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Impetuosas por Omuwandiisi

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Palavras: 3651
Acessos: 118   |  Postado em: 30/06/2026

Notas iniciais:

 

''Houve marcas, sinais, que importa se ilegíveis.''

 

Capitulo XII - Quando O Amor Comeca, Nossa Alegria Chama

 

Capítulo XII

''Quando O Amor Começa,

Nossa Alegria Chama'' ¹

 

 

 

 

 

 

Rochedo, Paraná – Brasil.

Casa De Ashanti

Início Da Manhã De Quarta-feira.

Agosto 08, 2018.

 

Ashanti

 

De olhos fechados, estico minha mão procurando pelo corpo de Louise, mas a cama está vazia. Entreabro os olhos e ergo a cabeça procurando por ela ali dentro do quarto. Também não está. Volto a deitar-me. Estou com muita preguiça e satisfeita com a noite que passei com ela. Fecho os olhos, espreguiçando-me e tirando o lençol de cima de mim. Adoro sentir-me nua.

Nesse momento, escuto a porta ser aberta e alguém entrar.

— Louise?

Sim, é ela. O seu perfume ainda pode ser sentido. Ela deixa alguma coisa ao lado da cama e um cheiro de café invade meu olfato. Então sobe na cama e deita-se às minhas costas, beijando-as e acariciando minha bunda com sua mão quente e macia, deslizando em direção ao meio de minhas pernas. Mas eu me viro antes de ela chegar onde queria, sorrindo para ela.

Louise me olha profundamente e me dá um beijo molhado. Meu corpo responde ao seu beijo e eu a viro na cama, deitando-me sobre seu corpo, passeando minha língua dentro de sua boca.

— Ash, o café... — ela tenta falar por entre meus beijos.

Eu interrompo o beijo e a olho.

— Café? — Digo, encarando seu lindo rosto sorridente.

— Sim, preparei para você, para nós... — ela sussurra em um fio de voz, excitada.

Estou com minha perna entre as suas, pressionando seu sex* deliciosamente molhado.

— Se não tomarmos agora, vai esfriar — Louise conclui, arfando.

— Sério? Você acha que vai esfriar?

Ela olha-me, tentando entender minha fala, mas minha expressão de quem quer fazer safadezas diz tudo, fazendo-a abrir um largo sorriso.

— Então não vamos deixar esfriar, não é mesmo?

Sem esperar sua resposta, coloco dois dedos na entrada de seu sex*, massageando-a e, notando-o já molhado, empurro os dedos para dentro de sua vagin*. Ao mesmo tempo em que penetro-a, uso meu polegar para massagear seu clit*ris. Louise abraça-me forte, apertando meus ombros e empinando o quadril, fazendo com que meus dedos a penetrem mais fundo.

Enquanto faço um vai e vem dentro de sua vagin*, encaixo meu quadril em sua coxa, rebol*ndo sobre ela, lambuzando-a. Ise parece estar com pressa, acelerando seu rebol*do em meus dedos.

— Ash... — gem* Ise, sentindo meus dedos movimentando-se dentro de sua sex*.

— Oi, amor... — sussurro em seu ouvido, ch*pando-o e mordendo-o.

— Mais forte... mais rápido...

— Assim? — Respondo, aumentando a velocidade do vai e vem dentro dela e penetrando mais fundo, colocando mais um dedo.

— Sim, sim... não pare, amor...

Mas eu paro, e ela solta um lamento grande de decepção.

— Eu estava quase...

— De costas, agora! — Exijo, já virando seu corpo.

Assim que Louise fica de costas para mim, dou, com força moderada, uma tapa de mão espalmada em sua bunda, fazendo-a gem*r de excitação. Deito-me sobre suas costas, beijando seu ombro, mordendo, lambendo. Vou descendo meus beijos até chegar à sua bunda, onde cheiro, mordo e lambo.

Ise empina a bunda ao encontro do meu rosto, instigando-me. É excitante sentir o cheiro que vem de seu sex*, que, de tão molhado, mancha o lençol. Como Louise está empinando a bunda, aproveito e elevo seus quadris, deixando-a de quatro, dando-me uma visão maravilhosa de sua vulva encharcada.

