Benê, pois ela sempre promete que vai ensinar a Mel a fazer bolo de chocolate. Tudo bem que seria à noite, mas tem horário fixo para se ensinar algo a alguém?
Vamos ver. Preciso pensar melhor nisso. Quero avançar um pouco mais na interação com a Ise, e para isso preciso de mais privacidade.
Passo pela guarita dos seguranças e cumprimento-os com um aceno de cabeça. Estaciono o carro na minha vaga. Adriele ainda não chegou. Geralmente chegamos juntas; provavelmente perdeu a hora. Dri é muito dorminhoca. Saio do carro, aciono o alarme e caminho para o consultório.
Entro em minha sala, e ela está como eu gosto: ar-condicionado ligado — sempre a 23° — e lounge music tocando. Acredito que esse tipo de música evoque uma sensação de bem-estar, deixando a conexão médico-paciente mais easy.
Gosto da eficiência da Pietra.
Sento-me na cadeira giratória — e ergométrica — e interfono para Pietra, para passarmos a agenda do dia.
— Bom dia, doutora! — Pietra diz, ao entrar, educada e simpática como sempre.
— Bom dia, Pietra. Como está a agenda para hoje? — Pergunto, enquanto ela se senta à minha frente.
— De manhã, a doutora tem três pacientes. Uma delas é adolescente, 16 anos.
— Acompanhada?
— Sozinha. — Suspiro. É sempre delicado esse tipo de atendimento. Há embasamento legal, mas a não participação de um responsável é delicada.
— Ok! Vamos começar. Peça para a primeira entrar e deixe a adolescente por último. — Pietra assente, levanta-se e, então, lembro-me do jantar que quero preparar para a Louise. — Pietra! — Ela para no meio da sala e volta-se. — Remarque minhas consultas da tarde. Preciso da tarde livre.
— Sim, doutora.
. . . o O o . . .
As duas primeiras consultas são rotina: a primeira trouxe o filho de cinco anos por causa de umas manchinhas sobre o corpo. A criança apresentava pequenas manchas no rosto e no pescoço, mas em nenhum outro lugar. Era uma reação alérgica. Conversando com a mãe, ela disse que a criança tem um gato de estimação. Explico a ela que a alergia, provavelmente, é do pelo do animal. Peço para ela afastar a criança do gato e observar se as manchas diminuem ou até mesmo desaparecem. Se isso acontecer, é melhor manter a criança longe do gatinho, por enquanto.
Recomendo, como tratamento, vacinas específicas para alergia a gatos e uma imunoterapia. A mãe promete afastar a criança do animal, e marcamos o retorno. Para não causar nenhum trauma na criança devido ao afastamento do seu bichinho de estimação, peço que ela explique à criança o motivo do afastamento, para que ele entenda que é para o seu bem. Peço também para ela cuidar do animal.
A segunda mãe traz uma bebezinha linda e rechonchuda para vacinação. Ela vai tomar a primeira dose da Meningocócica. No restante, a bebê está bem: peso e altura compatíveis com a idade, só algumas graminhas acima do peso ideal. Nada preocupante. Marcamos o retorno para o próximo mês, quando ela, coitada, vai tomar quatro vacinas: a Pentavalente [VIP], a Pneumocócica e a Rotavírus, todas como segunda dose.
Assim que a mãe e a bebê saem, meu celular vibra. Sei que recebi uma mensagem. Sempre deixo-o na mesa, ao alcance da mão, para qualquer eventualidade, mas no vibracall. Pego-o, desbloqueio a tela e vejo de quem é a mensagem. Não me surpreendo. No visor, o número digital marca 9h40; é intervalo na escola.
"Oi! Ocupada?"
"Estou na minha última consulta da manhã!"
"Não quero atrapalhar! Só para dizer que a Mel comeu todo o lanchinho dela! Ela é um amor."
"Você não atrapalha nunca! Ela é um pocinho sem fundo! Você pode ficar com ela se eu me atrasar?"
"Tranquilo!"
"Obrigada! Beijos!"
"Não há de quê! Beijos!"
Bloqueio a tela do celular no momento em que Pietra entra com a última paciente. Pietra fecha a porta, e a garota para, timidamente, no meio da sala com o bebê no colo: morena, cabelos negros e lisos — chapinha, talvez? — pouco mais de 1,60 e um corpo de mulher, não de uma adolescente de 16 anos. Percebo que ela está sem saber o que fazer, e eu levanto-me para recebê-la e deixá-la mais à vontade.
— Olá! Sou a Dra. Ashanti. Sente-se, por favor — toco levemente em seu ombro, indicando a cadeira para ela se sentar. Pelo seu trajar, ela não faz parte do público que atendi até agora. Mesmo porque este é um bairro luxuoso, e ela parece ser bem humilde. Ela deve fazer parte de um projeto que a Adriele tem na clínica, em parceria com o SUS, que é atender mulheres e adolescentes com menos recursos. Ela caminha lentamente e senta-se, aninhando a criança ainda mais junto de si, protegendo-a. O bebê parece dormir. — Qual é o problema com o bebê? — Pergunto assim que sento em minha cadeira.
