Muito os admiraria saber que desde há muito se divertia com eles o acaso.
Capitulo IX - Apaixonei-Me E Me Envolvi Demais
Capítulo IX
''Apaixonei-Me E Me Envolvi Demais'' ²
Rochedo, Paraná - Brasil.
Escola Cecília Meireles.
Final Da Tarde De Terça-Feira.
Agosto 07, 2018.
Louise
A sirene avisa — com o seu som estridente — o final das aulas. Em frente à porta de saída, fechada, espero minha turminha organizar-se em fila para podermos ir embora. Não é fácil, mas sempre acabamos nos entendendo e saímos quase sempre organizadamente. Quando percebo quase todos arrumados — nunca 100% — abro a porta e deixo a passagem livre. A fila começa a andar com todos conversando animadamente. É sempre assim, e acho que sempre será. Quando a última dupla sai, sigo-os fechando a porta. A minha sala é a última e fica no final de um longo corredor, assim sempre somos os últimos a sair no pátio da escola, onde há uma debandada geral. Eu fico arrepiada com medo deles se machucarem. Mas até hoje ninguém se machucou. Pelo menos, seriamente.
No portão de saída, pais e motoristas — das vans e ônibus escolares — esperam por eles para irem embora ou levá-los para suas casas. Os inspetores de alunos da escola ficam juntos para organizar a saída de todos. Aos poucos, a escola vai silenciando. Suspiro, aliviada; mais um dia se foi. Viro-me para voltar ao interior da escola para ir até à sala dos professores guardar o meu material, pois eu vou para casa andando.
Entro na sala dos professores, cumprimento a todas — sim, somos somente mulheres na escola, com exceção de um inspetor de alunos e um servente escolar — e guardo rapidamente meu material, fechando a porta do meu armário e saindo rapidamente. Meu Fusca não está pronto — papai disse que não era somente bateria — e tenho que voltar a pé para casa. Estou nervosa — mas também ansiosa e até mesmo excitada com o que poderia acontecer — com o meu encontro logo mais à noite com Ash. Quero que dê tudo certo, não quero estragar nada.
Saio da escola, coloco meus fones de ouvido e dou play no aplicativo do meu celular. A caminhada até minha casa não é longa. Eu venho com o meu Cuca para trazer o material que eu utilizo nas aulas ou algum material diferente para trabalhar com os meus alunos. Não dá para trazer tudo nas mãos. Tanto assim, que hoje trouxe somente o essencial.
Na minha playlist, toca Plutão Já Foi Planeta...
''Se eu partir, não mais te vir
Que me deixe a saudade vir
Que se deixe ela ir de vez
E quando eu, finalmente, vir
Engane minha alma da saudade
E dela me lembre, contente
Do tempo em que foi ausente
E você sempre presente
O ficar e o ir da gente ''
Olhar para mulheres eu sempre olhei por curiosidade ou porque, às vezes, não tem como não admirar a beleza de um rosto, o corte dos cabelos ou as formas de um corpo bem definido... Seios, bunda, pernas. E não é somente corpo: a inteligência, o empoderamento. Não tem como não admirar mulheres assim. No entanto, nunca envolvi-me seriamente, muito menos apaixonei-me ou desejei sexualmente. Porém, bem lá, no fundo, sempre tive a curiosidade do toque feminino, de sentir ou de fazer-me sentir. E o que eu achava que estava esquecido, adormecido, Ashanti trouxe tudo de volta.
''E quando eu chegar
Me espere em sua porta
E não me deixe ir
Se sabe que eu não volto ''
Na faculdade, naquelas festas malucas regadas a muita bebida — e também muita droga, infelizmente. Não que o álcool não seja uma droga, mas, sei lá... — havia flertes de todos os lados sem se importar se eram direcionados para as meninas ou meninos. Todo mundo flertava com todo o mundo, isso quando não ficava. Lembro-me de que foi em uma dessas festas que encantei-me por uma loira que fazia Medicina. Trocamos olhares durante a festa toda. E mesmo depois, descobrindo que a mulher dela estava na festa também, não deixei de ficar interessada. Mas não passou disso. Nunca mais a vi.