Deito-me sobre ela, encostando meu sex* molhado em sua bunda. Levo minha mão direita para massagear seus seios enquanto beijo suas costas. Ela rebol*, procurando esfregar a bunda em meu sex*. Aos poucos vou descendo meus beijos novamente em direção à sua bunda, enquanto uso minha mão direita para empurrar Louise pelos ombros, delicadamente para baixo, fazendo-a empinar ainda mais a bunda e deixá-la totalmente exposta para mim.

Entendendo o que eu quero, ela olha para trás — mostrando um rosto totalmente vermelho, talvez pela posição em que está ficando e também pelo tesão do momento — deixando entrever um sorriso safado. Nesse momento, Ise apoia o corpo nos cotovelos, abaixa a cabeça e passa a mão por entre os cabelos, deixando-os todos desalinhados.

Eu, atrás dela, salivo ao vê-la toda entreaberta ali, pronta para mim. Seu sex*, de tão molhado pelo pré-gozo, pede por mim. Sem pestanejar, levo minha boca até o seu sex* e passo minha língua por toda a sua extensão, de baixo para cima, até próximo do seu ânus, fazendo depois o caminho contrário.

Paro minha boca em sua vulva e a ch*po, lambendo-a. Lambo seus grandes lábios, ch*po seu clit*ris, beijo sua coxa e mordo sua bunda.

Ela arfa e geme.

Ise então deita totalmente a parte da frente do corpo, pousando a face direita do rosto no lençol — olhos fechados, boca entreaberta sugando oxigênio — deixando os braços largados de cada lado do corpo e empinando ainda mais a bunda, se é que isso é possível.

Suas mãos agarram o lençol, amassando-o todo.

Forço sua nádega esquerda para o lado, abrindo ainda mais seu sex*, e começo a massagear seu clit*ris com a mão livre. Louise está muito molhada e, sem avisar, introduzo três dedos dentro de sua vagin* com força. Ela solta um gemido rouco e alto, ecoando pelo quarto, excitando-me ainda mais do que já estou.

Continuo entrando e saindo da vagin* de Louise, ora lentamente, ora rapidamente, enlouquecendo-a. Sem deixar de penetrá-la, com minha outra mão começo a acariciar suas costas. Deslizo minha mão até o seu pescoço, afagando-o, e enfio meus dedos por entre seus cabelos, agarrando-os com uma pequena força — sem pensar muito se a estou machucando ou não.

Aperto os fios e puxo sua cabeça para trás. Louise gem* alto de prazer ou dor. Não sei. Sem controlar meus instintos, colo meu corpo em suas costas, onde meus seios se esfregam com nossos movimentos alucinados.

Debruço-me ainda mais até chegar à sua orelha, mordendo seu lóbulo.

— Goz* para mim, meu amor... — gemo em seu ouvido.

E ela goz*.

Ao sentir seu líquido quente escorrer por entre meus dedos, gozo com ela. Nós duas gem*mos ao mesmo tempo, descontroladamente. Satisfeita pelo prazer dado à minha amada, tiro meus dedos de dentro dela e deito-me de olhos fechados, ainda arfando.

Ao meu lado, sinto Louise deitar-se também.

Ficamos em silêncio, esperando nossas respirações se acalmarem.

— Acho que o café esfriou — ouço-a dizer em um fio de voz.

Ajeito-me ao seu lado, apoiando minha cabeça na mão esquerda, com o cotovelo no colchão. Com a mão livre, começo a acariciar sua barriga. Ela está de olhos fechados e sorri com meu carinho.

Louise é uma mulher muito atraente. Muito quente.

— Que tal uma proposta indecente?

Ela abre os olhos e encara-me, enquanto entrelaça nossos dedos, interrompendo minha carícia em sua barriga.

— Tipo?

— Que tal passar o dia com sua amada e a filha dela, sem fazer nada? Ou só fazendo gordices?

