''Haverá talvez três anos ou terça-feira passada''
Capitulo XIII - Ainda Bem Que Voce Vive Comigo
Capítulo XIII
''Ainda Bem Que Você Vive Comigo'' ¹
Rochedo, Paraná – Brasil.
Início Da Tarde De Quarta-feira.
Agosto 08, 2018.
Louise
Ashanti dirige com atenção voltada para a avenida — caminho para o shopping, onde vamos passar a tarde — sem deixar de conversar comigo e com Mel, que está chateada por eu tê-la colocado no seu assento elevado e afivelado o cinto de segurança. Ela queria, de qualquer maneira, sentar no banco do carro, coisa que nem eu nem Ash deixamos ela fazer. Então fica bicuda, mas, interagindo conosco, vai ficando mais sociável.
Ela é muito geniosa, mas linda e fofa.
Do nada, um cachorro peludo passa na frente do carro, fazendo Ash frear e desviar para não atingir o bichinho, pois é um cachorro pequeno. Correndo que nem um maluco, nós o observamos atravessar a avenida sem nenhum carro pegá-lo e alcançar a outra calçada. Depois do susto, começamos a falar de animais de estimação — provavelmente por causa do cachorrinho quase atropelado pelo nosso carro — e Mel presta atenção nas nossas palavras, muita atenção. Como o assunto rende, Mel agora quer porque quer um cachorro, não importando a raça ou o tamanho, e Ash nega.
— Mamã, por que você não quer que eu tenha um cachorro?
— Não é que eu não queira, meu anjo, mas cuidar de um animal, como um cachorro, por exemplo, demanda algum trabalho que, provavelmente, não será feito por você.
— Me ensina que eu aprendo a brincar com ele, dar comida...
— Não é tão fácil assim, filha.
Pelo canto do olho, observo Melissa — ela está atrás do banco de Ash —, de cara fechada, cruzar os bracinhos e inflar as bochechas com ar, bufando depois.
— O que sua mamãe quer dizer, Mel, é que um animal de estimação é mais que um brinquedo. Não basta só brincar e dar comida para ele: ele precisa também de um lugar especial para ficar, dormir; precisa de remédios, visitas ao veterinário e banho para cuidar dos pelos e ficarem sempre bem limpinhos... Também precisa ter cuidado com o cachorrinho quando for passear com ele na rua...
— Está vendo? Por isso eu disse que não é fácil ter um cachorro. E tem ainda o cocô dele para limpar...
— Eca, mamã! — Exclama Mel, fazendo uma cara de nojo como se tivesse acabado de morder um limão.
Assim, a pequenininha dá o assunto por encerrado, pelo menos por enquanto.
Rochedo, Paraná – Brasil
Shopping Center
Meio da tarde de quarta-feira
08 de agosto de 2018
— O que você acha? — Minha deusa pergunta, dando um giro completo, mostrando o quão bela fica usando o vestido — longo, com fundo azul e detalhes geométricos em dourado, amarelo e preto, com uma fenda que começa no meio da coxa esquerda, expondo toda a perna — que ela acaba de colocar e pretende comprar.
Melissa, sentadinha e toda sorridente — e boba como eu, admirando a mãe — bate palminhas, aprovando a escolha de Ashanti.
— Ele é lindo. Quer dizer, você, vestindo um trapo, fica maravilhosa — respondo, apreciando o quanto ela é bela e, dentro daquele vestido, voluptuosamente sexy.
— Vou levar esse — fala ela, dirigindo-se à vendedora que, a propósito, não para de secar minha mulher descaradamente.
Ash entra no provador para tirar o vestido, seguida pelo olhar despudorado da vendedora que, cinicamente, faz cara de quem somente está fazendo seu trabalho.
Logo Ash está de volta e entrega o vestido para a zoiuda e, assim, as duas vão para o caixa.
Enquanto Ash paga o vestido que comprou, eu e Mel saímos da loja de roupas e sentamos em um banco em frente à entrada da loja para, evidentemente, esperar Ash sair e eu ficar de olho na vendedora abusada, só observando até onde vai seu mau-caratismo.