''Se eu passar um tempo aqui
Não faça mais nada, além de me acudir
De faltar, sentir
A cidade tá na mesma
E eu volto pro mesmo abraço
Eu sei muito bem o traço da saudade
E quando eu chegar
Me espere em sua porta
E não me deixe ir
Se sabe que eu não volto ''
Estar com Ashanti, querer estar com ela, fez nascer em mim um desejo que talvez eu ainda não saiba como lidar com ele nesse momento, sozinha, mas com ela ao meu lado, sinto que tenho forças para lutar por esse sentimento que está crescendo, apesar do pouco tempo que nos conhecemos.
Olho para o céu. Já é possível ver as primeiras estrelas da noite. Meu coração está acelerado dentro do meu peito só da lembrança das trocas dos beijos entre nós. Meu coração não acelera nem quando faço sex* com Doug.
Douglas... Ele não é um problema, mas tenho que resolver logo, conversar com ele.
''Quando eu chegar
Me espere em sua porta
E não me deixe ir
Se sabe que eu não volto
Então, o que vai ser? '' ¹
Casa Da Família Almeida Bacchi.
Início Da Noite De Terça-Feira.
Agosto 07, 2018.
Assim que fecho a porta de entrada de casa, noto meu irmão deitado no sofá assistindo TV. Largado, como sempre.
— Oi, Maciel! — Cumprimento-o, retirando meus fones de ouvido.
— Conseguiu quebrar o carro? — Cretino. Não respondo. Vou direto para a cozinha. Posso sentir o aroma delicioso do jantar já pronto. Mamãe é uma excelente cozinheira.
O que será que Ash está preparando para nós?, penso e sorrio.
— Oi, mãe, pai! — Jantamos cedo, aqui em casa. Papai já está sentado à mesa. Ele é bom de garfo.
— Oi, filha! — Mamãe está em frente ao fogão fritando alguma coisa. — Já estou terminando.
— Falando em terminar, o seu carro, entrego amanhã — diz meu pai. Ele bebe uma cerveja. — Ele ficou novinho em folha. – Completa ele.
— Depois me diz quanto você gastou para consertá-lo.
— Até parece que vou cobrar de você.
— Papai, por favor... — Ele dá de ombros, sorrindo.
— Filha, chama seu irmão para jantar.
— Não vou jantar. Não aqui, é claro — mamãe vira-se para mim, abrindo um sorriso largo.
— Vai sair com seu namorado? — Dona Maria não desiste.
— Doug não é meu namorado — digo já saindo da cozinha. —, e não é com ele que vou jantar — mas, também, não digo com quem.
Passo pela sala e aviso Maciel que nossos pais estão esperando-o para jantarem juntos e vou para o meu quarto.
Entro no quarto e coloco minhas coisas na escrivaninha que fica em um canto, próxima à janela. O meu celular vibra. Pego e destravo sua tela. É Ashanti. Sorrio.
''Pronta? Chego aí em minutos!''
Apressada, essa minha mulher. Minha mulher? Balanço a cabeça negativamente, sorrindo.
''Cheguei faz pouco tempo pouco da escola. Vou tomar banho ainda!''
Mal termino de digitar e ela já está respondendo.
''Não vejo a hora de te ver. Hoje, a noite será só nossa. Não demora, ok?''
Meu coração acelera. Só nossa? Estaremos sozinhas? Posso escutar as batidas do meu coração.
''Não demorarei. Quero estar bonita para você!''
Quase não consigo enviar. Eu escrevi mesmo isso? Estou trêmula.
''Mais ainda? Impossível! Você é perfeita do jeito que é!''
Estou começando a responder e percebo que ela digita ainda. Espero.
''Quero você em meus braços! Beijos!"