— Você está sugerindo que eu — ou melhor, nós — enforquemos nossos trabalhos em plena quarta-feira? — Pergunta ela, sorrindo, e eu assinto. — E ainda por cima levar sua filha junto, com ela faltando na escola da qual, por coincidência, sou professora?

— Basicamente.

— Topo!

Depois de mais algumas carícias, beijos e abraços, tomamos o café que ela preparou — perfeito e gostoso — e tomamos um banho juntas, o que nos atrasa um pouco. Afinal, uma mão leva à outra e o banho estende-se mais do que o previsto. Isso também nos atrasa para entrar em contato com nossos respectivos trabalhos.

O meu é menos complicado. Entro em contato com Pietra e explico que preciso do dia livre. Ela fica de reagendar minhas pacientes de hoje.

Com Louise é mais complicado. A coordenadora não gosta de ela avisar em cima da hora e tenta colocar alguns empecilhos. Mas minha amada é firme e consegue fazê-la entender que precisa da falta.

A escola em que ela trabalha à tarde é menos difícil, pois eles têm a manhã toda para providenciar uma substituta. No final, ela consegue avisar as duas escolas e dá tudo certo.

Também falo com Benê. Digo a ela que Melissa não vai à escola e peço que a traga de volta para casa.

Assim que Mel chega — fazendo um carnaval ao encontrar Louise ali, sua amada professora — saímos para ir até a casa de Louise para que ela coloque uma roupa mais adequada para um passeio durante o dia.

 

Casa da Família Almeida Bacchi

Segunda-feira, meio da manhã

08 de agosto de 2018

 

Estaciono a BMW quase em frente à casa de Louise. Apesar de ser meio de semana — dia útil de trabalho, para quem está trabalhando, é claro — há algumas vagas disponíveis para estacionar carros. Por sorte, a vaga fica quase em frente à sua casa.

Ela sai primeiro do carro e, abrindo a porta de trás, ajuda Mel com o cinto de segurança para que ela saia também. Já na calçada, Mel dá a mão para Louise e as duas caminham até o portão da casa dela. Eu paro logo atrás das duas enquanto Louise pega suas chaves na bolsinha que leva e abre o portão de entrada.

Melissa corre para dentro sem nos esperar.

— Filha, não corra! — Peço à minha pequena, que tinha soltado da mão de Louise e já está parada na porta de entrada da casa.

— Eu não corri, mamã. Andei muito rápida, dipressa.

— Correu, sim. E não é dipressa que se diz, é depressa — apresso-me em corrigi-la, e ela faz bico porque chamo sua atenção.

Louise arqueia a sobrancelha, talvez querendo dizer que a professora ali é ela.

— O que foi?

— Nada, dona Ash, nada!

Ela abre a porta e nós entramos. A porta é trancada em seguida e seguimos para a cozinha — minha filha e meu amor de mãos dadas. Reviro os olhos, não acreditando na minha pequena birrenta.

Um cheiro delicioso de café recém-passado recende pela casa.

— Bom dia, mamãe!

— Filha? — Diz a senhora, assustando-se com a chegada de Louise e deixando uma colher cair no chão.

Mel larga a mão de Louise e corre até onde está Dona Maria, pega a colher do chão e a entrega a ela.

— Tem que lavar!

Penso em falar algo, mas, devido ao olhar atravessado que minha amada me dá, desisto.

— Mas que menina linda! Obrigada, meu anjo.

— De nada! — Mel responde, balançando a cabeça afirmativamente, pois sabe que acertou na fala e no gesto.

A mãe de Louise passa a mão pelos cabelos cacheados de Mel, que abre um sorrisão para ela.

— Sua filha?

— Sim.

— Ela é linda, doutora!

Sorrio em assentimento.

— O que você está fazendo aqui, filha? — Ela encara Louise, que leva alguns segundos para responder.

— Vamos passear, né, mamã?

— Passear? Você não vai trabalhar hoje?

— Quem vai passear? — Ressoa o pai de Louise, que acaba de entrar na cozinha, mas a expressão dele não parece nada boa.

