Capitulo 10 - O Despertar do Desejo
O peso morto do cervo jovem arrastou-se pelo assoalho rústico da cabana, deixando uma trilha fina e escurecida de sangue que secava quase instantaneamente no calor residual da lareira. Judith segurou a corda gasta de lona que Kitty lhe estendeu, firmando os dedos brancos contra a fibra áspera para ajudar a batedora a erguer o animal sobre o caixote de pinheiro largo que servia de mesa improvisada. O esforço mútuo fez com que seus ombros se roçassem, uma fricção rápida que enviou uma descarga elétrica direto para o ventre de Judith, cujo coração ainda martelava contra as costelas após o impacto daquele beijo devastador.
Kitty não perdeu tempo. Com a habilidade cirúrgica de quem havia aprendido a sobreviver naquelas planícies, ela puxou a faca de caça de lâmina larga que trazia presa por uma tira de couro. O metal reluziu sob o reflexo das chamas amarelas.
- Segure as patas traseiras firmes para cima, Judith - Kitty ordenou, sua voz rouca vibrando com uma autoridade que agora parecia carregar uma promessa oculta. - Se o sangue esfriar e coalhar dentro dos tecidos, a carne perde o sabor e estraga antes que possamos salgar. Mantenha o pulso firme. Não vá me desmaiar agora.
- Eu não vou desmaiar, Kitty - Judith respondeu, engolindo em seco, os olhos fixos na determinação gravada nas feições da batedora. Ela agarrou os tendões rígidos do animal. O contraste era absoluto: a crueza da morte ali, exposta sobre a madeira, e o calor primitivo da vida que começava a borbulhar entre as duas mulheres.
Com um único movimento longo e preciso, Kitty rasgou a pele do peito do cervo até o ventre. O vapor quente das entranhas subiu imediatamente, perfumando o ar com o cheiro metálico e rico de sangue fresco. Judith sentiu o estômago revirar por um breve segundo, mas o olhar azul de Kitty encontrou o seu na penumbra, desafiador e magnético. A batedora limpou o suor da testa com as costas da mão calosa, deixando um filete sutil de sangue animal marcar sua têmpora, o que a tornava ainda mais selvagem e irresistivelmente atraente aos olhos da professora.
- O sangue sempre corre quente nos bichos antes da carne virar sustento, Judith - Kitty murmurou, enfiando as mãos experientes para separar as vísceras com um som úmido de sucção ecoando pelo ambiente confinado da cabana. - O nosso também. A diferença é que a gente escolhe o que fazer com o calor enquanto se está viva.
Ela cortou um pedaço generoso e grosso do lombo do cervo, uma peça de carne vermelha e marmorizada com uma fina camada de gordura branca. Sem precisar de pratos ou preparações refinadas, Kitty caminhou até a lareira, pegou o espeto de ferro fundido pendurado na pedra e atravessou o músculo ainda macio. Ela posicionou a peça diretamente sobre o leito de brasas vermelhas que reluziam no fundo da lareira.
O chiado que levantou da carne assando fez o estômago de Judith se contrair e a salivação foi imediata. O cheiro da gordura derretendo na pedra quente e o aroma rico da carne começaram a preencher cada fresta da cabana, expulsando os fantasmas do isolamento que haviam assombrado Judith durante toda a tarde.
Enquanto a carne assava, Kitty limpou as mãos em um pedaço de pano grosseiro embebido em água morna e voltou-se para a prateleira, pegando um punhado de sal grosso. Ela jogou os cristais sobre o assado, fazendo pequenos estalos ecoarem no silêncio que se instalava.
As duas sentaram-se no chão, bem próximas ao calor do fogo, dividindo a refeição com a faca de caça. Kitty cortava os pedaços fumegantes e os entregava diretamente na mão de Judith. O suco da carne escorria pelos dedos pálidos da professora, e ela saboreava cada pedaço com uma avidez que nunca demonstraria nos lugares mais requintados de Boston. Era uma fome que ia além do estômago; era o corpo exigindo a energia necessária para o que sabiam que viria a seguir.
- Você come como quem passou o dia inteiro cavalgando contra o vento, por estas pradarias, querida - Kitty provocou, os olhos azuis brilhando sob a franja clara enquanto ela lambia a gordura dos próprios dedos com uma lentidão deliberada que fez o ventre de Judith contrair-se. - A solidão do vale abre o apetite de qualquer um, não é?
- A solidão me fez perceber o quanto a nossa existência pode ser curta aqui fora, Kitty - Judith respondeu, fixando seus olhos castanhos na boca da batedora, observando o brilho da gordura em seus lábios. - E o quanto é tolice adiar o que realmente importa.