— Estou com fome, Ise — diz minha linda pequena, fazendo biquinho. Expliquei a ela que, fora da escola, ela pode me chamar assim.
Eu também estou faminta.
Não é para menos. Até chegar a essa loja, rodamos praticamente todo o shopping até Ash achar a loja que queria e escolher o vestido. E olha que ela ainda quer que eu compre um para mim. Mesmo insistindo, não aceito. Se eu tivesse escolhido um para mim também, iríamos morrer famintas.
— Vamos esperar a mamã sair e decidirmos juntas para onde ir daqui, ok?
Minha bonequinha assente, balançando as perninhas e olhando para as pessoas que passam à nossa frente.
Eu não deixo de observar o interior da loja.
A safada da vendedora não para de sorrir para minha deusa negra. E ela? Toda sorridente, a desavergonhada.
Meu maxilar aperta enquanto observo aquela vendedora sorrir para ela. Preciso ter uma conversa séria com Ash. Ela que me aguarde.
Ash sai da loja, ainda dando tchauzinho para a vendedora, e vem em nossa direção.
— Para onde vamos, meus amores?
— Sua filha está com fome — levanto-me, respondendo rispidamente, pegando a mão de Mel e puxando-a comigo.
Ash, sem entender minha atitude, segue-nos um pouco atrás, mas apressa os passos até ficar ao meu lado. Recuso-me a olhar para ela, que não fez nada para afastar aquela sirigaita.
— O que aconteceu? — Ela questiona, pegando em meu braço e fazendo-me parar, ao mesmo tempo em que me vira de frente para ela.
Meu corpo reage imediatamente ao seu toque, ao seu agarre firme; firme, mas sem ser agressivo.
Cristo, como eu quero beijar sua boca agora.
Mas estou brava com ela.
— Sério? Você ainda pergunta? — Indago, soltando a mão da Mel e cruzando os braços abaixo dos seios.
E o que a desavergonhada faz? Faz carinho com o polegar em meu braço e eu — que já estou afetada pela firmeza com que ela me segura, fazendo-me pensar em coisas indecentes e quentes — acabo entregando os pontos.
— Poxa, Ash, aquela vadia comendo você com os olhos e você não faz nada?
Assim que termino de falar, ela olha para onde está Mel — que havia se sentado novamente, pois paramos próximo de outro banco — preocupada com as palavras que uso e temendo que a menina tenha ouvido.
Arrependo-me na hora do que disse, mas estou com ciúmes. Muito ciúmes de Ashanti.
Percebendo que Mel não está escutando, nem interessada em nossa conversa, ela volta a me encarar com cara de poucos amigos, mas aos poucos vai abrindo um sorriso, um lindo sorriso.
— Você está com ciúmes?
Odeio ter que admitir, mas estou com muito ciúmes dela.
— Eu? Não mesmo!
— Certeza?
— Ah, faça-me o favor! — Digo bufando e revirando os olhos, ao mesmo tempo em que tento me soltar de seu agarre, puxando de leve meu braço, mas sem querer sair dele, é claro.
— Minha ciumentinha — sussurra Ash, aproximando-se perigosamente de mim. Só que estamos em um shopping, porém ela parece não se importar com isso.
— Ash... — igualmente sussurro, com o coração acelerado, sentindo um frio na barriga e uma pequena umidade formar-se em minha calcinha. — Mel está com fome.
Ela sorri, assentindo.
— Ok, então vamos.
Ela pega na mão da filha e sai caminhando ao meu lado. Mesmo assim, não vamos direto para a praça de alimentação. Ficamos ainda zanzando por todos os lados à procura de quê? Não faço a mínima ideia.
Depois de todas as compras — e não foram poucas, pois até Mel quis comprar um vestidinho para ela; vê se pode, que gatinha mais fofa, como a mãe — resolvemos — até que enfim — parar um pouco para descansar e comer algo, afinal Melissa já está há algum tempo reclamando que está com sede e fome.
Caminhamos para a praça de alimentação, com Mel subindo e descendo a escada rolante, deixando-me e Ash de cabelo em pé, mas divertindo-nos com as peripécias daquele anjinho.