— Eu, mamã e a Louise, minha professora — ressalta Mel.

— Sua filha, doutora?

— Sim, minha princesa — respondo a ele.

— Você está bem? — Pergunta Louise, aproximando-se dele.

— Não tô bem não, filha.

Realmente, ele parece meio abatido, pálido.

— Minha mamã dá remédio, né, mamã? Pede pra ela!

Todos rimos.

— O que o senhor está sentindo?

— Ele passou a noite toda reclamando de dores no peito — diz Maria.

Louise olha para mim, preocupada, pedindo ajuda, enquanto segura a mão do pai e puxa uma cadeira para que ele sente-se.

— Vou até o carro pegar meu esfigmomanômetro.

Deixo a cozinha rapidamente e sigo para a sala. Destranco a porta e levo as chaves comigo para abrir o portão. Cardiologia não é muito minha área, mas possuo noções suficientes para fazer uma análise do pai de Louise. Apesar de a pressão alta não ser, por si só, indício de infarto, pode ser um dos indicadores.

Pego meu equipamento, mais o estetoscópio, e retorno célere para a casa. Ao aproximar-me da cozinha, ouço vozes alteradas, altas. Estão discutindo — e Mel está lá dentro.

— Vocês fazem um cavalo de batalha por qualquer coisa.

— Não é qualquer coisa, Maciel. Papai está assim desde que brigou com você, seu irresponsável.

Louise está quase gritando, e Mel está em meio a tudo aquilo, assustada, sozinha em um canto da cozinha.

— Irresponsável, maninha, é o que eu sempre sou pra vocês — retruca o irmão dela, caminhando em sua direção e aumentando ainda mais a voz. — EU SOU IRRESPONSÁVEL, NÉ? TÔ CHEIO DE VOCÊS!

— EU É QUE ESTOU CHEIA DE VOCÊ. EU NÃO TE RECONHEÇO MAIS! — Louise grita ainda mais, confrontando o irmão e partindo também em sua direção.

— Filha, pare com isso! — Maria repreende, tentando ficar entre os filhos.

— Louise! — Digo em tom baixo e firme, segurando seu braço com certa força e impedindo-a de aproximar-se mais do irmão. — A Melissa!

Falo ainda mais firme, chamando sua atenção.

Minha presença faz com que todos calem-se, e minha pequena aproveita o silêncio, correndo para meus braços. Eu a abraço com carinho, afagando seus cabelos.

Louise, como está próxima, faz um carinho em suas costinhas.

— Desculpa, Mel! — Diz ela, com pesar.

Ela me encara com os olhos marejados.

— Desculpa, Ash!

O irmão dela, fuzilando a todos com o olhar, abandona a cozinha pisando duro. Meu coração está acelerado e eu estou chateada. Minha pequena funga. Louise ainda mantém a mão nas costas dela.

A porta da frente é fechada com um estrondo.

— Sinto muito, doutora. Meu filho ultimamente está nos dando muito trabalho — fala seu João, com pesar. — Ontem tivemos uma discussão, quer dizer, mais uma, e desde então estou com algumas dores no peito. Não sei mais o que fazer com esse menino.

Ele termina massageando o peito e fazendo uma careta de dor.

De menino, o irmão de Louise não tem nada.

Dona Maria não diz uma só palavra.

Olho para Louise e vejo como ela está sentida com tudo aquilo. Melissa continua agarrada a mim.

— Mel, vem comigo — Louise pede com carinho para minha filha, mas ela não se mexe.

— Vem, vamos lá fora, no quintal. Tem frutas, pássaros...

Melissa então sai do meu colo e se aninha no colo de Louise, que a beija com carinho enquanto sai da cozinha.

— Vamos ver, seu João, como está essa fortaleza — digo, preparando-me para medir sua pressão.

A discussão anterior provavelmente deve tê-lo afetado — ou não. Apesar da briga ter acabado há pouco tempo, resolvo fazer os exames.

— Tomou café, seu João?