Kitty soltou aquela risada curta de canto de boca, levantando-se e indo lavar-se na bacia com agua quente que havia providenciado enquanto a carne assava. Depois, voltou-se e estendendo a mão para Judith, falou com a voz rouca e doce:
- Pois então vamos parar de conversa fiada, Judith. A labuta do dia terminou, e a noite nos espera. É hora então de cuidarmos do que realmente importa.
***
O frio do lado de fora da cabana era absoluto, o tipo de frio que congelava a seiva no tronco das árvores e fazia o ar parecer vidro estilhaçado. Dentro, porém, o espaço ao redor do catre pequeno de madeira e do colchão de palha transformara-se em um casulo de calor acumulado. A lareira exibia apenas uma massa densa de brasas vermelhas, projetando uma luz avermelhada e trêmula que desenhava sombras longas e sinuosas nas paredes de tronco de pinheiro.
Judith desabotoou o vestido de lã azul com dedos que agora não tremiam de medo, mas de uma impaciência febril. O tecido pesado caiu ao redor de seus pés no assoalho, deixando-a vestida apenas com a combinação fina de algodão branco e suas anáguas. Na penumbra avermelhada, sua pele pálida parecia emitir uma luminosidade própria, suave e vulnerável.
Kitty moveu-se com mais urgência do antes. Ela retirou o casaco de pele de bisão e o estendeu sobre a cama, preparando um espaço quente para ambas. Em seguida, desfez os nós de suas botas de couro, deixando-as cair com baques surdos na madeira gasta. Quando retirou as calças de couro rústico, mantendo apenas a camisa de flanela grossa que descia até o meio de suas coxas, Judith prendeu a respiração. As pernas de Kitty eram esculpidas por anos de montaria e caminhadas pelas montanhas, exibindo músculos firmes e algumas cicatrizes claras que contavam histórias de perigos superados.
- Venha aqui, Judith - Kitty chamou, sua voz descendo a um sussurro rouco e suave que parecia arranhar suavemente a espinha da professora.
Judith subiu no catre de palha, que rangeu sob seu peso, e espremeu-se contra o canto interno. Logo em seguida, o corpo de Kitty acomodou-se ao seu lado, e o pesado casaco de pele de bisão foi puxado por cima de ambas, selando-as naquele casulo escuro e agora fervilhante. O isolamento do mundo era total. Sob as cobertas pesadas, o ar ficou instantaneamente espesso, carregado com o cheiro rústico da pele animal, a fumaça doce da resina e o calor magnético que emanava da pele de Kitty.
A barreira de roupas era quase inexistente. O algodão fino da combinação de Judith colou-se imediatamente contra a flanela da camisa de Kitty à medida que os corpos se buscavam para mitigar o espaço exíguo da cama. As costas de Judith pressionaram-se contra o peito da batedora. A firmeza dos músculos de Kitty era palpável, uma solidez que oferecia uma segurança avassaladora e, ao mesmo tempo, despertava uma urgência que Judith mal conseguia conter, a respiração ofegante antecipando o que viria.
- Você está queimando por dentro, minha querida - Kitty murmurou, colando os lábios na nuca de Judith, onde os cabelos castanhos haviam sido jogados para o lado. - Consigo sentir o seu coração batendo direto no meu peito. Calma. No Oeste a gente aprende a caçar devagar para não espantar a presa.
- Eu não quero calma, Kitty... - Judith desabafo em um sussurro arquejado, virando o corpo de frente para a batedora no espaço apertado. Suas mãos pálidas subiram pelo peito de Kitty, sentindo os batimentos firmes e regulares através da flanela. - Passar o dia inteiro pensando na possibilidade de você não voltar... me fez perceber que não há tempo para calma. Me ensine. Por favor, me ensine o que fazer com esse calor, com essa urgência que sinto.
Os olhos azuis de Kitty brilharam na escuridão do casulo com uma intensidade que beirava a predação, mas havia uma ternura imensa no modo como suas mãos firmes e calejadas subiram para emoldurar o rosto de Judith.
- Se é assim que você quer... então preste atenção em cada toque meu na sua pele - Kitty sentenciou, aproximando o rosto. - Porque eu não vou deixar nenhum centímetro de fora.
Kitty inclinou a cabeça e capturou os lábios de Judith com um beijo que começou lento, quase torturante em sua intenção deliberada. Suas bocas se encontraram em uma fricção úmida e quente, as línguas se buscando em um ritmo profundo que imitava o compasso das brasas estalando na lareira. Kitty usava os dentes de leve, mordiscando o lábio inferior de Judith com uma delicadeza que arrancou um suspiro sibilado da professora.
