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Onde o medo fez morada! por ellen souza

Ver comentários: 1

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Palavras: 879
Acessos: 117   |  Postado em: 07/07/2026

Capitulo 9

 

Depois daquela conversa…

Nada mudou.

E, ao mesmo tempo…

Tudo mudou.

Porque, depois que Alexandra admitiu, ainda que hesitante, ainda que assustada, que talvez aquilo entre elas não fosse mais só teoria…

Tereza não conseguiu mais fingir que também não sentia.

Esse era o problema.

Não era a ausência de sentimento.

Era justamente o contrário.

 

Nos dias seguintes, Tereza ficou estranha.

Não fria. Não cruel.

Só… menos disponível.

Respondia. Mas demorava. Ria. Mas recuava. Atendia ligações. Mas encerrava antes do costume.

E Alexandra percebeu.

Claro que percebeu.

— Tá acontecendo alguma coisa? — perguntou numa quarta à noite, depois de um silêncio incomum durante uma chamada.

Tereza fechou os olhos.

Estava sentada no chão do quarto, ainda de uniforme, exausta de um plantão emocionalmente difícil… e talvez mais cansada ainda de si mesma.

— Não.

Alexandra ficou em silêncio por alguns segundos.

— Tá. Então me responde honestamente: isso é “não” ou “não quero falar”?

Tereza odiava isso.

A forma como Alexandra a conhecia.

— Eu só tô pensando.

— O que, na sua cabeça, nunca é um bom sinal.

Tereza soltou uma risada sem humor.

Porque era verdade.

 

Naquela noite, depois que desligaram, Tereza fez o pior tipo de coisa possível:

Colocou sentimento na balança.

Distância. Medo. Trauma. Realidade.

Ela em Tocantins. Alexandra em outro estado. Uma vida recém-reconstruída. Uma profissão começando. Uma mulher que nunca tinha estado com outra mulher. Uma história ainda sem garantias.

E, talvez o mais assustador de tudo:

Esperança.

Porque Tereza já sabia… Esperança, quando colocada nas mãos erradas, podia destruir.

Ela passou horas encarando o teto, lembrando de Lara. Das promessas. Das quedas. Da reconstrução brutal de si mesma.

E, pela primeira vez desde o fim…

Sentiu medo de novo.

Não de Lara.

De Alexandra.

Ou pior: Do quanto Alexandra poderia realmente significar.

Porque, se desse errado… Se fosse confusão… Se Alexandra recuasse… Se distância pesasse… Se o nunca fiquei com mulher virasse era só uma fase confusa…

Tereza não sabia se sobreviveria a mais uma quebra.

 

No dia seguinte, Alexandra mandou:

Alexandra: Bom dia, moça!

Tereza ficou olhando para a tela.

Seu peito apertou.

Porque amava aquilo. A leveza, a presença.

Mas talvez exatamente por isso…

Precisasse parar.

Tereza: Acho melhor a gente se afastar um pouco.

 

Do outro lado…

Silêncio.

Longo demais.

Pesado demais.

Tereza sentiu o próprio coração acelerar num pânico quase infantil, como se já quisesse desfazer o envio antes mesmo da resposta.

Quando veio…

 

Alexandra: Ah.Legal.

Direto ao ponto. Meu signo agradece.

Tereza fechou os olhos imediatamente.

— Merda…

 

Tereza: Não faz isso parecer simples.

 

Demorou.

Então:

 

Alexandra: Eu não tô fazendo parecer simples. Tô tentando não parecer quebrada em texto.

 

Aquilo… foi pior do que qualquer raiva.

 

A ligação veio menos de um minuto depois.

Tereza atendeu no terceiro toque, já chorando antes mesmo de falar.

— Me explica .

Alexandra disse, e a falta de sarcasmo foi devastador.

Tereza respirou fundo, falhando miseravelmente.

— Eu não sei fazer isso de novo…

— Isso o quê?

— Gostar de alguém sem saber se existe chão.

Silêncio.

— Tereza…

— Não, me escuta. — A voz dela tremia inteira. — Você mora longe. Sua vida tá aí. A minha tá aqui. Você acabou de sair de uma relação. Nunca ficou com uma mulher. E eu… Eu acabei de juntar pedaços meus que quase não sobraram da última vez.

Do outro lado, Alexandra não interrompeu.

Isso quase piorou tudo.

 

— Eu gosto de você — Tereza confessou, finalmente, como quem arranca vidro da garganta. E é exatamente por isso que eu tô com medo.

 

Silêncio.

Silêncio real.

Então, quando Alexandra falou…

Sua voz estava baixa. Ferida. Humana demais.

 

— Você acha que eu não tô?

Tereza parou.

Porque, por algum motivo cruel, nunca tinha considerado isso daquele jeito.

 

— Eu tô apavorada, Tereza. Alexandra continuou. 

— Você acha que pra mim é simples? Eu passei minha vida inteira entendendo relacionamentos de um jeito. Aí você aparece. Caótica. Intensa. Ridícula. E faz tudo parecer… diferente.

Tereza chorou em silêncio.

 

— Mas eu também sei. Alexandra disse, agora mais firme.

— Que afastar antes de tentar só porque pode dar errado… é deixar o medo decidir por nós duas.

Aquilo acertou fundo.

Porque Tereza conhecia aquela lógica.

Foi exatamente ela que a manteve tempo demais em lugares ruins… e agora podia fazê-la fugir de algo bom antes mesmo de existir.

 

— Eu não quero te quebrar — Tereza sussurrou.

Alexandra soltou uma risada triste.

— Querida… isso implicaria que eu já não estou perigosamente envolvida.

Mesmo chorando… 

Tereza riu.

Porque, claro.

Até devastada, Alexandra ainda encontrava espaço pra ironia.

 

No fim, não decidiram nada grandioso naquela noite.

Não prometeram futuro. 

Não nomearam relação.

Não fizeram planos impossíveis.

Só combinaram uma coisa:

Honestidade.

Sem fugir. Sem idealizar. Sem usar medo como desculpa antes da hora.

E, pela primeira vez…

Tereza entendeu que se afastar não era necessariamente proteção.

Às vezes…

Era só pânico disfarçado de prudência.

Mas, ainda assim…

Naquela madrugada, deitada com o celular no peito e o coração vulnerável de novo…

Ela soube:

Gostar de Alexandra talvez fosse mesmo perigoso.

A diferença é que, dessa vez…

O perigo não parecia mentira.

Fim do capítulo


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Comentários para 9 - Capitulo 9:
lusilenesetubal
lusilenesetubal

Em: 08/07/2026

Nossa! to amando sua historia 

Tereza te entendo mas se afastar de alguem que so te faz bem  nao vale a pena, sabemos o que voce passou na sua relacçao com a Lara mas da uma chance pra Alessandra .


ellen souza

ellen souza Em: 17/07/2026 Autora da história
Prometo que a Tereza está fazendo o melhor que consegue com as feridas que carrega. ?? Nem sempre a decisão mais dolorosa é a mais fácil de entender. Obrigada por torcer por elas!


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