Capitulo 11 - Algumas Aulas de Anatomia
A escuridão na cabana ficou densa nas horas que antecederam o amanhecer. Do lado de fora, o vento do Vale do Rio Loup mudou de direção, trazendo um barulho constante que batia nas frestas do teto e jogava grãos de neve ressecada contra a vidraça da janela. Sob o pesado casaco de pele de bisão, Judith Brown dormia um sono profundo, cansada pelo esforço físico e pela intensidade do que acontecera horas antes.
O toque de Kitty a trouxe de volta à superfície do sono. Foi um movimento firme e direto na sua pele, causando arrepios.
A mão calejada de Jane Catherine deslizou pela curva de sua cintura, parando logo acima do osso do quadril. Judith abriu os olhos devagar na penumbra avermelhada das brasas que ainda restavam na lareira. A respiração de Kitty batia quente contra a sua nuca em um ritmo regular, indicando que a batedora já estava acordada há algum tempo, esperando o dia clarear na cabana gelada.
- Kitty? - perguntou Judith em um sussurro fraco, com a garganta seca pelo ar gelado e da antecipação do que poderia vir.
- Shh... Durma mais se quiser - Kitty respondeu baixo, enquanto seus dedos continuavam a subir pelas costelas de Judith, empurrando a combinação fina de algodão que ela havia vestido antes de se cobrirem. - Mas o frio lá fora está aumentando, e o melhor jeito que conheço de esquentar o sangue antes do sol nascer é este aqui.
Judith virou o corpo devagar no espaço apertado da cama de palha, que rangeu com o movimento. Seus olhos acostumados à escuridão buscaram o rosto de Kitty. A batedora estava com os cabelos claros bagunçados e os olhos fixos nela, focados e atentos na penumbra do quarto.
- Eu não consigo dormir - Judith confessou, tocando o ombro de Kitty e sentindo o tecido grosso da camisa de flanela. - Meu corpo ainda parece tenso. Há uma sensação esquisita aqui dentro de mim, como se o que aconteceu antes não tivesse terminado totalmente.
Kitty deu uma risada curta de canto de boca, um som rouco que Judith sentiu direto no peito, já que estavam coladas.
- Isso é o que acontece com quem ainda não está acostumada aos prazeres da carne, professora - Kitty brincou, embora seu tom fosse mais suave e íntimo agora. - Quando o fogo pega bem em uma tora seca, ele não apaga só porque a labareda baixou. Ele continua queimando por dentro, esperando o momento de voltar a subir e queimar de novo.
Judith moveu as pernas sob o casaco de pele, sentindo o atrito do corpo de Kitty, as penas nuas se entrelaçando, pele contra pele. Havia uma dúvida que vinha pensando desde o momento em que a batedora a levara àquele estado de exaustão física, algo que os livros de anatomia que conhecia nunca haviam explicado de forma prática.
- Kitty... posso te perguntar uma coisa? - Judith pediu, demonstrando curiosidade e uma vulnerabilidade que não costumava ter.
- Diga, Judith.
- Não sobre o que sinto quando você me toca - Judith rebateu, aproximando-se até encostar o queixo no de Kitty. - Quando você apertou aquele ponto... lá embaixo... e depois, quando se moveu contra mim... Por que a sensação parece se espalhar pelo resto do corpo? Senti meus dedos formigarem, a base do meu estômago entrar em ebulição, e meus seios ficaram sensíveis de um jeito diferente. Por que o corpo reage com tanta força a algo tão pequeno?
Kitty mudou de posição, apoiando o peso no cotovelo esquerdo. O casaco de pele de bisão escorregou um pouco, expondo seus ombros ao ar frio da cabana, mas ela manteve Judith coberta sob seu torso. O olhar da batedora ficou sério e focado nas perguntas da outra.
- Na cidade grande, os médicos devem dar nomes difíceis para cada parte do corpo, não dão? - Kitty perguntou, descendo a mão direita por cima da combinação de algodão e espalmando-a sobre o ventre baixo de Judith. - Devem dizer que o corpo funciona como as peças de uma máquina, onde cada parte faz uma coisa só e depois se juntam. Mas aqui na fronteira, a gente aprende a observar os animais e a nós mesmas de outro jeito. Esse ponto que você falou... esse botão de carne que pulsa... ele não funciona sozinho, Judith. Ele funciona como o início de uma correnteza forte.