Enquanto mantinha a boca de Judith cativa, as mãos calejadas da batedora começaram a agir. Com movimentos calmos, lentos e deliberados, Kitty deslizou as mãos por baixo das anáguas de Judith, subindo pelas suas pernas. A textura áspera das palmas da batedora contra a suavidade extrema da pele interna das coxas de Judith causou um arrepio tão violento que a professora arqueou as costas no colchão de palha, soltando um gemido abafado contra os lábios de Kitty.
- Viu só? - Kitty afastou a boca por alguns milímetros, a respiração quente misturando-se à de Judith. - A sua pele é fina como seda, Judith. E a sua pele precisa aprender a como reagir ao meu toque. Olhe para mim. - Disse, afastando com impaciência o casaco de pele, que foi parar no chão.
Judith abriu os olhos castanhos, que estavam úmidos e dilatados pelo desejo crescente. Kitty usou os dedos longos para subir a combinação de algodão de Judith até a altura da cintura, expondo o ventre plano e os quadris pálidos ao ar confinado e quente da cabana.
- O corpo de uma mulher não funciona como sempre ensinam as damas, minha querida - Kitty disse, sua mão calejada espalmando-se contra o ventre de Judith, exercendo uma pressão firme que fez o latejar entre as pernas da outra intensificar-se até se tornar uma dor que ardia, líquida, espessa e pesada como chumbo. - Aqui não tem regras de etiqueta. Cada ponto tem uma resposta, e você precisa aprender a escutar o que o seu corpo está dizendo.
Kitty desceu a carícia para o quadril de Judith, os dedos apertando a carne macia com uma firmeza possessiva que deixaria marcas leves na manhã seguinte - marcas que Judith ostentaria como insígnias de sua libertação. O polegar áspero da batedora começou a desenhar círculos na pelve de Judith, descendo lentamente em direção ao interior das coxas, aproximando-se do centro de todo o calor que fazia a professora arfar desesperadamente.
- Kitty... eu... por favor - Judith pediu, os dedos cravando-se nos ombros largos da batedora, sentindo o tecido da flanela sob suas unhas.
- Ainda não - Kitty rebateu com um sorriso audível em sua voz rouca. - Primeiro você precisa sentir todas as sensações que levam ao orgasmo.
Com um movimento ágil, Kitty desfez os laços da combinação de Judith, abrindo o tecido branco para expor os seios pequenos e firmes da professora à luz vermelha das brasas. Os mamilos de Judith já estavam eretos e rígidos pelo frio do ambiente e pelo calor do desejo. Kitty baixou a cabeça, deixando que seus cabelos claros caíssem sobre o colo de Judith, e envolveu um dos mamilos com a boca quente e úmida.
Judith soltou um grito agudo que foi abafado na curva do pescoço de Kitty. A sensação da língua macia de Kitty circulando a extremidade sensível de seu peito, enquanto seus dentes pressionavam a base com uma crueza calculada, fez uma descarga de eletricidade descer direto para o meio de suas pernas. Judith contraiu as coxas instintivamente, prendendo a mão de Kitty que ainda repousava entre suas pernas.
- Não feche as pernas, Judith - Kitty ordenou, afastando a boca do peito da outra, deixando o mamilo brilhando de saliva na penumbra. - Abra-se para mim. Me deixe tocá-la.
Judith obedeceu, relaxando os músculos sob o comando inquestionável da batedora. Ela separou as coxas devagar, expondo sua intimidade ao olhar sensual de Jane Catherine. A umidade latente que se acumulara com a promessa de algo, agora corria livre, um calor fluido e espesso que lubrificava as dobras de sua carne.
Kitty deslizou o corpo um pouco mais para baixo no catre apertado, posicionando-se entre as pernas de Judith. Seus joelhos forçaram uma abertura ainda maior, garantindo que a professora estivesse totalmente vulnerável e disponível para as lições que se seguiriam.
- Agora preste atenção, querida - Kitty murmurou, sua mão descendo finalmente para o centro da crise física de Judith, que a deixava afogueda. - Este é o ponto onde todas as regras das boas moças terminam.
A palma da mão de Kitty, marcada pelos calos do manuseio das rédeas e das culatras dos revólveres, pousou diretamente sobre o monte de vênus de Judith. O calor imediato da fricção fez Judith soltar um suspiro longo e trêmulo. Kitty começou a mover a mão em um ritmo circular e pesado, pressionando a carne macia contra o osso pubiano, fazendo com que a umidade natural de Judith se espalhasse pela pele.