— Desde que ela nasceu, eu sempre a levei ao posto de saúde do bairro onde moro, mas ultimamente ela tem tido algumas crises e não consegue respirar direito, e o médico do posto só passa remédio que não resolve nada — explica a garota. Ela tem os olhos marejados. — Eu estou com medo...
— Calma, ok? Como você se chama?
— Maria Luíza.
— Maria Luíza, certo. — Enquanto falo com ela, vou anotando as informações. — E o da bebê?
— Amanda!
— Amanda! — Repito o nome enquanto escrevo. — Bonito nome.
— Obrigada! — Ela responde, baixando os olhos para a neném.
— Por favor, coloque a Amanda naquela maca e tire a roupa dela para que eu possa examiná-la. — Aponto a maca para exames clínicos. Ela levanta-se com cuidado e deita a bebê na maca, tirando sua roupinha. A criança continua dormindo.
Maria Luíza era morena, cabelos negros; a criança é branquinha, com cabelos claros.
— Ela puxou à família do pai — diz ela, como se tivesse lido meus pensamentos, mas sem muita convicção.
— Você tem a carteira de vacinação dela? — Indago. Ela se afasta, vai até a bolsa, pega a carteira de vacinação e a entrega-me logo a seguir. Abro e verifico que está tudo em ordem: peso, medidas, vacinas. Pego meu estetoscópio pediátrico para auscultar o coração e o pulmão. O coração está ok, mas o pulmão tem um leve chiado. Então a criança abre os olhos. Lindos olhos azul-claros. — Pode vesti-la, e vamos conversar um pouco, ok?
Volto para a minha mesa e sento. Observo Maria Luíza vestir Amanda. Como ela parece frágil. Amanda resmunga um pouco, mas não chora. Maria Luíza volta a sentar-se com a criança no colo, mas olha para qualquer ponto da sala, menos para mim.
— Maria Luíza, sua filha, até onde pude observar, está bem. Realmente há um pequeno chiado quando ela respira, mas que pode ser alergia a algum produto, poeira, ácaro, pelos de animais ou até mesmo alguma coisa que ela está comendo e está ocasionando esse chiado. Preciso fazer exames mais minuciosos, como exame de sangue, radiografia...
— Doutora, eu não tenho dinheiro...
— Você não vai pagar nada.
— Mas...
— A clínica fará tudo, eu encarregarei-me disso. — Ela encara-me, sem acreditar no que ouve.
— Por que a doutora vai fazer isso?
— Você sabe que está aqui porque veio por meio de um convênio com o SUS, não sabe? — Ela fica em silêncio, abaixando o olhar e acariciando a bochecha de Amanda. — Tudo bem, Maria Luíza. Posso te chamar de Malu? E você pode me chamar de Ash.
— Pode — diz timidamente, encarando-me com seus grandes olhos negros como jabuticabas —, Ash...
Preencho a requisição de todos os exames de que preciso que a Amanda faça e envio on-line. Trabalhamos com um laboratório da cidade, num acordo de reciprocidade. Interfono para Pietra, chamando-a até minha sala.
— Malu, já fiz a requisição dos exames que eu preciso que Amanda faça. Não se preocupe com nada. Quero que você vá agora ao laboratório para que eles orientem quanto aos procedimentos que você precisa tomar, ok?
— Mas, doutora, como vou fazer...
— Malu, você confia em mim? — Ela fica me analisando, pensando.
— Sim — responde, assentindo lentamente.
Nesse momento, Pietra adentra a sala, como sempre, sorridente.
— Pois não, doutora!
— O cadastro da Maria Luíza está completo?
— Sim, inclusive consegui seu histórico médico e o da criança através do posto de saúde.
— Ok! Chame um transporte por aplicativo e peça para o motorista levar a Malu e a Amanda até o LaboClínica, esperar por elas e depois levá-las até a casa delas. — Pietra me olha sem entender, mas com aquele bendito sorriso no rosto. — Entendeu, Pietra?
— Sim, doutora. Acompanhe-me, Maria Luíza — pede Pietra, já caminhando para sair. Malu levanta-se para segui-la. Eu rapidamente abro minha bolsa, pego minha carteira e tiro 100 reais.
— Malu? — Chamo-a, e ela para no meio da sala, virando-se para mim. Pietra já está com a porta aberta, esperando por ela. Aproximo-me e coloco em sua mão o dinheiro e um cartão meu. — Ligue-me a hora que quiser, se precisar de ajuda. — Ela olha para a própria mão e fecha-a com força, temendo perder o dinheiro... ou deixá-lo cair. Então ela abraça-me, ficando Amanda entre nós duas.