- Uma correnteza? - Judith repetiu, interessada no modo direto como a batedora explicava as coisas.
- Sim. Se você mexe na nascente de um riacho, a água não se move só ali. A ondulação vai descendo, mexe na terra do fundo, balança as margens e afeta o rio todo lá na frente, onde ele fica mais largo - Kitty explicou, apertando levemente o ventre de Judith com os dedos, fazendo a professora soltar o ar com força. - O seu corpo é todo junto, tudo funciona junto, Judith. O calor que eu comecei ali viaja pelo seu sangue, contrai os seus músculos e sobe pelas suas costas até a cabeça. É por isso que tudo fica sensível e quer mais. Não tem como separar.
Judith ouviu as palavras, sentindo a explicação fazer sentido no momento em que a mão de Kitty continuou a descer, entrando por baixo da barra da combinação de algodão. A pele da batedora, embora estivesse fria nas pontas dos dedos pelo clima do quarto, parecia queimar a pele sensível de Judith a cada toque.
- E por que... - Judith continuou, a voz falhando quando sentiu os dedos de Kitty tocarem a parte interna de suas coxas, afastando-as com uma pressão firme - por que parece que eu preciso que você aperte com força? Minha mente diz que é uma região sensível e que deveria ser tratada com leveza... mas quando você usou força antes, quando segurou aquela... foi quando eu senti que ia perder o controle sobre mim.
Kitty inclinou o rosto, encostando os lábios perto da orelha de Judith, aquecendo o local com a sua respiração.
- Porque a delicadeza as vezes não sustenta o que o corpo quer de verdade, Judith - Kitty sussurrou, com um tom firme e seguro. - A delicadeza serve para o começo, para fazer o sangue subir para a pele. Mas quando a região que já está cheia de sangue e latejando, ela precisa de pressão. O corpo precisa sentir firmeza para saber até onde pode ir. Se eu apenas passar a ponta do dedo de leve, você só vai sentir uma coceirinha, algo de nada. Mas se eu firmar a mão e segurar você com força, seu corpo entende as sensações, que está seguro e ai se entrega de vez.
Judith não teve tempo de responder. A batedora começou a demonstrar o que acabara de explicar.
Desta vez, Kitty não buscou o clit*ris imediatamente. Ela deslizou a mão aberta para a lateral da vulva, onde a coxa se une ao quadril, e apertou o local com força, puxando o corpo de Judith para mais perto, até que a pelve da professora ficasse colada contra a sua. Com a outra mão, Kitty segurou a nuca de Judith, enfiando os dedos por entre os seus cabelos castanhos e obrigando-a a olhar diretamente para ela.
- Agora você vai sentir algo diferente, Judith - Kitty anunciou, com um tom de voz que misturava comando e promessa. - Antes, eu fiz você chegar lá usando o toque rápido dos dedos. Agora, nós vamos fazer o estímulo subir devagar, usando apenas o peso e o atrito, como da segunda vez. Sem dedos dentro de você. Só o contato direto da nossa pele.
Kitty moveu o corpo, posicionando-se exatamente por cima de Judith, mas sem jogar todo o seu peso. Suas pernas afastaram as de Judith, prendendo as coxas da professora sob as suas. A camisa de flanela de Kitty estava com os primeiros botões abertos, e Judith sentiu o calor direto do peito da batedora contra os seus seios, que haviam ficado expostos com a combinação desabotoada.
O contato das texturas era intenso: a flanela áspera, a pele do colo de Kitty, o gosto sutil do sal da carne que tinham comido e o frio do quarto quando o casaco de pele se movia.
Kitty começou a mover o quadril em um vaivém lento e pesado. Ela pressionou a sua própria pelve contra o centro de Judith. O impacto inicial fez Judith contrair o abdômen, soltando um gemido agudo.
- Sinta o movimento e as sensações, Judith - Kitty ordenou baixo, com o rosto muito próximo ao dela. - Sinta a pressão do meu corpo contra o seu. É o mesmo movimento de quando passamos horas cavalgando pelas planícies e de como fizemos antes, quando você já estava bem sensível.