Devagar, com a paciência de quem rastreia uma caça preciosa, os dedos de Kitty deslizaram para dentro dos lábios maiores, encontrando a carne interna que estava intumescida e latejante. Quando a ponta do dedo indicador de Kitty, ligeiramente áspera na extremidade, tocou o clit*ris que se projetava, dolorido, no topo da vulva, Judith deu um tranco para cima, sua bacia elevando-se do colchão de palha em um espasmo de puro choque atravessando seu corpo.
- Meu Deus, Kitty! - Judith exclamou, a voz falhando, as lágrimas de prazer finalmente escapando pelos cantos dos olhos castanhos. - O que... o que é isso? Dói... queima...
- Não é dor, meu bem - Kitty explicou, sua voz descendo a um tom melódico e protetor que contrastava com a firmeza de suas ações. Ela manteve o dedo posicionado sobre o clit*ris de Judith, iniciando um movimento circular curto e compassado. - É o calor acumulado que não encontra saída. Não lute contra isso. Deixe que eu guie o ritmo.
Kitty inclinou-se para a frente, capturando novamente a boca de Judith para colher os gemidos que começavam a sair em rajadas curtas e desesperadas. Com a outra mão, ela pegou a mão direita de Judith e a levou para baixo, forçando os dedos pálidos da professora a se posicionarem logo acima dos seus próprios dedos que continuavam a massagear a carne latejante.
- Sinta o movimento, Judith - Kitty comandou contra os seus lábios. - Aprenda como o seu corpo responde. Veja como esse pedacinho se esconde e como ele endurece quando eu pressiono um pouco mais forte. É aqui que você se entrega, este é o ponto de prazer de uma mulher.
O polegar de Kitty juntou-se ao indicador, pegando o clit*ris de Judith com uma delicadeza surreal para mãos que passavam o dia cortando lenha e limpando cervos. Ela puxava e massageava o pequeno ponto com uma constância implacável, enquanto a umidade de Judith cobria os dedos da batedora com um lubrificante espesso e quente.
Judith sentia-se afogar em um mar de sensações primitivas. O latejar constante transformara-se em um galope violento; cada toque daquela pele áspera contra o seu centro nervoso enviava ondas de calor que subiam pelo seu ventre, faziam seus seios arfarem e contraíam os músculos de suas coxas em espasmos involuntários. Ela começou a mover os quadris por conta própria, buscando mais daquela fricção que prometia rasgar o véu de sua ignorância de vinte e cinco anos.
- Isso... assim, meu bem - Kitty elogiou, o hálito quente batendo no pescoço de Judith à medida que ela descia os beijos pela linha da mandíbula da professora. - Peça o resto. Mostre-me que quer mais, peça mais que te dou.
- Eu quero... eu quero mais, Kitty... por favor... - Judith implorou, os quadris movendo-se em uma cadência desesperada contra a mão da batedora.
Kitty sorriu, os olhos azuis faiscando na penumbra vermelha. Ela deslizou o dedo médio para baixo, encontrando a abertura estreita e tesa da vagin* de Judith. A entrada estava apertada, resistindo naturalmente à invasão devido à inexperiência absoluta da professora, mas a umidade abundante facilitava o caminho.
Com uma lentidão calculada para não causar dor, apenas uma expansão intensa, Kitty empurrou o dedo médio delicadamente para dentro de Judith.
A professora arregalou os olhos na semiescuridão da cabana, sentindo uma sensação de preenchimento que parecia esticar cada fibra de seu ser. Não era o vazio de sempre; era a presença física, sólida e invasiva de Jane Catherine tomando posse do território mais sagrado de seu corpo.
- Sinta o calor, Judith - Kitty murmurou perto de seu ouvido, mantendo o dedo imóvel lá dentro para permitir que os músculos da outra se acomodassem a invasão do seu dedo. - Uma mulher tem um espaço de prazer por dentro. Não tenha medo de ser preenchida.
Kitty começou a mover o dedo para dentro e para fora em um ritmo longo e cadenciado, como alguém que conhece o território, o corpo de uma mulher, de como dar prazer. Ao mesmo tempo, manteve o polegar pressionando o clit*ris com força redobrada. A combinação das duas carícias - o preenchimento interno e a fricção no clit*ris - foi demais para as defesas que Judith construíra ao longo de uma vida inteira de repressão familiar e social.