— Olha, mamã, vou chegar primeiro! — E dispara escada acima, desviando das pessoas que sobem conosco, mas, antes de chegar ao topo, volta descendo, fazendo com que as pessoas desviem do seu caminho.
— Mel, para com isso — diz uma Ash quase apoplética com a teimosia da menina.
Eu tento ficar séria com a situação, mas não consigo e acabo sorrindo, recebendo da mãe um olhar matador.
— Você devia ajudar-me e não ficar aí sorrindo que nem uma palhaça — ela tenta ficar brava comigo, mas não consegue e acaba sorrindo também.
Mel aproveita para subir de novo as escadas.
E é dessa maneira que subimos os três pavimentos do shopping até chegar à praça de alimentação que, para nossa sorte, apesar do horário, está relativamente vazia.
Com a pequena correndo à frente, e a seu critério e escolha, sentamo-nos em uma mesa redonda de quatro lugares. Em uma das cadeiras deixamos nossas bolsas e as sacolas em torno dela, pois são várias.
Os celulares e a chave do carro ficam em cima da mesa.
No centro da praça de alimentação, uma garota de cabelos coloridos como o arco-íris — vestida de branco, parecendo uma baiana, mas sem o vestido ser muito longo; e ela usa uma faixa branca na cabeça em vez de turbante — toca violão, acompanhada de um garotão de boina e camiseta do AC/DC nos teclados.
Ela está cantando Vanessa da Mata...
''Ainda bem que você vive comigo
Porque senão como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar''
Ouvimos encantadas — com a voz da garota e a letra da canção — quando somos despertadas pela voz de uma impaciente Mel:
— ''Querio'' um ''Méqui'', mamã — nosso anjinho diz toda manhosa, olhando para um McDonald's que está bem à sua frente.
Não sei se ela faz de propósito quando diz algumas palavras erradas, afinal é muito inteligente e uma boa leitora. Na classe e longe da mãe, fala direitinho. Acho que faz isso para chamar a atenção de Ashanti.
E consegue.
— Não é ''querio'', é ''que-ro'', Melissa — e, como lá em casa, Ash corrige a menina. Mas, dessa vez, fico na minha, mesmo sabendo que minha doutora não se importaria se eu a corrigisse também.
— Tá bom. Que-ro um “mé-qui-zi-nho”, ma-mã — repete ela, falando bem lentamente, quase soletrando.
Acabamos rindo as três.
— O que você quer, meu amor? — Pergunta Ash, pousando a mão em cima da minha e causando-me um arrepio e um pequeno arfar. Eu quase me derreto toda.
— Não sou muito chegada em lanches — respondo sincera, apertando sua mão.
Como sempre acontece desde que a conheci, fico encantada com o contraste de nossas peles: ebony & ivory.
— Mas não me importo de comer o que você quiser, mesmo um “mé-qui-zi-nho” — respondo, imitando a voz de Mel, que sorri lindamente para mim, toda adorável naqueles poucos dreadlock feitos em seu cabelo, linda como a mãe.
Não vou cansar de desejar a mãe e amar a filha, com certeza.
''Se há dores, tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus, não daria
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu, uma parte
Seria o acaso e não sorte''
Como comer algo gorduroso de vez em quando não mata ninguém, acabamos concordando em comer hambúrgueres com muita batata frita e refrigerante.
Olhamos para a fila do McDonald's e ela não está tão grande assim.
— Eu sei o que Mel gosta, mas e você?
— O que você comer, eu como, Ash — volto minha atenção para ela, ainda segurando sua mão. Mel está distraída com meu celular, em um joguinho qualquer.
— Assim não! Você tem que pedir o que gosta, e não o que eu gosto.
— Confio no seu gosto.
Ela revira os olhos, mas dá de ombros e levanta-se, caminhando até a fila.
Mel percebe a mãe se afastando e faz menção de sair da mesa. Não deixo.
— Fique aqui, mocinha! A mamã vai comprar os nossos lanches.
— Eu quero batatinhas, Ise... — pede ela, fazendo um biquinho lindo. Muito manhosa quando quer, essa minha bebê.
— Batatinhas virão com certeza. E qual refrigerante você quer?
— Guaraná!
— Se é o que você gosta, Ash vai trazer.
''Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Se há dores, tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus, não daria
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu, uma parte
Seria o acaso e não sorte''
Logo Ashanti volta e senta-se novamente conosco.
— Eu pedi três Grand Big Tasty, três McFritas Tasty e três guaranás. Tudo bem para você? — Ela pergunta, olhando-me.
Eu assinto.
— Perfeito.
— Oba! — Exclama Melissa, deixando o celular de lado e batendo palminhas. — Vai demorar, mamã?
— Acho que não, filha. Nosso pedido é o 468 e já está no 466, então não deve demorar muito — ela sorri com a resposta da mãe e olha para frente, como se quisesse confirmar a informação de Ash.
— Agora tá 467, mamã!
— Eu vi, filha!
Assim que ela termina de falar, aparece no visor o nosso número.
— Eu vou buscar — prontifico-me, já levantando.
— Então vamos juntas...
— E a Mel fica sozinha? — Ela olha para a menina, que volta a mexer no celular, e concorda com a cabeça com minha ida sozinha para pegar os lanches.
Não sei como farei, já que são três bandejas, com certeza. No entanto, a atendente, vendo que estou sozinha, ajuda-me com as bandejas e juntas trazemos as três para a nossa mesa. Agradeço a ajuda e ela vai embora.
— Arranjou uma bonita ajudante — observa Ashanti.
Reviro os olhos com seu comentário e ela sorri.
Perfeita, bela demais. É… eu estou apaixonada.
''Nesse mundo tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro, nós dois, esse amor
Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro, nós dois, esse amor
Entre tantas paixões
Esse encontro, nós dois, esse amor'' ¹
Enquanto a dupla acaba de cantar a música da Vanessa da Mata, começamos a comer nossos “méquizinhos”, que não são tão pequenos assim. Só quero ver se Melissa vai dar conta do lanche dela.
— Será que eles cantam todos os dias? — Ash pergunta, olhando para a dupla que começa a dedilhar outra canção.
— Não sei, linda. Achei que só tinha música ao vivo nos finais de semana, mas gostei da novidade — respondo, encarando-a e louca para limpar um tiquinho de molho que ficou no canto de sua boca.
E, para isso, não usaria nenhum papel para limpar, não mesmo.
Porém, levo meu polegar até lá e removo o pouquinho de molho que está ali. Ela sorri com o meu gesto.
— Obrigada!
— Pena que usei a ferramenta errada para limpar — digo piscando para ela.
Ela balança a cabeça negativamente, sem deixar de sorrir.
No final das contas, nossa pequenininha come todo o seu lanche e Ash igualmente. Quem quase faz feio sou eu, que faço muita força para comer o meu, e olha que não é tão grande assim: é um McDonald's.
Depois de jogarmos os copos de plástico e as outras coisas no lixo, voltamos a caminhar, Mel no meio de nós duas, de mãos dadas.
Estamos passando em frente aos cartazes do cinema quando Mel para, olhando para alguns cartazes que mostram filmes infantis.
— Mamã, quero assistir — aponta ela para o cartaz do filme Viva – A Vida É Uma Festa, após soltar minha mão.
Entreolhamo-nos, enquanto a pequena espera sua resposta.
— Eu compro as guloseimas enquanto você compra os ingressos — e, sem esperar pela resposta de Ash, sigo para a fila para comprar os refrigerantes, chocolates e baldes de pipoca, tudo ''engordiet''.
Quando retorno para elas — fazendo mágica para não derrubar tudo — Ash olha para mim com uma cara séria e Mel, travessa.
— Precisa de tudo isso?
Ignoro-a olimpicamente, mas doida para beijar aqueles lábios carnudos. Quem sabe lá dentro do cinema, não é?
A fila não está muito longa e logo Ash já está entregando os bilhetes que comprou. Entramos na sala do cinema em seguida.
— Escolhi as poltronas mais no meio. Tudo bem para você? — Pergunta Ash enquanto subimos as escadas. Mel segue ao meu lado.
— Por mim, tudo bem, desde que Melissa consiga assistir — respondo, acompanhando Ash, que agora vai à frente, guiando-nos até nossos lugares.