O atrito era diferente daquele provocado pelos dedos. Era mais amplo e muito mais profundo. A cada avanço do quadril de Kitty, a pelve da batedora pressionava toda a vulva de Judith, espalhando a umidade que já começava a surgir entre as peles. Judith sentia a firmeza do corpo daquela mulher que parecia feita de puro músculo.
- Kitty... isso é forte demais - Judith arfou, cravando os dedos nos músculos das costas de Kitty para tentar se firmar. - Parece que vai me esmagar por dentro...
- Não vai quebrar você, Judith. Seu corpo aguenta muito mais do que você imagina - Kitty disse, aumentando um pouco a velocidade do movimento, mas mantendo a pressão constante. - Sinta onde o estímulo está se concentrando agora. Não está só em um ponto.
- Não... - Judith soltou um suspiro profundo, fechando os olhos enquanto encostava a cabeça na palha do colchão. - Está em tudo... nas coxas... no ventre... sinto o corpo inteiro pesado e quente.
- É a reação natural do corpo, Judith - Kitty murmurou, descendo a boca para morder de leve o pescoço da professora, limpando com a língua o suor que começava a surgir ali. - Deixe acontecer. Deixe o estímulo tomar conta.
Kitty mudou o ângulo do movimento. Em vez de um vaivém, ela começou a girar o quadril em círculos lentos e firmes, fazendo com que a base da sua vulva massageasse o clit*ris de Judith de forma indireta, mas muito intensa. Era uma sensação forte; Judith sabia que o ponto principal de seu prazer estava recebendo o atrito, mas a pressão era tão ampla que ela não conseguia isolar o estímulo. O prazer se espalhava por suas pernas, que tremiam sob o peso de Kitty.
A professora perdeu o controle dos movimentos. Seu quadril começou a subir para acompanhar as investidas da batedora, buscando aumentar a força do contato. Cada choque entre elas gerava uma reação direta no seu peito, fazendo o coração bater tão rápido que Kitty conseguia senti-lo contra o próprio corpo.
- Você aprende rápido - Kitty comentou, com a respiração curta, mostrando que o esforço e o desejo também cobravam o seu preço no corpo da batedora. - O prazer seu já está empurrando de volta para mim. Quer mais pressão, não quer?
- Quero... mais... Kitty... aperte... eu preciso de mais - Judith pediu, gem*ndo, olhando diretamente para o rosto de Jane Catherine na penumbra da cabana.
Kitty atendeu ao pedido. Firmou os joelhos no colchão, elevou um pouco o tronco e desceu o quadril com força e precisão. O impacto direto fez Judith soltar um grito que foi abafado pelo som do vento lá fora. O clit*ris da professora recebeu o atrito direto contra o clit*ris da batedora, gerando uma reação intensa que paralisou seus músculos por um instante.
Antes que Judith se recuperasse, Kitty repetiu o movimento, estabelecendo um ritmo constante, firme. Era o contato direto gerando um calor que parecia consumir o espaço entre elas. Judith sentia que todas as suas inibições haviam sumido. Não pensava mais em Boston, nas regras sociais ou no isolamento do vale. Havia apenas aquela cabana, o frio da noite e o corpo de Kitty ditando o ritmo de suas reações.
- Kitty! Eu vou... não consigo segurar! - Judith exclamou, subindo as mãos para segurar os cabelos da batedora, puxando-a para um beijo tenso.
As bocas e as línguas se encontraram com força enquanto os quadris continuavam o movimento constante. Kitty soltou um gemido alto contra os lábios de Judith, mostrando que também chegara ao seu limite. O atrito ficou rápido nos últimos segundos; os corpos suados se moviam sob o casaco de pele, gerando um som úmido.
Este orgasmo atingiu Judith de forma diferente do primeiro. Não foi uma reação rápida, mas uma contração longa e profunda que moveu cada músculo de seu corpo, das pernas até a nuca. Ela se arqueou sob Kitty com os olhos fechados pelo prazer, enquanto sentia a batedora dar um último impulso firme, travando o quadril contra o seu e soltando o ar devagar contra o seu pescoço, relaxando os músculos à medida que o seu próprio clímax acontecia.