— Eu não sei o que dizer, o que fazer...
— Vamos cuidar da Amanda, ok? — Ela assente e sai da sala, e Pietra, ainda com aquele sorriso, fecha a porta.
Malu precisa de ajuda. Seus olhos pedem socorro, silenciosamente. E de olhares que pedem socorro, eu entendo um pouco.
Pego meu smartphone e vejo as horas: 11h13. Tenho de pegar a Mel na escola. Arrumo minha mesa. Pego minha bolsa, as chaves do carro, e, quando estou a meio caminho da porta, Adriele irrompe na sala, como sempre faz.
— Já vai embora, meu bem?
— Tenho de pegar a Mel.
— Vamos sair à noite?
— Já tenho compromisso.
— Sério? É a professorinha?
— Menos, Dri! O nome dela é Louise. — Então ela vem até mim e abraça-me forte. Mal retribuo o abraço, mesmo porque estou segurando minhas coisas. Ela não solta-me e olha-me, sorrindo.
— Gosto de provocar você — diz, docemente. Eu acabo rendendo-me e envolvo sua cintura com meu braço livre. — Qual é a dela e do Douglas?
— Ainda não sei muito bem, mas acho que eles não têm nada.
— Já rolou alguma coisa?
— Deixa de ser curiosa — respondo, sorrindo. — Somente beijos. E você, vai sair com alguém?
— Com Fayed.
— Sério? Achei que era com o Douglas. Afinal, você dançou com ele e acabou de perguntar o que há entre ele e a Louise.
— Foi somente uma dança, mas foi o Fayed quem convidou-me no outro dia para almoçar... E hoje vamos jantar.
— Cuidado com a garça. Ela parece gostar dele — rimos com minha observação. — Tenho que ir. Não posso me atrasar.
Antes de soltar-me, a safada me rouba um beijo. Na verdade, um selinho. Não é a primeira vez que ela faz isso. Na faculdade, fora várias vezes, mas terminaram logo após eu conhecer a minha Cecília.
— Às vezes, tenho dúvida se você é hétero mesmo.
Ela solta-me e caminha, rebol*ndo até a porta.
— Com você eu ficaria fácil, fácil.
Dá uma piscadela, abre a porta e sai, deixando-a entreaberta. Eu sorrio, balançando a cabeça negativamente.
"Eu também ficaria com você, mas agora tem a Louise.", devaneio, sorrindo.
Rochedo, Paraná - Brasil.
Escola ReCriar.
Final Da Manhã De Terça-Feira.
Agosto 07, 2018.
Assim que visualizo Louise de mãos dadas com a Mel, em pé na calçada em frente à escola, abro um sorriso de orelha a orelha. E, sinceramente, emociono-me com a cena. Minhas duas preciosidades. Estaciono o carro ao lado das duas, já destravando as portas. Louise abre a porta traseira e ajuda Mel acomodar-se no assento.
— Oi, mamã!
— Oi, filha. Demorei muito?
— Um pouco, mas a minha professora ficou comigo — diz minha filha, sorridente, enquanto Ise afivela o cinto ajustando-o no corpo da Mel, procurando deixá-la bem acomodada.
— Ela deu trabalho?
— Nenhum pouco, Ash. Ela é encantadora. Gosto muito dela.
Trocamos olhares e sorrimos. Algumas coisas dispensam palavras.
— Que bom que você gosta dela — afirmo, sentindo-me feliz.
— E você gosta de mim? — Pergunta Ise, olhando para a Mel, acariciando seus cabelos. Como resposta, meu bebê beija sua bochecha. — O beijo é um sim? — Ela assente, sorrindo. Suas bochechas estão rosadinhas. — Que gostoso.
Louise deixa suas coisas ao lado da mochila da Mel, fechando a porta. Abre a porta do passageiro, senta-se ao meu lado e afivela o cinto.
— Será que eu posso, também, dar um beijo na professora?
Ela encara-me, encantada, oferecendo-me a face. Eu solto meu cinto, aproximo-me dela. Seguro seu queixo delicadamente, fazendo-a olhar para mim, e deixo em sua face um beijo, quase casto. Volto para a minha posição, afivelando o cinto novamente, e ponho o carro em marcha.
— A mamã tá namorando — diz minha pequena. Olho de soslaio para Ise, sorrindo, mantendo minha atenção no trânsito, mas não digo nada, pois logo ela volta a atenção para a paisagem que desfila pela janela do carro.
— Como eu chego à sua outra escola?
— Só seguir em frente. Ela é quase no final desta avenida. Uns dez minutos mais ou menos.
— Não estou atrasada, então?
— Não! Quando vou com meu fusquinha, é o tempo de ouvir uma música, talvez duas. O que a Mel disse...