— Não, doutora. Íamos fazer isso agora… quer dizer, antes de tudo isso... — ouço Maria dizer, aparentemente mais calma agora.

Eu assinto e começo os procedimentos.

Ajeito melhor o braço dele sobre a mesa, com a palma da mão voltada para cima e o cotovelo ligeiramente fletido, e prendo o manguito inflável em torno de seu braço.

— Relaxe, seu João e, por favor, não fale, ok?

Ele concorda.

Não está tudo como deveria estar, como se eu estivesse no meu consultório ou em um hospital, mas vamos ver. Coloco o diafragma do estetoscópio sobre sua artéria braquial e, com a ponta dos meus dedos médio e anular, sinto sua pulsação.

Depois dos procedimentos e das contas, a pressão dele está em ''13 por 8''. Devido à discussão e à idade dele, não é algo assustador, mas ele precisa de exames mais detalhados.

— E então, doutora?

— Dona Maria, a pressão está em 13 por 8. Podemos considerá-la um pouco alta, mas pode ser que as discussões tenham feito com que ela se alterasse. Na verdade, vocês devem procurar um cardiologista para exames mais apurados.

— É o que vamos fazer — afirma ela, acariciando as costas do marido.

— Agora posso tomar café?

— Claro, seu João.

Nesse momento, minha pequena entra correndo com alguma coisa na mão.

— Olha, mamã... quer? — Mel oferece, com a boca cheia, mostrando uma fruta na mão.

— É maçã! — Explica Louise, apontando para a mãozinha dela. — Temos uma macieira no quintal e ela está cheia de frutas, já quase todas maduras.

— Nós não íamos almoçar, senhorita?

— Hum, hum — concorda minha pequena, mordendo a maçã.

— Foi só uma — diz uma sorridente Louise, diferente daquela que encontrei discutindo com o irmão. — Não vai atrapalhar — continua ela, colocando-se atrás da cadeira do pai, que agora está com uma caneca fumegante de café. — Como ele está?

— Aparentemente, bem. Mas é preciso um médico especialista, no caso, um cardiologista — respondo, conectada ao olhar dela.

Ela sorri, assentindo com a cabeça.

— Vamos marcar uma consulta, certo, papai?

— Vejo que não tenho escolha.

— Não mesmo, homem — ressalta a mãe de Louise.

— Vamos então, Ash?

— Sim, Louise.

— Vocês não vão ficar para o almoço?

— Não, mãe. Prometemos para Mel um passeio no shopping.

— Em plena quarta-feira? — Insiste dona Maria.

Entreolhamo-nos, e Louise fica calada, sem resposta.

— Mel está um pouco manhosa — minto. — Então resolvi passar uma tarde com ela e convidei Louise para nos acompanhar.

Dona Maria vira-se para a pia para lavar algo e não diz nada. Quem fala é o marido, já levantando-se, entregando a caneca vazia para Maria.

— Queria poder fazer isso de vez em quando, mas sempre tenho muito serviço na oficina. Bom passeio para vocês, meninas.

Ele dá um beijo na esposa e em Louise, dizendo um ''até mais, doutora... e obrigado '', e sai logo em seguida.

Ficamos em silêncio até que a mãe de Ise liga o rádio ali na cozinha, e uma canção de Almir Sater preenche o ambiente...

''Quando uma estrela cai no escurão da noite

E um violeiro toca suas mágoas

Então os "óio" dos bichos vão ficando iluminados

Rebrilham neles estrelas de um sertão enluarado

 

Quando o amor termina, perdido numa esquina

E um violeiro toca sua sina

Então os "óio" dos bichos vão ficando entristecidos

Rebrilham neles lembranças dos amores esquecidos''

— Vou colocar algo mais confortável e volto logo — Louise diz, tocando em meu braço antes de sair da cozinha.

Eu concordo e olho para minha pequena.

Junto meu equipamento que está sobre a mesa enquanto espero Louise voltar e minha pequena terminar sua maçã, já pela metade.

Maria continua com seus afazeres, parecendo inquieta ou concentrada no que está fazendo.