Quando a luz cinzenta da manhã conseguiu entrar de vez pela vidraça da cabana, o quarto estava silencioso. As brasas da lareira haviam virado cinzas frias, e o ar dentro do ambiente estava tão gelado que cada respiração de Judith formava uma pequena fumaça de vapor que sumia rapidamente por cima do casaco de pele.
Kitty moveu-se primeiro. O hábito de viver ao ar livre fazia seu corpo acordar com a primeira claridade, mesmo tendo dormido poucas horas. Ela saiu da cama sem fazer barulho, puxando o casaco de pele de bisão sobre os ombros nus de Judith para mantê-la aquecida no calor que haviam gerado juntos.
Judith abriu os olhos devagar, sentindo os músculos das coxas e das costas rígidos e doloridos pelo esforço durante a noite, mas com uma sensação de relaxamento intensa. Ela observou, por entre a cobertura, Kitty se vestir no frio do quarto. A batedora não hesitou diante da baixa temperatura; vestiu as calças de couro, calçou as botas pesadas e amarrou os cordões com movimentos rápidos. Depois, vestiu um casaco de lã grossa sobre a camisa de flanela, colocou o chapéu de feltro e prendeu o cinto com o coldre dos revólveres na cintura, voltando à sua rotina normal.
Kitty foi até a lareira, ajoelhou-se e começou a mexer nas cinzas com a pá de ferro, procurando alguma faísca. Encontrando um pequeno ponto vermelho no fundo, juntou gravetos secos de pinheiro e soprou com paciência até que uma chama amarela começasse a queimar a madeira, trazendo calor de volta ao espaço.
Ela se levantou e foi até a cama, olhando para Judith com um meio sorriso.
- O dia já começou, querida - Kitty disse, com sua voz rouca normal. Inclinou-se e deu um beijo rápido na testa de Judith. - Vou lá fora tratar dos cavalos e ver o que o vento estragou na cerca do curral. Silas Vance fez uma estrutura fraca perto do poço; aquela madeira parece que vai ceder se o vento apertar mais.
- Vai demorar muito? - Judith perguntou, subindo a pele de bisão até o queixo e acompanhando os movimentos da batedora.
- O tempo de dar ração aos animais, checar as armadilhas perto do riacho e ver se o teto do celeiro está firme - Kitty respondeu. - Fique aí no calor mais um pouco. Depois, é bom dar uma geral nessa bagunça que fizemos ontem. A cabana está com cheiro de sangue de cervo. E a noite foi bem... agitada por aqui. - Comentou, uma certa malícia transparecendo no olhar e no comentário.
Judith sentiu o rosto esquentar, mas sustentou o olhar de Kitty.
- Eu vou arrumar tudo, Kitty. Essa parte do trabalho pode deixar comigo, já que eu seria praticamente inútil lá fora.
Kitty soltou uma risada que ecoou pelas paredes e fechou a porta de madeira pesada ao sair, deixando Judith sozinha com o barulho da lenha queimando na lareira.
Depois de alguns minutos criando coragem contra o frio do ambiente, Judith levantou-se. Sentia o corpo cansado e dolorido, mas de um jeito gostoso, que dava realidade ao esforço da noite. Vestiu o vestido de lã azul, que servia para protegê-la mesmo que parcamente do inverno do Nebraska.
A cabana precisava de limpeza. O caixote de pinheiro que servira de mesa para limpar e salgar o cervo no dia anterior ainda tinha manchas escuras de sangue seco. No chão, a trilha de sangue animal precisava ser removida.
Ela começou a trabalhar com foco e obstinação. Judith Brown, que tivera que aprender a fazer serviços domésticos pesados em Boston, quando seu pai faliu, pegou o balde de ferro perto da porta. Encheu-o com a água morna que Kitty deixara na chaleira sobre a lareira e pegou um pedaço de pano grosso.
Ajoelhada no chão de madeira, Judith começou a esfregar o assoalho. O movimento repetitivo dos braços exigia esforço físico. Ela limpou os vestígios do animal para deixar o quarto em ordem. As manchas de sangue saíram com a água quente e a força de seus dedos, que começavam a dar sinais do trabalho braçal.