— Não se preocupe, depois converso com ela — afirmo, pousando minha mão em sua coxa — e com você logo mais, no nosso jantar.
Ela assente, sorrindo. Ligo, então, o som do carro. Logo surge Vanessa da Mata cantando uma música quase dance com o duo de DJs Felguk...
''Se você resolver chegar trará amor, amor
Com o seu sorriso de sol vai clarear
Se resolver chegar, vai
Distribuir amor, é
Na sensação de paz
Isso é o infinito
Se resolver chegar, vem
Nada pode parar, nós
Dançando o amanhecer, paz
É tudo o que eu quero ter''
É isso: estou "fisgada". Amor à primeira vista? Quem não? E pelos olhares trocados por nós duas, não sou a única "fisgada" aqui. Almas gêmeas? Não sei, quem sabe? Por enquanto, almas encantadas, pois estamos nos aproximando e vibrando juntas.
— A que horas eu posso pegar você?
— Não precisa, Ash. Eu dou um jeito de ir. Talvez meu pai já tenha consertado meu carro.
— Precisa, sim. Vamos marcar 20h30?
— Você já está oferecendo-me o jantar, e ainda vai buscar-me?
— Claro. Ou você não quer que eu vá?
— Nada disso. Espero você, então, ok? — Cruza os braços sobre os seios, fazendo bico. — Teimosa...
"Me perdoa, não posso deixar você partir assim
Eu não tava tão bem naquele instante pra te receber
Você era tão especial e eu me sabotei
Não estava acostumada, não soube reconhecer"
— Talvez eu vá um pouco mais cedo. Aí você apresenta-me seus pais.
Tínhamos acabado de parar num semáforo. Olho, então, para ela, observando sua reação.
— Você vai gostar deles.
— Tenho certeza de que sim, afinal criaram uma bela filha e mulher.
— Vai pensando... — Sorrimos juntas. — Não sou santa.
— É o que eu espero. — Pisco para ela e ponho o carro em movimento assim que a luz verde se acende.
''Mas se resolver chegar, vai
Distribuir amor, é
Na sensação de paz
Isso é o infinito
Se resolver chegar, vem
Nada pode parar, nós
Dançando o amanhecer, paz
É tudo o que eu quero ter
Se resolver chegar, vai
Distribuir amor, é
Na sensação de paz
Tudo o que eu quero ter
Tudo o que eu quero ter''
Enquanto dirijo pela calma avenida, penso no que oferecer a ela. Uma massa? Quem sabe penne ao pesto com tomatinhos e queijo feta, ou massa ao molho pesto vermelho com ricota.
— Você gosta de massa?
— Gosto muito. Você vai cozinhar?
— Vou. Não sou chef, mas não faço feio.
— Já estamos chegando.
— Estou vendo...
Vanessa continua cantando...
''É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter
É tudo o que eu quero ter'' ¹
Estaciono em frente à escola.
— Até à noite — ela diz, colocando a mão sobre a minha, que descansava sobre minha coxa, e apertando-a levemente.
— Até à noite, querida.
Ela desafivela o cinto, abre a porta do passageiro e sai do carro, fechando-a logo a seguir. Eu me viro para trás para acompanhá-la no resgate dos seus pertences. Mel tinha adormecido no banco de trás, a dorminhoca. Ela beija a Mel e sussurra um ''tchau'' para mim, fechando a porta devagarinho. Ela vai andando em direção ao portão de entrada, e alguns alunos começam a segui-la numa pequena algazarra. Uma aluna pega em sua mão. Antes de passar pelo portão, ela vira-se, olhando em direção ao meu carro. Ela sorri e some portão adentro. Olho para o banco de trás.
Melissa ainda dorme.
Ajeito-me no banco do carro, olho pelo retrovisor, sinalizo que vou sair à esquerda e avanço pela avenida, tentando lembrar-me onde vi um supermercado. Preciso comprar algumas coisas para o jantar e um presente para a Louise.
Ou para nós.
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¹ É Tudo O Que Eu Quero Ter - Vanessa Da Mata & Felguk - 2:48
Single By Vanessa Da Mata & Felguk From The Single ''É Tudo O Que Eu Quero Ter'' - 2017.
Compositora: Vanessa Sigiane Da Mata Ferreira.
Letra De É Tudo O Que Eu Quero Ter © Universal Music Publishing Group.
Link Apple:
https://music.apple.com/br/album/%C3%A9-tudo-o-que-eu-quero-ter-single/1195127288
Link Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Caixinha_de_M%C3%BAsica_(Ao_Vivo)
Link YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=B-dxiQy0DK
Fim do capítulo
''Nil sapientiae odiosius acumine nimio.''
Sêneca
FOR NOW, THAT'S IT!
Tenham uma boa leitura e comentem à vontade.
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