— A doutora aceita um café?

— Aceito, sim.

Ela sorri enquanto pega uma xícara e um pires para me servir.

— Pode ser em uma caneca, Maria.

— Eu prefiro servir em uma xícara, se a doutora não se importar.

— Claro, pode ser.

Ela então me serve o café em uma xícara muito bonita — com certeza de porcelana antiga, pelo modelo — delicadamente decorada com flores de roseira.

— Eram da minha mãe — ela diz, adivinhando meus pensamentos.

— É muito bonita.

— Ela ganhou de presente de casamento, quando se casou com meu pai, e deixou para mim depois que se foi...

Ela limpa as mãos no avental.

— Sabe... morreu.

— Sinto muito.

— Faz tempo, mas ainda sinto falta dela às vezes.

— Sei como é...

— Sabe? Você também perdeu sua mãe?

— Não, não... não minha mãe, mas uma pessoa muito querida.

Está aí um assunto que, por enquanto, não quero tratar nesse momento — não sem antes conversar com Ise. Fico aliviada por minha pequena não estar acompanhando a conversa e dizer algo que me obrigasse a falar sobre Cecília e, principalmente, sobre minha sexualidade.

Mel, porém, está se deliciando com sua maçã, sentada e quietinha, alheia à nossa conversa. Estou quase indo ao quintal pegar uma maçã para mim também.

— Meus pais estão vivos, mas a morte sempre nos rodeia, não é verdade?

Ela para pôr um momento o que está fazendo, olhando para mim, e concorda com um aceno de cabeça.

— Amigos, parentes, vizinhos...

— É verdade.

Nesse momento, Ise aparece — linda em um short xadrez de cintura alta, uma blusa branca folgada, bolsinha a tiracolo e sapatilhas brancas. Estonteantemente simples.

— Vamos?

— Nossa, filha, como você está linda — Maria diz ao virar-se e encarar a filha. — E cheirosa também.

— Não é para tanto, mãe — responde ela, caminhando até Mel. — Vamos lavar essas mãozinhas, senhorita?

Mel mostra o que restou da maçã em sua mão, sorrindo. Eu observo tudo, encantada.

''Quando o amor começa, nossa alegria chama

E um violeiro toca em nossa cama

Então os "óio" dos bichos, são os olhos de quem ama

Pois a natureza é isso, sem medo, nem dó, nem drama

 

Tudo é sertão, tudo é paixão, se o violeiro toca

A viola, o violeiro e o amor se tocam

Tudo é sertão, tudo é paixão, se o violeiro toca

A viola, o violeiro e o amor se tocam'' ¹

Depois de Melissa lavar as mãos — e verificarmos que ela não sujou a roupa — despedimo-nos da mãe de Louise e partimos para nosso dia de folga.

Deixamos para trás uma pensativa Maria — observando nossa partida — e as palavras da canção que vão desaparecendo aos poucos, até se silenciarem depois que fechamos a porta da casa.

 

_________________________________________________________________________

¹ Um Violeiro Toca - Almir Sater: 3.38

Single By Almir Sater From The Album ''Rasta Bonito'' - 1989.

Compositores: Renato Teixeira De Oliveira/Almir Eduardo Melke Sater.

Letra De Um Violeiro Toca © Warner/Chappell Edições Musicais Ltda.

Link Discogs: https://www.discogs.com/pt_BR/release/6562966-Almir-Sater-Rasta-Bonito

Link Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Almir_Sater#

Link YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=JhRdKFyO-mQ

 

Fim do capítulo

Notas finais:

 

''Nil sapientiae odiosius acumine nimio.''

Sêneca

 

FOR NOW, THAT'S IT!

Tenham uma boa leitura e comentem à vontade.

 


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Comentários para 12 - Capitulo XII - Quando O Amor Comeca, Nossa Alegria Chama:
Lilian Santos
Lilian Santos

Em: 03/07/2026

Estou amando a história dessas duas e também as citações da Bíblia são maravilhosas, parabéns Autora! 

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