Sento-me em minha cama. Minhas pernas estão bambas.
''Aviso quando estiver pronta! Beijos!''
Ela visualiza minha resposta, mas não responde. Deixo meu celular na cama e pego minhas coisas para o banho. Preciso esfriar um pouco. Depois, escolho o que vestir.
Entro no banheiro e fecho a porta. Tiro minha roupa e me irrito. Deveria ter feito isso no meu quarto. Deixo a roupa em qualquer lugar, afinal vai tudo para a máquina de lavar. Quando entro no boxe, olho instintivamente para baixo, para o meu sex*. Tenho certeza de que corei. Sinto minhas faces quentes. Tem cabelos lá embaixo... Muitos! Preciso aparar, raspar. Preciso? Faz tempo que eu não cuido dessa área. Faz tempo que eu não faço sex*. Coro mais ainda, imaginando por que eu quero essa área peladinha. Encosto-me à parede fria do banheiro. Estou excitada.
Não preocupava-me muito com isso quando eu saia com o Doug, ele não era de preliminares — o que era frustrante — então eu somente aparava. Mas hoje eu a quero bonitinha. Sinto meu corpo esquentar mais ainda. Resolvo usar um creme depilatório. Usei-o uma vez, mas não foi total. Hoje eu a quero lisinha. O banho será mais demorado do que eu imaginava. Mas vai valer a pena.
Já sei como usar, então talvez não demore tanto. Lavo meu púbis e aparo o excesso de pelos com o barbeador elétrico, deixando os pelos mais curtos. Aplico o creme evitando os grandes e pequenos lábios, toda aquela área sensível. Espero o tempo necessário e retiro o produto e uso bastante água. Gosto do que vejo. Em um flash, imagino Ashanti com a boca ali e suspiro. Sinto uma fisgadinha entre as pernas... Nossa, como eu estou muito, mas muito excitada.
Giro lentamente a torneira da ducha e deixo a água fria cair sobre minha cabeça, cabelos, minha pele quente. Passo xampu, sabonete líquido, condicionador. Não demoro muito. Fecho a torneira e saio do boxe. Pego a tolha felpuda, mas macia, e passo por todo o meu corpo, secando-o. Com a mesma toalha, tiro o excesso de água dos meus cabelos. Envolvo-me nela, pego minhas roupas e a nécessaire e abro a porta do banheiro, dando de cara com meu irmão de braços cruzados encostado na parede, com cara de poucos amigos, que ultimamente é a única cara que ele usa.
— Achei que não fosse sair nunca.
Ignoro-o caminhando em direção ao meu quarto. Quando fecho a porta do quarto, com chave, escuto meu irmão gritando que o banheiro está molhado. O que ele queria? Não existe banho a seco. De maneira nenhuma para seres humanos, acho.
Abro o guarda-roupa e fico observando os vestidos. Não tenho muitos. Preciso dar uma reformulada. Ashanti parece, a mim, requintada. Porém, quero surpreendê-la. Escolho um preto de alças, costas nadador e cinturado com estampas de lacinhos brancos e curto, mas não muito curto. Abro a gaveta de lingerie e escolho um conjunto branco de rendas. Coloco tudo em cima da cama.
Pego o secador de cabelos. Enquanto seco meus cabelos, vou passando meus dedos por entre eles, penteando-os com os dedos, deixando-os ondulados e armados. Desligo o secador e olho-me no espelho. Estou nua. Nunca me senti tão bonita na minha vida. Coloco a lingerie e o vestido, alisando-o com minhas mãos. Volto ao espelho. Muito bom. Decido não usar acessórios. Antes de maquiar-me, mando uma mensagem para Ash avisando-a de que já estou pronta. Ela visualiza a e manda um emoji positivo.
Sento-me em frente à penteadeira para a maquiagem: pele, olhos, lábios; neles, um batom vinho. Combinaria com as unhas.
Perfeito!