Depois de limpar o chão e a mesa, Judith olhou para o resto do espaço. A cabana tinha ferramentas de caça espalhadas pelos cantos, arreios de couro pendurados em pregos tortos e poeira acumulada nas prateleiras de épocas passadas.
Usando a vassoura de galhos amarrados que estava atrás da porta, Judith varreu o local. Recolheu a palha que havia caído do colchão durante a noite, limpou as cinzas que voaram da lareira e organizou os mantimentos nas prateleiras: os potes de sal, a farinha de milho, os grãos de café e o pedaço de toucinho.
Aos poucos, a cabana ficou ainda mais organizada e limpa. Judith encontrou uma colcha de retalhos velha no fundo de um baú de madeira e a estendeu sobre o colchão de palha, colocando o casaco de pele de bisão por cima. Organizou os poucos livros que trouxera na mala sobre uma prateleira perto da janela, deixando o canto arrumado.
Era um trabalho simples e prático, mas que dava a Judith uma sensação de utilidade e tranquilidade. Ela organizava o interior enquanto Kitty resolvia os problemas do lado de fora.
Duas horas depois, a porta da cabana abriu com força. Kitty entrou trazendo o ar frio de fora, fazendo as chamas da lareira se moverem rapidamente. Seus ombros estavam salpicados de neve e o rosto estava vermelho por causa do vento. Nas mãos, trazia um monte de lenha nova de troncos de freixo secos que havia cortado perto do riacho.
Ela parou logo após a entrada, jogou a lenha no cesto perto do fogo e observou o quarto. Olhou para o chão limpo, a mesa raspada sem marcas de sangue, as prateleiras organizadas e o catre arrumado com a colcha.
- Ora, Judith... - Kitty disse, tirando o chapéu e batendo-o contra a perna para remover a neve. - Saí daqui com a cabana bagunçada e volto com tudo no lugar. Você trabalhou muito bem aqui.
Judith levantou-se de perto da prateleira, limpando as mãos no avental improvisado que amarrara na cintura, demonstrando satisfação com o resultado.
- Eu sei como organizar um espaço, Kitty - Judith respondeu, aproximando-se para ajudar a batedora a tirar o casaco de lã úmido de neve. - Como estão as coisas lá fora?
- O vento quebrou dois esteios da cerca do curral. Tive que cortar duas estacas novas de pinheiro com o machado e fincá-las na terra congelada. O chão está duro como pedra, Judith; o trabalho exigiu força - Kitty explicou, indo até a lareira e estendendo as mãos vermelhas de frio em direção ao fogo. - As mulas e o meu cavalo estão alimentados e protegidos, por sorte há bastante feno estocado. Mas o céu está mudando de cor no norte de novo. Uma nevasca forte está vindo de novo. Vamos ter que ficar presas aqui dentro pelos próximos três ou quatro dias.
Judith aproximou-se por trás de Kitty, abraçando-a pela cintura e encostando o peito nas costas firmes da batedora.
- Ficar aqui com você não é um problema, Jane Catherine - Judith disse, sentindo o cheiro de resina, suor e o frio da neve que vinha das roupas de Kitty.
Kitty virou-se no abraço, segurando Judith pelo pescoço com os braços firmes, olhando diretamente para ela, mostrando que o trabalho da manhã não havia mudado o interesse entre as duas.
- Você diz isso agora porque a cabana está arrumada e comemos bem ontem - Kitty comentou, aproximando o rosto do dela. - Mas quando a lenha começar a acabar e o vento e a neve bater forte nas paredes por dias seguidos, vamos ver se você vai manter a calma.
- Eu não preciso de mais nada, Kitty - Judith respondeu com firmeza, vencendo a hesitação e a timidez inicial, aproximando-se para um beijo intenso. - Eu tenho você aqui. E você disse que ia me ensinar tudo o que eu precisava saber.
Kitty deu um meio sorriso de canto de boca, indicando que, mesmo com o inverno forte do lado de fora, ali dentro da cabana de pinheiro seria suficiente para manter a segurança de ambas durante os dias de isolamento que viriam. Judith fechou os olhos, mantendo-se próxima a Jane Catherine, ciente de que o período que passariam isoladas no vale congelado seria a oportunidade para continuar o que haviam começado na noite anterior. E ela mal poderia esperar pela próxima lição.
Fim do capítulo
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