O caos instalou-se no peito da professora. Seus sentidos colapsaram sob o peso de um prazer que ela não sabia que era possível existir no mundo real. Suas mãos soltaram os ombros de Kitty e agarraram-se ao colchão de palha, puxando o tecido com tanta força que as costuras rústicas pareceram gem*r na quietude do quarto.
- Kitty! Kitty! Eu vou... eu não sei o que está acontecendo! - Judith gritou, sua voz saindo em um lamento agudo e trêmulo que ecoou pelas vigas de pinheiro da cabana.
- Deixe vir, Judith! Entregue-se, goze para mim! - Kitty comandou, acelerando o movimento dos dedos, sua mão transformando-se em um ponto de carne e calor que levava a professora direto as alturas e depois a jogava direto para a borda do precipício.
O clímax atingiu Judith Brown com a violência de uma nevasca tardia na pradaria. Seus músculos contraíram-se em uma série de espasmos violentos e rítmicos, prendendo o dedo de Kitty em um abraço quente e úmido. Uma onda de calor fluido e pesado disparou de seu centro para todas as extremidades de seu corpo, fazendo sua espinha dorsal arquear-se em um arco sobre o colchão de palha, enquanto sua boca se abria em um grito de puro êxtase que terminou em uma sequência de soluços desordenados e profundos.
Kitty recolheu os gemidos de Judith em sua própria boca, selando os lábios da professora com um beijo longo e profundo que compartilhava o gosto do suor e do desejo saciado. Ela manteve a mão pressionada contra a vulva de Judith até que os últimos tremores do espasmo diminuíssem, sentindo o pulsar compassado da vida que agora corria livre e sem amarras nas veias daquela mulher do Leste.
Quando sentiu uma leve calmaria no corpo de Judith, Kitty moveu-se, encaixando sua pelve na dela, iniciando um ritmo de fricção lento, cadenciado. Quando sentiu que não poderia mais se conter, gozou forte, observando maravilhada que Judith a havia acompanhado com um segundo orgasmo.
Quando a tempestade física finalmente cedeu, o silêncio retornou à cabana, mas era um silêncio completamente modificado. Não era mais o vazio hostil da pradaria abandonada; era a quietude exausta que se instala após o sex*.
Judith descansou a cabeça no ombro de Kitty, sua respiração aos poucos recuperando o ritmo calmo, embora pequenas gotas de suor ainda brilhassem em sua testa pálida sob a luz moribunda das brasas. Suas anáguas brancas estavam amarrotadas e úmidas jogadas no chão, e seu corpo sentia um peso confortável, uma lassidão que a fazia sentir-se mais viva do que em qualquer outro momento de seus vinte e cinco anos.
Kitty manteve o braço firme ao redor da cintura de Judith, puxando o casaco de pele de bisão para cima das duas, para garantir que o casulo quente continuasse a protegê-las do frio mortal que continuava a rondar as paredes exteriores. Com a outra mão, ela acariciava os cabelos castanhos e desfeitos da professora com movimentos lentos e protetores.
- Bem, minha querida... - Kitty quebrou a quietude, sua voz saindo ainda mais baixa e rouca, um som que trouxe um sorriso involuntário aos lábios de Judith. - Parece que a primeira lição foi assimilada. Você tem mais sangue nas veias do que eu imaginava para alguém que veio do Leste.
Judith ergueu o rosto de leve, encontrando os olhos azuis de Kitty fixos nos seus com um entendimento profundo e uma cumplicidade definitiva.
- Eu acho que nunca mais vou conseguir ler aqueles livros de poesia, Kitty - Judith confessou em um sussurro, encostando os lábios na pele do pescoço da batedora, sentindo o cheiro de sal e fumaça que agora parecia fazer parte de sua própria identidade. - Eles parecem... terrivelmente falsos agora.
Kitty soltou aquela risada curta de canto de boca, apertando Judith contra o peito com uma força suave que encerrou qualquer dúvida sobre o destino das duas no Vale do Rio Loup.
- Livros não servem para aquecer o corpo quando o inverno aqui no Oeste chega de verdade, Judith. Aqui fora a gente escreve a história na própria pele. E o inverno está só começando.
Judith fechou os olhos, deixando-se embalar pela batida firme e regular do coração de Jane Catherine, sabendo que as longas noites que se estendiam pela frente no vale congelado seriam o cenário perfeito para aprender cada linha daquela nova e selvagem caligrafia.
Fim do capítulo
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Lady Texiana Em: 15/07/2026 Autora da história
;) Obrigada pelo comentário!
De fato, Kitty teve um imenso cuidado com Judith.
Obrigada por ler
Abraços