Como a noite é especial, vou de La Vie Est Belle, da Lancôme. Estou usando-o pela primeira vez. Que fragrância deliciosa. Pego minha bolsa de mão e guardo o celular, as chaves de casa e levo o batom, caso tenha que retocar meus lábios. Volto ao espelho novamente e olho o conjunto, agora completo. Minhas coxas estão mais ou menos expostas.
Divino!
Abro a porta do quarto para sair e escuto vozes. Ashanti? Será que ela já chegou? Apago as luzes, fecho a porta e apresso-me para chegar até a sala.
Quem está falando com ela?
Quando chego na sala e vejo Ash, meu mundo entra em stand by: ela usa um vestido branco — que valoriza sua pele negra — ombro a ombro, magas largas, três quartos... Barrinhas coloridas e estampas nas laterais da manga e na altura das coxas enfeitam o vestido, discretamente. Nos pés, uma sandália branca... E ela está de pernas cruzadas — pernas cruzadas — mostrando sem nenhum pudor suas belas e grossas coxas. Meus pais no sofá grande e meu irmão — com a baba escorrendo pelo queixo — sentado no braço do sofá em que Ash está e com seu braço apoiado no encosto do sofá a centímetros do pescoço de Ash.
Grrr!
— Louise, sua família é maravilhosa — diz ela, levantando-se, vindo até mim e beijando minha bochecha, pousando sua mão em minha cintura, discretamente. Amoleço. Se o mundo acabasse naquele momento, morreria em êxtase. — Não esperamos você chegar para nos apresentar.
— Sim! Meus pais são maravilhosos — faço questão de não incluir Maciel na família. Por birra, talvez. Com os três olhando-me e com ela ali quase colada em meu corpo, minha face está mais que ruborizada, está pegando fogo. E meu irmão ali, comendo-a descaradamente com os olhos.
Que ódio!
— Filha, você não disse que tinha uma amiga tão maravilhosa como a doutora.
— Pai, conhecemo-nos há pouco tempo — digo rapidamente e aproveito para caminhar até à mesinha de centro onde tem uma jarra com suco e copos, afastando-me de Ashanti. Preciso refrescar-me. Pego um copo já com suco — ainda gelado — e bebo um pouco. Minha garganta está seca e meu corpo quente. — Sou professora da Melissa, filha dela.
Há um copo vazio sobre a mesinha. Deve ser o que Ash usou para beber o suco, já que ela não tem nenhum copo na mão.
— Você é casada, doutora? — Gelo com a pergunta inconveniente do meu irmão, temendo a resposta de Ashanti.
Imagine se ela falar que foi casada com uma mulher.
— Melissa é uma menininha muito linda e esperta — atravesso a conversa e não dou tempo para ninguém. — Vamos então? Sua filha deve estar faminta — afirmo, indo em direção à porta de saída. Meus pais levantam-se e meu irmão também. Ash me acompanha, pegando as chaves do carro de dentro da sua bolsa.
— Melissa é o nome da sua filha?
— Sim, Dona Maria. Ela tem oito anos, mas como Louise disse, ela é muito esperta para a idade dela — Ash vai respondendo enquanto caminha e eu já estou abrindo o portão da rua e saindo para a calçada. Somos seguidas pelos três.
Não acredito!
— Uau, que carrão! — Esse é meu irmão falando da BMW de Ash, enquanto ela destrava o alarme e abre a porta do carro para eu entrar.
— É um bom carro — limita-se Ash a dizer, enquanto fecha a porta do carro. Acompanho-a com o olhar enquanto ela dá a volta pela frente da BMW, abrindo a porta do lado do motorista, assumindo seu lugar. Quando ela senta, suas coxas ficam quase toda à mostra. Ela coloca o cinto de segurança e pressiona o botão start da BMW, fazendo o motor vibrar. Eu abaixo o vidro elétrico do meu lado para despedir-me dos meus pais. Ash também despede-se, colocando o carro em movimento.