A sala não é muito grande e não está muito cheia de crianças. Na verdade, há mais adultos ali para assistir ao filme, que conta a história do garoto chamado Miguel, que quer ser cantor.
Ash senta-se entre nós duas, eu ficando à sua esquerda. Os assentos próximos a nós estão vazios. Deixamos nossas coisas ali, inclusive o que compramos. Atrás também não tem quase ninguém, e poucas pessoas estão à nossa frente.
Passamos quase duas horas divertindo-nos com as peripécias do garoto Miguel, que — com a ajuda do trapaceiro Hector — tenta descobrir qual é o problema de sua família com a música e por que eles não gostam dela.
Durante o filme, nós duas trocamos carícias, mas comedidas. Mesmo Melissa prestando muita atenção ao filme, ela está ao nosso lado e tudo tem limites, não é?
Além do que, não estamos sozinhas no cinema.
Quando o filme acaba e estamos nos preparando para sair, nossa pequena pede colo e eu a pego, enquanto Ashanti fica com nossas bolsas, celulares e sacolas das compras.
Equilibrando Mel nos braços, consigo levar e jogar no lixo os baldes de pipoca — sem pipoca, é claro — e dentro deles as latinhas vazias, mais as embalagens dos chocolates que consumimos.
Parece impossível, mas não sobra nada, mesmo depois dos lanches que comemos.
— Não acredito que comemos tudo isso — observa Ashanti.
— Nem eu — concordo com ela.
Não demoramos muito para chegar ao carro.
Após acomodar Melissa em seu assento, sento-me ao lado do meu amor e não resisto: dou o beijo que queria dar durante o dia todo, aproveitando que nossa pequena dorme a sono solto e a semiescuridão do subsolo do shopping.
Meu amor não se faz de rogado e corresponde.
Nossos lábios colados, quentes.
Ficamos assim durante alguns segundos e, sem resistência, deixo sua língua invadir minha boca com maestria.
Choramingo baixinho; no peito, meu coração bate descontroladamente.
Sua mão passeia por minha coxa e está deixando-me a ponto de enlouquecer para tê-la dentro de mim; chego até a entreabrir um pouco mais minhas pernas.
E esse é o sinal para nós duas pararmos por ali.
— Acho bom pararmos.
— Concordo — responde ela, ainda com a mão em minha coxa, acarinhando ali.
— Você é uma pessoa especial, Ashanti.
— Você também, Louise. Amei passar o dia com você. Espero que seja o primeiro especial de muitos — ela sussurra, colando nossos lábios novamente e afastando-se para dar partida no carro.
É impossível não sorrir e ficar um pouco mais apaixonada por ela. Sinto-me plenamente feliz e grata por ela fazer parte da minha vida. Ela e Melissa.
Com os pensamentos mais positivos possíveis, pego em sua mão enquanto ela dirige de volta para nossas casas. Estamos cansadas, mas felizes.
Nós três.
Enquanto o carro desliza pela avenida, meu olhar se perde através da janela. Apesar de estarmos em agosto, a temperatura está agradável e, no céu, há poucas nuvens, o que indica que provavelmente não teremos chuvas, mas poderemos ter baixas temperaturas, principalmente de madrugada.
Pena que eu não terei minha maravilhosa deusa para me aquecer.
Contente como estou, vem-me à mente uma passagem de Colossenses:
''Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.'' ²
Quem sabe em um futuro não muito distante.
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¹ Ainda Bem - Vanessa Da Mata: 4.29
Single By Vanessa Da Mata From The Album ''Essa Boneca Tem Manual'' - 2004
Compositores: Vanessa Sigiane Da Mata Ferreira/Arnolpho Lima Filho.
Letra De Ainda Bem © Warner Chappell Music, Inc, Universal Music Publishing Group.
Link Discogs:
https://www.discogs.com/release/1757313-Vanessa-Da-Mata-Essa-Boneca-Tem-Manual
Link Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Essa_Boneca_Tem_Manual
Link YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=kenOHjdUK4U
² Colossenses 3:14
Fim do capítulo
''Nil sapientiae odiosius acumine nimio.''
Sêneca
FOR NOW, THAT'S IT!
Tenham uma boa leitura e comentem à vontade.
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