Viro-me para olhar Ashanti, mas acabo olhando para trás: na calçada, meu irmão, de braços cruzados, observava o carro afastar-se.
— Música?
— Sim, claro — respondo, olhando-a, já esquecendo Maciel.
Uma melodia conhecida começa a tocar e logo a voz rouca de Tim Maia preenche o interior da BMW...
''Pro meu grande amor
Meu amor
Quero você bem perto de mim
Oh meu grande amor
Meu amor
E sentir seu corpo junto assim
Desde o momento em que te vi
Me apaixonei e me envolvi demais
Momentos lindos de prazer
Enlouqueci, então gamei, foi mal''
Ela anda com o carro alguns metros e, quando entra em uma rua menos movimentada, estaciona sem desligar o carro. Olho-a sem entender o que está acontecendo. Vejo-a tirando seu cinto de segurança e virando-se em minha direção. Com o movimento, ela abre levemente as pernas, deixando-me vislumbrar uma pequena parte de sua calcinha... Branca. Quando percebo o que ela está fazendo, tenho minha boca invadida pela sua. Não resisto. Entrego-me... E sua língua gostosa e quente passeia pela minha boca, sugando minha língua.
Eu estou toda molhada e nem chegamos à casa dela ainda.
Enquanto ela me beija-me, sua mão direita agarra minha nuca, forçando minha boca contra sua, não dando espaço para nem sequer eu soltar um gemido, um suspiro, todos sufocados pelo seu beijo. Sua mão esquerda passeia lentamente pelas minhas coxas e involuntariamente abro minhas pernas para que ela me toque, mas torturadamente não faz isso, somente assanha-me.
''Pro meu grande amor
Louco amor
Quero você bem perto de mim
Oh meu grande amor
Meu amor
Nosso amor não vai chegar ao fim
Vou me arrumar e esperar
Você voltar pra me fazer feliz
Beijar seus lábios sensuais
E te querer como ninguém te quis, te quis''
Terminamos o beijo e ficamos com nossas testas encostadas, olhos fechados, recuperando nosso fôlego. Suas mãos — na minha nuca e em minha coxa — fazem carícias suaves, lentas, delicadas. Meu coração palpita.
— Eu precisava beijar você.
— E eu precisava ser beijada por você — respondo, selando nossos lábios novamente, mas de uma maneira apaixonada. Apaixonada. Eu estou apaixonada por uma mulher... E que mulher. Só agora me dou conta de que ainda estamos paradas na rua. — Precisamos ir — digo, fazendo um carinho em seu rosto. Beijamo-nos de novo e ela beija minha boca deliciosamente.
— Sim, precisamos.
Nesse momento, ela afasta-se, recolocando seu cinto e colocando o carro em movimento. Eu a olho e já não imagino-me sem ela na minha vida. Estico meu braço e passo minha mão delicadamente em seus cabelos, encaracolados e macios, e desço meus dedos até sua nuca, arranhando-a com minhas unhas. Ela fecha os olhos e abre-os rapidamente, concentrando-se no caminho que o carro percorre.
''Pro meu grande amor
Meu amor
Quero ter você perto de mim
Oh meu grande amor
Lindo amor
Nosso amor não vai chegar ao fim''
Ashanti é uma mulher linda demais. Não dá para acreditar que ela está interessada em mim, tão sem cor, tão sem sal... Continuo com os carinhos e olho para a frente. Estamos quase chegando a sua casa.
— O que você viu em mim?
— E você, o que viu em mim? — Ela devolve.
— Eu perguntei primeiro.
Ambas sorrimos. Minha mão continua em sua nuca, acariciando-a. Viro-me para ela. Ela olha-me por uns instantes e volta sua atenção para a rua.
— Existe amor à primeira vista? — Ela pergunta, concentrando-se no caminho à frente. — Quando Cecília morreu, achei que o meu desejo de amar tinha morrido também. Eu achava que nunca mais teria espaço para deixar um outro alguém entrar em minha vida. Então conheci você. — Afirma. Ela me olha e sorri. Meu coração se aquece. — Novamente, eu pergunto: existe amor à primeira vista? E eu respondo, Louise: Sim! Mas, como um primeiro passo para o conhecimento por quem você se interessou. Foi o que aconteceu comigo quando você entrou naquela sala. Apaixonei-me por você antes de você fechar a porta e sermos apresentadas.
''Pro meu grande amor
Meu amor
Quero você bem perto de mim
Oh meu grande amor
Belo amor
E sentir seu corpo junto assim''
Ficamos por um momento em silêncio, perdidas em nossos pensamentos.
— Estou também apaixonada por você — revelo, encarando-a. — O que eu sinto quando estou com você, quando penso em você, eu jamais senti por ninguém — continuo e sinto minha voz embargada. — Eu não sei como vou administrar esses sentimentos avassaladores que sinto quando te olho, quando sinto seu cheiro, mas não fugirei deles. Eu quero, Ash, eu quero muito viver tudo isso com você.
Somente agora percebo que o carro estava parado. Tínhamos chegado. Entreolhamo-nos e nos perdemos em nossos olhares. Soltamos juntas nossos cintos de segurança e avançamos uma sobre a outra, beijando-nos com sofreguidão, sede, luxúria, paixão. Antes dela desligar o carro, ouvimos as últimas palavras da música de Tim Maia ecoando pelo carro...
''Pro meu grande amor
Lindo amor
Quero você bem perto de mim
Oh meu grande amor
Louco amor
Nosso amor não vai chegar ao fim
Lindo amor
Louco amor
Quero você bem perto de mim
Oh meu grande amor
Louco amor
Nosso amor não vai chegar ao fim'' ²
Saímos da BMW e ela aciona o alarme, travando as portas do carro. Entrelaçamos nossas mãos caminhando lado a lado, sorridentes, em direção à porta de entrada da casa de Ashanti.
Uma brisa suave sopra, fazendo com que meus cabelos esvoacem sutilmente. Na mente, bilhões de pensamentos, sentimentos, mas nenhum medo. De repente, do nada, lembro de um versículo lido na missa passada pelo padre da paróquia que eu e meus pais frequentam:
''No amor não há medo; ao contrário, o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.'' ³
Assim, sou só coragem.
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¹ O Ficar E O Ir Da Gente - Plutão Já Foi Planeta - 3:59
Single By Plutão Já Foi Planeta From The Album ''A Última Palavra Feche A Porta'' - 2017.
Compositores: Gustavo Arruda Gesteira/Joanilson Campos De Albuquerque Junior/Khalil Leandro Maciel De Oliveira/Natalia Pereira De Noronha/Vitoria De Santi Estácio.
Letra De O Ficar E O Ir Da Gente © Warner/Chappell Music, Inc.
Link Discogs:
Link Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Plut%C3%A3o_J%C3%A1_Foi_Planeta
Link YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=KlNcJ6uBN9g
² Pro Meu Grande Amor [Hey There Lonely Girl] - Tim Maia - 5:47
Single By Tim Maia From The Album ''Pro Meu Grande Amor'' - 1997.
Compositores: Leon L. N. Carr/Earl Stanley Shuman/Sebastião Rodrigues 'Tim' Maia.
Letra De ''Pro Meu Grande Amor'' © Warner Chappell Music, Inc, ''Hey There Lonely Girl'' © Music Sales Corporation, Music Sales Corp.
Link Discogs:
https://www.discogs.com/release/12325528-Tim-Maia-Pro-Meu-Grande-Amor
Link Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Maia
Link YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=ihSYZMpobfU
³ 1 João 4:18
Fim do capítulo
''Nil sapientiae odiosius acumine nimio.''
Sêneca
FOR NOW, THAT'S IT!
Tenham uma boa leitura e comentem à vontade.
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